Já não basta o Estado exterminar os nossos filhos cotidianamente, e ainda temos que conviver com esta Situação Bizzara! Agora mais um grande pesadelo que nós temos que lidar...
As Mães de Maio terão que se revezar a partir de hoje para vigiar os túmulos de nossos filhos, para que eles não sejam violados. É importante ressaltar muito bem que, neste Cemitério que apareceram as denúncias de tráfico de corpos e de ossos, estão enterrados 15 dos nossos meninos vítimas dos Crimes de Maio de 2006.
Eu, Débora Maria, sempre tive muito cuidado com o túmulo de meu filho, pois além de sagrado para mim, o corpo dele foi enterrado com uma bala alojada na espinha cervical. Estamos lutando há anos pela exumação do corpo dele, para ser feita a retirada da bala e se produzir novos elementos para as investigações (que seguem arquivadas!) .
Informo que já estamos discutindo este assunto na Câmara Municipal de Santos também, afinal o monitoramento desta situação parece que não está funcionando. E também temos desconfiança de que estão querendo jogar nas costas de um pedreiro toda a responsabilidade sobre um esquema muito maior. Isso também não admitiremos!
Não bastasse termos que lidar com a absurda omissão do Estado nas investigações e punições dos Crimes cometidos por seus agentes; não bastasse termos nós mesmas, por conta própria, que buscar elementos e provas para a proteção da Memória, da Verdade e da Justiça; estamos agora também tendo que ficar completamente vigilantes para termos certeza que os corpos de nossos filhos e filhas não sejam violados (nem tenham seus direitos violados!) mesmo debaixo da terra. E debaixo dos olhos do chamado "Poder Público"...
Pedreiro acusado de vender ossos humanos de cemitério em Santos nega envolvimento em esquema
Sandro Thadeu
O pedreiro Sidnei de Carvalho, suposto mercador de ossos humanos, negou qualquer envolvimento nesse tipo de esquema. Ele prestou depoimento na manhã desta quarta-feira, no 5º DP de Santos.
Os ossos estariam sendo retirados do Cemitério da Areia Branca, em Santos, e seriam supostamente vendidos para rituais de magia negra e estudantes de medicina.
Sidnei estaria comercializando dentes por R$ 10,00 e crânio por um valor que variava de R$ 350,00 a R$ 600,00, segundo o estado de conservação. As negociações foram gravadas e exibidas em um programa jornalístico, onde um repórter de uma rádio santista se passava por um comprador que tinha interesse em adquirir um crânio.
De acordo com o delegado do 5º DP, Flávio Máximo, o suspeito afirmou, por diversas vezes, que está sendo vítima de uma armação.
Ainda segundo o delegado, a voz do pedreiro parecia estar um pouco diferente da voz gravada, porém pessoas ouvidas até o momento confirmaram que a voz gravada é dele.
Máximo diz que, durante o depoimento, Carvalho entrou em contradição em alguns momentos. Não há, entretanto, provas concretas para indiciá-lo.
Leia a matéria completa na edição desta quinta-feira, em A Tribuna.
As Mães de Maio vêm cobrando seriamente, dos candidatos de nossa região, os debates sobre Segurança Pública. Vemos uma maquiação por parte de todos, sem exceção, sobre o tema.
Os candidatos a Governadores e mesmo os Presidenciáveis não têm cobrado, no caso aqui de São Paulo, dos governos tucanos pela responsabilidade em relação aos Crimes de Maio e o Genocídio Continuado Contra a Juventude Pobre e Negra.
Vemos quando os jornalistas fazem as perguntas sobre Segurança Pública eles sempre só falam dos policiais e seus familiares, e nunca se referem à Repressão e Execuções em massa contra os nosso filhos moradores da periferia.
Assim, o Governo do Estado segue livre para continuar agindo da mesma forma, inclusive tentando aumentar o Ibope de suas candidaturas às custas de mais-repressão na periferia, onde eles já praticam cotidianamente torturas e execuções sumárias.
O Defensor de Direitos Humanos de Cotia, Luiz Carlos dos Santos, está sendo perseguido por policiais militares a quem denunciou por graves violações de direitos humanos da região sul da Grande São Paulo
Seis policiais militares o sequestraram e o levaram para trás de um cemitério para ameaçar sua família. Disseram que não o matariam porque senão “ficaria muito na cara”, mas elencaram os nomes de seus filhos, seus endereços e o de suas escolas e ordenaram que parasse com as denúncias. Em consequência ele teve que retirar seus filhos de suas casas (moram em casas diferentes) e escondê-los.
Ele pede que todos os defensores de direitos humanos e militantes pressionem para que os casos que ele acompanha sejam devidamente investigados e punidos judicialmente.
CASO JHONATAN
No início de Agosto de 2010, o estudante Jhonatan Felipe Santos, de 15 anos, estava desaparecido há alguns dias, na região Itapecerica da Serra (Grande SP), e a família esperava por notícias. Mas Jhonatan foi encontrado morto no dia 05 de Agosto, no bairro de Parelheiros (Zona Sul de São Paulo-SP), com vários tiros no rosto e diversas queimaduras de cigarro pelo corpo.
Segundo testemunhas, o adolescente foi levado por dois homens que se identificaram como policiais. As testemunhas contaram que Jhonatan foi algemado pela dupla na Rua Major Telles, a principal rua de comércio de Itapecerica da Serra, e colocado dentro de um carro. Familiares e amigos contaram que ele era um rapaz calmo: "A vida dele era vir da escola para casa. À noite, trabalhava numa pizzaria em Cotia e no fim de semana ajudava o tio, que é pedreiro" - diz a mãe do rapaz, Ana Maria Souza Santos.
O tio do rapaz, Ademar Souza Santos, contou que Jhonatan havia ido ao banco na sexta-feira (30/07) e "quando voltei ele não estava no banco. Uma pessoa me l igou, uma mulher conhecida disse que viu meu sobrinho ser abordado por policiais à paisana" - contou o tio. Se tivesse sido preso em flagrante por policiais, o adolescente estaria na delegacia de Itapecerica. Mas, no local, ele não foi encontrado. Também não houve registro de que ele estivesse sendo procurado pela polícia.
O Defensor Luis Carlos dos Santos teve e está tendo um papel fundamental na elucidação deste e de outros vários casos semelhantes, que envolvem a atuação de agentes do estado e de paramilitares de extermínio.
AS MÃES DE MAIO PRESTAM DESDE JÁ TODA A SOLIDARIEDADE AO GUERREIRO LUÍS CARLOS DOS SANTOS!
Enquanto o Sr. José Serra tenta posar de vítima para criar um fato neste espetáculo eleitoral, as Mães de Maio vêm a público repudiar os assassinatos que seguem ocorrendo por parte da Polícia de São Paulo - a mesma Polícia comandada até pouco tempo pelo Sr. José Serra, e que segue sendo comandada por pessoas de seu grupo político. A pior violação que o Sr. Serra deveria estar discutindo é a violação de vidas humanas que a polícia de SP vem fazendo cotidianamente nas periferias de todo o estado.
Lembram-se dos Crimes de Maio de 2006? Quando também às vésperas de uma eleição a polícia e grupos paramilitares do estado de São Paulo, comandado à época pela mesma turma de Serra, Geraldo Alckmin e de Claúdio Lembo, matou mais de 500 pessoas pelas periferias durante o curto espaço de uma semana (de 12 a 20 de maio)? Nós nos lembramos bem, pois nossos filhos foram assassinados por policiais e grupos de extermínio naquela ocasião! E enquanto os Josés Serras, do dia para a noite, se escandalizam na TV para que apurem a violação de um sigilo de cartório, nós todas estamos a 4 anos, três meses e cerca de 15 dias sem a devida investigação, julgamento e punição de nenhum dos responsáveis pelos assassinatos de nossos mais de 500 meninos, entre mortos e desaparecidos.
De nossa parte, seguimos e seguiremos nos solidarizando com todas as verdadeiras vítimas do Estado: as Mães, Familiares e Amigos das pessoas injustamente presas, torturadas e mortas pela Polícia. Mães como as companheiras Dna. Cida, Dna. Elza e Dna. Ana Maria, que contaram um pouco das suas histórias e das mortes de seus filhos hoje no Jornal da Tarde (VER PRÓXIMO POST). Mães que tiveram as vidas de seus filhos roubadas pela polícia do coitadinho do Serra e seus comparsas, estes santos-homens...
Mães de Maio prestam solidariedade à Dona Elza (c/ a bolsa), Mãe de Eduardo (morto pela Polícia em abril de 2010)
Repudiamos também as declarações hipócritas dadas hoje pelo Comandante da Rota, Sr. Paulo Telhada, depois de mais um assassinato cometido pela polícia. Ele é o mesmo que, semanas atrás, apareceu na capa do lixo da revista Veja São Paulo fazendo, em coro com os editores deste lixo, uma verdadeira apologia ao fascismo e ao extermínio de pobres e negros no estado de São Paulo. Em posição de sentido, um esquadrão de PMs da Rota com boinas-negras - como os fascistas europeus - pregando o seguinte lema: "Deus no coração, pistola na mão!".
Capa da Revista Veja do início de Agosto de 2010: "Deus no coração, pistola na mão"
Sr. Paulo Telhada: Nós sabemos muito bem, no dia-dia, contra quem estas pistolas estão voltadas, e contra quem elas são usadas diariamente! Nós sabemos muito bem por quem o coração de vocês bate! E quem o coração de vocês odeia: nós que vos falamos!
Que tipo de sociedade vocês querem construir????
Depois de dar declarações e exemplos como este, depois das mortes e assassinatos que nós e nossas famílias vivemos na pele, eles vêm com frases cínicas e hipócritas, como as que o Sr. Telhada declarou hoje no Estadão e no Jornal da Tarde, fazendo-se de vítimas e de santos perante a população. "Como cidadão e pai de família, estou triste, pois este rapaz poderia ser um trabalhador". Nas entrelinhas é possível ler: EU mato todos aqueles que EU considero bandidos. Ele tenta legitimar o ilegitimável!
Quem são as verdadeiras vítimas, cara pálida? O Estado não tem o direito de tirar a vida de ninguém, e a banalização dos "autos de resistência" e das "resistências seguidas de morte" é uma maneira de encobrir a verdadeira ideologia que vocês deixam escapar de forma explícita: a defesa da propriedade e do capitalismo, custe o quê custar! Custe o extermínio em nossas carnes e em nossas almas: Nós, Trabalhadoras e Trabalhadores Pobres e Negros Moradores da Periferia! Nós que já morremos cotidianamente trabalhando para vocês, e que morremos tantas outras vezes assassinados pelos seus capatazes! Nós que não temos dinheiro nem posses, e temos a pele escura, e assim somos considerados automaticamente "suspeitos" ou "culpados" por vocês! Nós que o Deus de vocês odeia!
Vocês posam de vítimas como se não fizessem parte da construção de uma sociedade desigual e injusta, e de uma ideologia fascista, da lógica do extermínio que historicamente sempre teve muita força dentro da Rota. Vocês posam de vítimas como se vocês e sua polícia não participassem ativamente da corrupção e da violência cotidiana nesta sociedade capitalista que vivemos.
Uma lógica e uma prática fascista que está espalhada por todo o país: ACABAMOS DE RECEBER A NOTÍCIA de que Martinele Dutra foi assassinado ontem por volta das 13:30hs no Rio de Janeiro. Nossa Grande Companheira da Rede Contra Violência do Rio de Janeiro, a Guerreira Márcia Jacintho, que já havia perdido seu filho Hanry, assassinado pela polícia 6 anos atrás, agora perde também o seu primo Martinele. Toda Força do Mundo, Guerreira! Tâmo juntas!
Suspeito do atentado contra comandante da Rota é morto em Itaquera
Paulo Telhada afirmou 'não ter dúvidas' de que homem é o atirador que tentou matá-lo há um mês
02 de setembro de 2010 | 3h 57
Bruno Lupion, do estadão.com.br
SÃO PAULO - O suposto autor do atentado cometido há um mês contra o comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) foi morto em confronto com a polícia na madrugada desta quinta-feira, 2, em Itaquera, zona leste da capital. O tenente-coronel Paulo Telhada, que está em férias, foi chamado para reconhecer o rapaz no hospital e afirmou "não ter dúvidas" de que ele é o atirador que tentou matá-lo em frente à sua casa.
JB Neto/AE
Telhada foi vítima de um atentado em 31 de julho, na zona norte de São Paulo
O suspeito vinha sendo investigado pelo serviço reservado da Polícia Militar desde o atentado e era o principal suspeito do crime. Ele dirigia um Gol prata no começo da Avenida Jacu Pêssego quando foi abordado por viaturas da Rota, mas se recusou a parar e foi perseguido em alta velocidade por cerca de sete quilômetros.
Na Rua Serra de São Domingos, altura do nº 72, por volta da 0h30, o homem embicou o carro na garagem de um edifício residencial e saiu com uma pistola calibre 45 em punho, atirando, segundo os policiais. Eles reagiram com metralhadoras e o suspeito, baleado quatro vezes, morreu enquanto recebia atendimento no Hospital Santa Marcelina.
Telhada disse que tinha acabado de chegar de viagem quando foi chamado para reconhecer o homem no hospital. O comandante da Rota também compareceu, à paisana, ao local do crime e ao 32º Distrito Policial, de Itaquera, onde o caso foi registrado. "Sem sombra de dúvida, foi este indivíduo que disparou onze vezes contra mim no mês passado", afirmou. Segundo ele, o atirador estava no banco de passageiro do veículo que o abordou na porta de casa, na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo, no final de julho.
Segundo a polícia, o Gol prata dirigido pelo criminoso não é roubado, mas pertence a uma pessoa procurada pela Justiça. Dentro do carro, havia um fuzil e cerca de 20 quilos de cocaína. Indagado sobre como se sente ao ver o criminoso morto, Telhada afirmou que "como cidadão e pai de família, estou triste, pois este rapaz poderia ser um trabalhador".
Atentado
Paulo Telhada foi vítima de um atentado por volta das 11 horas do dia 31 de julho deste ano, na zona norte de São Paulo, quando saía de casa, na Freguesia do Ó. O comandante da Rota deixava a garagem de casa em uma caminhonete quando um carro com dois homens parou em frente ao seu veículo. O passageiro abriu o vidro e disparou diversas vezes contra o policial. Telhada se abaixou dentro da caminhonete até a dupla de atiradores fugir e não foi baleado. Os disparos acertaram o carro do tenente-coronel, o muro da casa e um veículo estacionado na rua.
Nesta sexta-feira saiu uma importante matéria no Jornal da Tarde, sobre assassinatos recentes cometidos pela PM de SP. Confira a matéria na imagem abaixo.
Nós, Mães de Maio, escrevemos esta mensagem de agradecimento e reflexão sobre o I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas.
Em primeiro lugar, com muito respeito e humildade que é o nosso proceder, agradecemos a confiança pelo convite e a calorosa recepção que tivemos de todas e todos os participantes do Encontro. Estamos ainda engatinhando nessa ferramenta que é a blogosfera, a qual acreditamos ser bastante importante para os movimentos sociais e para as comunidades pobres de todo o país. Com ela, já conseguimos romper uma série de barreiras que sempre nos foram colocadas pelos poderosos e pelos detentores do monopólio da comunicação, esta minoria rica e geralmente branca que sempre bloqueou as nossas falas e as nossas idéias de circularem na esfera pública. Porém, há muito o quê avançar...
Débora, das Mães de Maio, participa da Mesa de Abertura do I Encontro de Blogueiros
Nosso cotidiano, que é o cotidiano da maioria da população, é marcado pelo massacre que o capitalismo sempre fez contra nós: desde as senzalas onde nossos irmãos negros, negras e indígenas eram explorados até a morte; até os tempos modernos, quando a chibata se transformou na ditadura do dinheiro e na farda da polícia. Sempre nos foram renegados todos os direitos fundamentais que qualquer ser humano deveria ter assegurado: a começar pelo Direito à Vida, o Direito de Ir e Vir, o Direito à Saúde, à Moradia, à Educação, à Cultura e à Comunicação Livre.
Nós lutamos por Igualdade de Oportunidades, por Justiça e, sobretudo, pelo Direito de Pensar e Viver em Liberdade. Sabemos que a Democracia que nós vivemos é uma verdadeira farsa, e nós apenas exigimos que ela seja Realizada Plenamente.
O público de blogueiros de todo o país (19 estados) lotou o auditório
Sabemos que temos um longo caminho para construir todas as transformações que o povo pobre e negro das periferias tanto precisam. Mesmo na blogosfera, há muito o quê se avançar no sentido de garantir o pleno acesso à internet e a todas as ferramentas que ela possibilita, visando fortalecer verdadeiros canais de comunicação da periferia com a sociedade como um todo, no país e no mundo. Sem o poder de Voz, de Ação e de Decisão da Maioria, não haverá nunca uma transformação igualitária e justa, inspirada pela Liberdade.
Idéias e Propostas foram discutidas em Grupos de Trabalho
Como propostas imediatas, três das nossas principais bandeiras em relação à blogosfera são:
- ACESSO: A Garantia do Acesso Gratuito à Internet e à Banda Larga para toda a população brasileira, principalmente a população pobre.
- FORMAÇÃO: A estruturação de uma Rede de Oficinas e de Formação, Crítica e Gratuita, que possa efetivamente democratizar a utilização dessas ferramentas (como blogs, sites etc). Orientando também sobre todos os perigos que a mesma blogosfera pode significar.
- SOLIDARIEDADE: Por fim, apoiamos a criação de uma verdadeira rede de blogs, sites, de apoio jurídico gratuito e de apoio material solidário para os efetivos defensores da democracia e da liberdade, visando nos proteger a todos – principalmente quem se encontra mais ameaçado - frente a criminalização dos trabalhadores pobres e dos movimentos sociais. Se a classe trabalhadora não formos solidários entre nós mesmos, ninguém será por nós!
Pelas Ruas do centro de São Paulo, a caminho do encontro, a Realidade Grita por Justiça!
Apesar de todo o significado do Encontro de Blogueiros e de várias de seuas propostas, sabemos que todas estas medidas necessárias e urgentes não podem criar a impressão e a euforia de que a blogosfera vá substituir a organização popular e a presença cotidiana nas ruas. Sabemos que uma das principais táticas dos poderosos é incentivar que as pessoas fiquem cada vez mais isoladas entre si, dentro de suas casas, reféns do medo do contato direto nas ruas, onde a vida realmente acontece. Este esvaziamento de algumas pessoas das ruas (enquanto elas seguem sendo tomadas por pessoas pobre como nós, descartadas pelo capitalismo, e sem qualquer perspectiva de vida digna), por maiores que sejam as ações virtuais, gera a reprodução das desigualdades, das injustiças e da falta de liberdade efetiva no cotidano. Para nós da periferia, isso significa a ampliação da estigmatização, do terror e da impunidade perpetuada contra nós ao longo de todo a história. As ruas passam a ser apenas espaços de passagem, de compras e da violência contra nós que as ocupamos.
As Mães de Maio defendem que o prêmio "O Corvo" deve ser dado a todos os Corvos do Estado, responsáveis pelos Crimes de Maio e pelo terror cotidiano nas Periferias de nosso país
Por fim, continuamos repudiando as políticas e práticas de Segurança Pública no Estado de São Paulo. O troféu “O Corvo”, que foi dado à Judith Brito como uma das principais representantes da “Ditadura da Mídia” em nosso país, deveria ser dado também a todos Os Corvos que foram e são os responsáveis diretos pelos Crimes de Maio de 2006 e pelos massacres cotidianos nas periferias de todo o país. De nossa parte, convocamos a todas e todos os blogueiros que participaram do Encontro, que se somem na blogosfera e nas ruas, na luta pela Verdade e por Justiça referente aos Crimes de Maio de 2006 e a todos os crimes similares que representam uma verdadeira “ditadura continuada” em plena era da democracia brasileira. Sem pressão popular não haverá os desarquivamentos, os julgamentos e as devidas punições de todos os agentes de estado responsáveis pelas matanças de ontem e de hoje!
Mães de Maio e Rede Contra Violência (RJ) nas Ruas protestando pelos 4 anos de impunidade dos Crimes de Maio
Seguiremos lutando cotidianamente, nas ruas, na internet e aonde for, para que o Amanhã Seja Livre!
Muito Obrigada a Todas e Todos pelo Respeito, pelo Carinho e pelo Fortalecimento de nossa Luta! Esperamos que, cada vez mais, ela seja uma Luta de Todos Nós!
SEGUIREMOS ATENTAS, CONECTADAS E PRONTAS PRA LUTAR!
Ouça a gravação da Audiência Pública que aconteceu no Condepe/SP no dia 05 de agosto de 2010, no Espaço da Cidadania “André Franco Montoro”, situado no Largo Pateo do Collegio, no. 184, térreo, Centro de São Paulo.
Estiveram presentes entre outros o presidente do Conselho Regional de Medicina por ocasião dos crimes de maio de 2006, representante do Secretário de Segurança Pública, de direitos humanos, Defensor Público, jornalista do jornal A Tribuna de Santos, mães de vítimas mortas por policiais em São Paulo, mães de vítimas dos crimes ocorridos em Março e Abril de 2010, na Baixada Santista cometidos por grupos de extermínio e Mães de Maio.
Para ouvir a gravação da Audiência Pública clique aqui
Os crimes de maio em São Paulo Enviado por luisnassif, sab, 21/08/2010 - 10:32
A primeira apresentação do Encontro dos Blogueiros é de Debora, da Mães de Maio.
Trata-se de uma senhora de periferia que resolveu reagir contra o massacre de 562 pessoas, em seis dias, comandado pelo alucinado Secretário de Segurança de São Paulo na época, Saulo de Castro Abreu Filho. Entre os mortos, teve um filho assassinado, assim como uma moça grávida de nove meses e seu marido.
Clique aqui para entender esse horror, que apenas a blogosfera tem condições de divulgar.
(...) Uma blogueira que eu não conhecia, Débora Silva, das Mães de Maio, fez um discurso comovente. Seu filho, que não tinhaantecedentes criminais, foi uma das 562 pessoas assassinadas em uma semana de maio de 2006, em SP. Foi a retaliação da política paulista à revolta do PCC. Ela lembrou que 562 pessoas, vítimas do Estado, representam uma matança maior por parte da polícia que durante toda a ditadura militar. Graças à mobilização, essas mães conseguiram mandar 22 policiais pra cadeia. Débora disse que a blogosfera não pode substituir as ruas, e pediu para que o capitalismo não nos impeça de pensar. Ela se emocionou muito e chorou, e eu também, óbvio.
A resistência à mídia hegemônica e a oposição ao ideário direitista de Serra são pontos consensuais num Encontro que, contraditoriamente, demonstrou e enalteceu a diversidade da blogosfera, bem como seu caráter democrático. Nem todos os participantes são de blogs que se debruçam sobre as eleições presidenciais ou os abusos da grande imprensa. É o caso de Débora Maria da Silva, líder do movimento Mães de Maio.
À frente de um blog que leva o mesmo nome de seu movimento, a ativista aderiu à mídia alternativa devido aos acontecimentos que abalaram o estado em maio de 2006. Em retaliação à ofensiva do PCC (Primeiro Comando da Capital) sobre o sistema penitenciário e policial no estado, agentes de segurança exterminaram 562 pessoas naquele mês – “mais do que a ditadura” liquidou em 21 anos. Uma das vítimas, lembra Débora, foi uma mulher grávida que estava a três dias de fazer cesariana.
“São Paulo é um estado capitalista e autoritário”, denunciou Débora, ao lado de Nassif e PHA, na mesa de abertura do Encontro. Segundo ela, é à blogosfera que os movimentos devem recorrer para lançar seus pontos de vista e tentar sensibilizar a opinião pública. “O blog é um espaço democrático para nos manifestarmos. Não podemos deixar que barrem o direito de pensar do brasileiro, e a luta só se ganha com pressão.”
ENCONTRO DOS BLOGUERIOS PROGRESSISTAS REÚNE MAIS DE 200 COMUNICADORES INDEPENDENTES EM SP Por Tatiana Lima, 23.08.2010
(...) Débora da Silva, representante do blog Mães de Maio defendeu que a sociedade e os movimentos sociais precisam se apoderar desta ferramenta. Para ela, a internet não substitui o papel da rua, que é ”o verdadeiro espaço de luta e pressão social”. Entretanto, o blog é um mecanismo de romper a censura velada dos meios de comunicação e do poder público.
“Estou aqui para aprender e para denunciar. A internet é democrática, podemos levar nossa voz para todos os cantos. Obrigamos o estado de São Paulo a admitir que mataram nossos filhos. O assassinato de 562 pessoas não foi resultado apenas de uma ação de facção criminosa. O estado exterminou nossos filhos. Eles tiveram que admitir”, revela.
Destaco o emocionante e corajoso depoimento de Débora da Silva, do blog Mães de Maio, que seguramente encorajou outras mulheres a continuar lutando por seus ideais de justiça social e liberdade de expressão.
300 podem virar mil ano que vem! Esse, aliás, é um aspecto simbólico que pode ter passado quase despercebido durante o fim-de-semana: mostramos a força dessa parceria entre movimentos sociais, sindicatos e blogueiros independentes. Como deixou claro a Débora Silva , do “Movimento Mães de Maio”, logo na mesa de abertura no sábado: a internet tem mais força se estabelecer essa parceria com as ruas, com a turma que se organiza em associações e sindicatos. A força da blogosfera progressista é a força dos movimentos sociais. Uma não existe sem os outros. A internet não substitui o combate nas ruas, na realidade concreta.
Nas primeiras horas do Encontro de Blogueiros Progressistas, o dramático depoimento e presença de Débora Silva, liderança do movimento Mães de Maio , foi a grande novidade.
O relato de sua luta pela justiça contra os crimes cometidos na sequência do ataque do PCC em São Paulo, onde em uma semana foram assassinadas 500 pessoas, segundo ela, nem na ditadura tivemos um massacre semelhante.
Causou comoção ao auditório a presença simples, direta e verdadeira desta mãe, vitimada não por uma violência difusa, mas de crimes de mascarados, onde por debaixo das máscaras existiam PMs de São Paulo, como ela relatou, foi vítima da violência do estado, crimes ocorridos durante o governo Geraldo Alckimin.
Recordo agora dos estudos da época dos massacres, onde mais de 70% dos mortos não tinham nenhuma passagem pela polícia, eram cidadãos comuns.
Agora Débora Silva segue com sua luta por justiça, e já congrega movimentos e denúncias de todo o Brasil, habilmente utilizando os recursos da Web e, por sua consistência já consegue também acesso a alguns meios tradicionais de jornalismo.
O Blog Mães de Maio na pessoa de Debora Maria da Silva participou do Encontro Nacional de Blogueiros que ocorreu em São Paulo neste final de semana, no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, com mais de 300 pessoas de todo Brasil.
Assista ao documentário "LUTO COMO MÃE" em agosto nos Cinemas (Ponto Cine, Estação botafogo e Cinema nosso). Documentário sobre o rosto feminino da violência armada no RJ.
“Luto como mãe” estreia dia 20 de agosto no Rio de Janeiro Documentário revela a luta de mães de filhos assassinados em chacinas do Rio
Com uma câmera na mão, mulheres revelam que por trás das belezas naturais do Rio de Janeiro se esconde a dor de quem perdeu seus filhos para aqueles que, por ironia, deveriam proteger a segurança da população. Dar visibilidade para essas mães é a proposta do documentário “Luto como mãe”, do cineasta Luis Carlos Nascimento, que estreia no próximo dia 20 de agosto no Rio de Janeiro.
O longa retrata chacinas cometidas por policiais repercutidas em todo o país e nomeadas como as “Mães de Acari”, “Chacina da Candelária”, “Chacina da Baixada” e outras tão importante quanto essas. Durante quatro anos, Luis Carlos Nascimento acompanhou de perto junto com uma equipe de cinema o drama dessas mães, desde a coleta de depoimentos até os desdobramentos dos casos perante a justiça. Com uma “hand can” nas mãos, as mães documentaram suas passeatas, mobilizações, comemorações familiares e ainda realizaram entrevistas com maridos e familiares contribuindo para a inovação no processo de construção da narrativa do documentário. “Ignora-se que, para cada marido, cada filho, cada homem morto, existe sempre uma mulher por trás”, lembra Luis Nascimento no filme.
A visibilidade dessas mortes é passageira, dura enquanto a notícia durar. Seus rostos aparecem nas capas dos jornais, noticiários de TV sempre com uma lágrima demonstrando toda a sua dor. Mas tudo isso é momentâneo, no dia seguinte ninguém lembra mais do fato ocorrido e não sabemos o que essas mães fazem no dia a dia de suas lutas após o momento do luto. É sobre esse rito de passagem do Luto à luta que em 70 min o documentário "Luto como Mãe" vai mostrar com cenas emocionantes e envolventes essas mulheres de força, persistência, vontade de justiça e de mudança.
Elizabeth Medina Paulino, uma das mães de filhos assassinados na chacina da "Via Show", relata no documentário que resolveu correr atrás de justiça para que isso não ocorra com nenhuma outra mãe. "A única coisa que tinha medo era perder meus filhos e agora não tenho mais medo de nada”, conta Elizabeth que esteve no lançamento do documentário em Portugal e, segundo ela, quando acabou a exibição ficou aquele silêncio, todo mundo perplexo. Só depois vieram os aplausos.
“Luto como Mãe” participou da 14ª edição do Festival Internacional do Rio (2009) - onde concorreu a três prêmios: melhor direção, melhor documentário e melhor filme do júri popular; no Festival Viña del Mar (Chile/2009); no 12ª Festival de Cinema Brasileiro de Paris (França/2010); no 1ª Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa – FESTin (Portugal/2010); na 3ª Mostra Internacional de Cinema em Língua Portuguesa, entre outros. O documentário "Luto como Mãe" tem a direção do cineasta Luis Carlos Nascimento, produção da TV Zero, Jabuti Filmes e Cinema Nosso. O longa foi realizado em parceria com CES- Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal) e CESEC- Centro de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes e conta também com o apoio da Fundação Ford , IPAD- Instituto Português para o Desenvolvimento, Sebrae/Rj e Fase.
Diretor Luis Carlos Nascimento
‘Luto como Mãe” é o primeiro longa-metragem do cineasta que iniciou a carreira como produtor e escritor de teatro até a chegada do premiado filme “Cidade de Deus”, onde participou do elenco. Logo depois fundou a Escola Audiovisual Cinema Nosso, que conta com o apoio dos cineastas Fernando Meirelles e Kátia Lund, onde hoje é o presidente da Instituição.
Alguns trabalhos de destaque do cineasta Luis Nascimento:
Filmografia; Cidadão Silva, (Ficção, 2002, 16 mm, 8 min) Produtor Executivo; O Cego, o Diabo e o Bom Pastor, (Ficção, 2003, DVCam, 13 min) Roteirista e Diretor; Sapukay, (Documentário, 2004, Mini DV, 9 min) Produtor Executivo;Vivendo e aprendendo, (Documentário, 2004, Digital, MiniDV, 6 min) Diretor; Nova Baía, (Documentário, 2004, Digital, Mini DV, 15min) Diretor; Nova Esperança – Yawanawa (Minissérie Rede Povos da Floresta - 2003, Mini DV, 8min) Roteirista e Diretor;Xacriabá, (Minissérie Rede Povos da Floresta - 2005, Mini DV, 10min) Diretor; Apiwtxa, (Minissérie Rede Povos da Floresta - 2003, Mini DV, 12min) Roteiro e Diretor;Construindo o Futuro (Documentário, 2005, Mini DV, 7min) Diretor e Produtor; Crime Quase Perfeito (Ficção, 2004, Beta Digital, 18 min) Roteirista e Diretor; Vida nova com Favela (Documentário, 2005, Mini DV, 14min) Roteirista e Diretor; Amarribo - controle social (2007, Mini DV, 6min) Diretor; Agro vidas (Documentário, 2007, Mini DV, 15min) Roteirista e Diretor;Cidade das Abelhas (Documentário, 2007, Mini DV, 12min) Roteirista e Diretor; Uma mãe como eu... (Documentário, 2007, Mini DV, 14min) Roteirista e Diretor; Os investigadores (Doc-ficção, 2009, HD, 15min) Roteirista e Diretor.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública de São Paulo afirma estar avançando na apuração dos responsáveis pela onda de assassinatos ocorrida em abril, que marcou a Baixada Santista no segundo trimestre deste ano. Quem garante é do titular da pasta, Antônio Ferreira Pinto. Foram 22 casos atribuídos a um grupo de extermínio autodenominado Ninjas da PM. As ações se concentraram em Cubatão, Guarujá, Santos e São Vicente. Sobre as investigações, Ferreira Pinto destacou "que estamos progredindo bastante. O Ministério Público pediu a prisão de 17 policiais militares. Já há elementos suficientes para a denúncia". Ainda sobre a onda de execuções, o secretário comentou que "a intervenção foi tão eficaz que acabaram esses tipos de execuções, infelizmente com o envolvimento de policiais militares". O secretário estadual esteve ontem na inauguração do posto do Corpo de Bombeiros de Santos, na Vila Nova, e comentou que a queda dos índices criminais no Deinter-6 "é um trabalho contínuo, de inteligência". O órgão é o responsável pela Polícia Civil na Baixada Santista e Vale do Ribeira, e a redução do índice é referente aos meses de abril e junho deste ano, comparando com o mesmo período do ano passado. "Quando assumi a secretaria, defini como meta o combate aos crimes patrimoniais. Os índices estavam crescendo, atingimos uma estabilidade e agora nesse trimestre houve queda em todos os indicadores. Graças ao trabalho conjunto das policiais Civil e Militar".
CUBATÃO
Ferreira Pinto comentou sobre a intenção de ser criado um posto, em Cubatão, para ajudar na prevenção ao roubo de carga. "Intensificamos o policiamento em Cubatão onde há estacionamento de caminhões. Nossa ideia é estabelecer um posto naquela região parafiscalizar melhor. Temos um projeto aprovado pela Secretaria de SegurançaPública". Além dos crimes patrimoniais, os homicídios dolosos (quando há intenção de matar), também apresentaram queda na região no 2º trimestre de 2010. A redução foi de 14% no comparativo com o período de abril a junho de 2009. Foram 80 casos no ano passado contra 69 em 2010.
AUMENTO DO EFETIVO
Afirmando que "a demanda é muito grande" ao ser perguntando sobre aumento de efetivo na região, Ferreira Pinto disse que está sendo concluído o curso de escrivães de polícia. "Vamos destinar escrivães para a Baixada Santista". Ele não precisou o número de policiais. Questionado também em relação ao ataque a tiros contra o prédio da Rota, em São Paulo, ocorrido no último domingo, o secretário classificou a ação "como um ato de vandalismo, não um ataque".
Intenção é fazer um relatório das reuniões sobre o assunto e encaminhá-lo ao governador Alberto Goldman
As discussões sobre violência policial e as ações de grupos de extermínio vão continuar. Na quinta-feira passada, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) realizou, na sede da Secretaria de Justiça, em São Paulo, uma audiência pública para analisar as execuções ocorridas em maio de 2006 e abril deste ano que deixaram 530 mortos. O objetivo é transformar os debates da audiência num documento. Depois, pedir fazer reunião para apresentar o conteúdo ao governador Alberto Goldman para que o Poder Público adote providências. "É uma coisa absurda termos até hoje uma comissão de mortos e desaparecidos da ditadura militar. Mas, muito pior ainda é a gente ter uma outra comissão de mortos e desaparecidos pela democracia". A manifestação é do presidente do Condepe, Ivan Seixas, barbaramente torturado nos porões do regime militar. E foi feita após a intervenção de familiares de vítimas de grupos de extermínio e violência policial. Enfáticos, elas disseram ao representante do secretário de Segurança Pública que se o Governo Estadual continuar se calando frente os fatos, o grupo vai denunciar os crimes para a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
SILÊNCIO
A ausência do secretário de Segurança, Antônio Ferreira Pinto, no encontro de quinta-feira foi muito questionada. Para o presidente do Condepe, chega a ser um desrespeito: "O conselho faz parte da Secretaria de Justiça. A audiência foi convocada pelo Diário Oficial com antecedência e o secretário marca compromissos para o dia. É um desrespeito". Um assessor apresentou um breve relatório das investigações sobre os crimes de encapuzados, comprovadamente formado por policiais, ocorridos em abril deste ano e que vitimou 22 pessoas. Até agora, apenas dois policiais estão detidos e outros dois recolhidos para tarefas administrativas. O assessor disse que as investigações seguem. No entanto, fez questão de justificar o uso da violência por policiais. "Num tiroteio, você atira em qualquer lugar. No peito, na cabeça. Funciona assim (...) mas estamos investigando cada caso para punir os policiais ruins", afirmou.
NOVOS PARADIGMAS
A Defensoria Pública foi representada por Carlos Weis. Para ele, o problema não deve ser pensado de maneira fragmentada, mas como um todo. "Não se trata de punir um ou outro policial, mas sim, mudar a política de segurança pública e de policiamento", defendeu Weis. O Ministério Público (MP) também participou da audiência. O promotor Eduardo Dias não eximiu o órgão de falhas nos inquéritos sobretudo os que envolvem os crimes de maio de 2006. Contudo, ponderou sobre as dificuldades de trabalhodos promotores. "Em Santos, por exemplo, eu não acompanhei de perto os processos, mas a Vara do Júri é composta por apenas um promotor, o colega Octávio Borba. Fica difícil tocar inquéritos tão complexos sozinho".
"Por que o MP não cria uma força-tarefa para apurar crimes de grupos de extermínio, de violência policial? Como se faz em outros casos, como lavagem de dinheiro" Antônio Maffezoli, defensor público
Desde a terça-feira (20), moradores de comunidades do Rio de Janeiro estão realizando mobilizações para denunciar que, há mais de 20 anos, sofrem com a injustiça e o esquecimento por parte do poder público. Entre as atividades, que seguem até o dia 26, serão prestadas homenagens aos mortos da ‘chacina da Candelária’ e aos desaparecidos do ‘caso Acari’ durante a ‘Caminhada em Defesa da Vida’. Na noite desta quinta-feira (22), os moradores inconformados com a impunidade e as injustiças cometidas em sua cidade, realizam, na igreja da Candelária, uma vigília para lembrar os 17 anos dos assassinatos conhecidos como ‘chacina da Candelária’, o desaparecimento de onze jovens de Acari, as violações aos direitos humanos e todos mortos e desaparecidos forçosamente nos últimos 20 anos no Rio de Janeiro.
Amanhã (23), dia em que a chacina completa 17 anos, será realizada uma das mobilizações mais fortes: a "Caminhada em Defesa da Vida - Candelária Nunca Mais". Além da marcha, o momento será marcado por atos religiosos e atividades culturais. Patrícia de Oliveira, fundadora da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência ressalta a importância desta mobilização.
"Muitos ainda acham que durante a chacina da Candelária morreram poucos e que a população da rua tem mesmo que morrer. Com esta caminhada queremos mostrar que a vida está acima de tudo, acima do dinheiro ou de um cargo político. Hoje, no Brasil a situação é a seguinte: primeiro se mata e depois se busca um motivo e sempre há uma justificativa para os crimes", denuncia.
Para alertar sobre a impunidade no ‘caso Acari’, Patrícia pontuou que será realizada no dia 26 uma caminhada para lembrar os 20 anos dos 11 desaparecimentos. A mobilização será protagonizada por diversas organizações brasileiras de direitos humanos, entre elas, a associação Mães de Maio da Baixada Santista, o Grupo de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade, de Minas Gerais, e os membros da Campanha ‘Reaja ou Será Morta , Reaja ou Será Morto’, da Bahia.
"O caso Acari completa 20 anos e ainda é um inquérito. No próximo dia 26 vai prescrever e ninguém será preso, pois os envolvidos são pessoas importantes. Muitos juristas justificaram a impunidade com a explicação de que se ‘não há corpo, não há crime’. Por isso, o que vimos foi uma redução nas mortes e aumento nos desaparecimentos. Como os corpos não aparecem, nada é feito. Precisamos dizer chega! A população pobre ainda não tem noção de sua força e quando tiver, pessoas como Sérgio Cabral não dirão mais que ‘mulher de comunidade é fábrica de bandido’", alerta Patrícia.
A fundadora da Rede contra a Violência chamou toda a população carioca a se envolver nas mobilizações e a denunciar o que sabem. "Os políticos têm medo do que sai na imprensa internacional e têm medo do que a população fala. Com certeza, após verem as caminhadas, vão pensar mais antes de agir e não vão nos ver apenas como pobrezinhos, mas sim como eleitores que têm o poder de decidir".
Chacina da Candelária
Na madrugada de 23 de julho de 1993, por volta da meia noite, policiais militares dispararam contra cerca de 50 crianças e adultos, moradores de rua, que dormiam em frente à igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. O resultado da atrocidade foi a morte de seis garotos e dois adultos. Na mesma ocasião, mais duas crianças e um jovem foram mortos na Praça Mauá.
De acordo com depoimentos de sobreviventes, o crime foi cometido por, pelo menos, cinco pessoas. Os garotos acreditavam que o crime havia sido motivado pelo fato de um garoto ter apedrejado o carro de um policial. Especulou-se ainda que o pretexto foi um assalto praticado contra a mãe de um policial. No entanto, a hipótese mais forte e aceita foi a de que os policiais fariam parte de um grupo de extermínio e estavam realizando uma "limpeza" no centro histórico da cidade.
Seis policiais militares foram a julgamento. Sendo que três foram condenados e três, mesmo tendo seu envolvimento provado, foram absolvidos. Marcos Aurélio Dias de Alcântara foi condenado a 204 anos de prisão, Marcus Vinícius Borges Emmanuel a 300 anos e Nelson Oliveira dos Santos Cunha a 45 anos.
Caso Acari
Em 26 de julho de 1990, três meninas e oito garotos, todos moradores da comunidade do Acari ou de comunidades vizinhas, foram levados à força por homens que se diziam da polícia. Após serem sequestrados do sítio em que se encontravam, em Magé, região metropolitana do Rio de Janeiro, nunca mais foram encontrados. Até momento, ninguém foi punido pelos desaparecimentos.
Familiares de vítimas da violência do Estado, com apoio de movimentos sociais, marcham para lembrar chacinas da Candelária e de Acari e protestar contra criminalização da pobreza
As histórias são muitas, mas a dor é a mesma. Mães que perderam seus filhos violentamente reuniram-se em frente à Igreja da Candelária, no centro do Rio, neste dia 23 de julho. A data marca os 17 anos do assassinato de oito jovens no local. Com o apoio de diversos movimentos sociais, a “Caminhada em Defesa da Vida” reuniu cerca de duas mil pessoas que protestavam contra a impunidade e a violência do Estado.
O ato, que já está em sua 17ª edição, adotou este ano como tema os 20 anos do Caso Acari. Na ocasião, 11 jovens foram sequestrados por policiais. Até hoje, seus corpos não foram encontrados e o inquérito não foi concluído.
“É difícil o Estado investigar crimes quando os prováveis autores são policiais militares e civis. Isso mostra como é necessária a organização da sociedade. As Mães de Acariforam pioneiras nessa luta, dos familiares de vítimas por justiça e por mudança social”, diz Maurício Campos, da Rede contra a Violência.
Marilene Lima e Souza, uma das Mães de Acari, desabafa: “A justiça não está ao nosso alcance. Mas, enquanto eu tiver forças, vou continuar na luta para saber o que realmente aconteceu com minha filha. Quero ter o direito de enterrar o que sobrou dela”. Na época do assassinato, Rosana Souza Santos, filha de Marilene, tinha 17 anos.
O grupo, que inicialmente tinha 10 mães, hoje conta com apenas quatro. “Depois do assassinato da Edméia, algumas mães ficaram muito assustadas e acabaram se afastando. O temor só diminuiu com a morte do policial conhecido como Peninha, que foi apontado como chefe do grupo de extermínio que teria executado minha filha e os outros jovens”, diz Marilene.
Licença para matar
O apoio dos movimentos sociais aos familiares das vítimas da violência é fundamental. É o que aponta Márcia Jacinto, mãe de Henry Silva Gomes, morto pela polícia aos 16 anos de idade, no Lins, zona norte do Rio. “Só desta maneira, nós, moradores de comunidades, podemos mostrar o que realmente acontece lá dentro e é ignorado pelo poder público”, diz. Para ela, não há interesse por parte das autoridades em ouvir ou investigar as atrocidades que acontecem nas favelas: “A polícia declara auto de resistência, o delegado assina e o poder judiciário enterra. Se nós não corrermos atrás, outras mães vão continuar chorando”. O inquérito da morte de Henry registrou que ele era traficante, portava um revolver 38, trouxinhas de maconha e trocou tiros com a polícia. “Tudo mentira”, afirma Márcia.
Em 2003, cinco jovens do Morro do Borel, zona norte do Rio, foram mortos pela polícia e no registro de ocorrência também foi alegado auto de resistência. Maria Dalva da Costa, mãe de Tiago da Costa Correia da Silva, uma das vítimas, diz que essa alegação é apenas uma desculpa que a polícia utiliza para matar: “Eles disseram que o meu filho e os outros quatro meninos estavam armados e que trocaram tiros. Na verdade, eles eram trabalhadores e, acima de tudo, jovens brasileiros. Meu filho foi enterrado como traficante e foi muito difícil para mim provar que ele não era”. Dois dos envolvidos na chacina foram absolvidos, um foi condenado - mas já está em liberdade - e outros dois, que ainda não foram julgados, estão respondendo ao processo em liberdade.
O fantasma da tortura
Outra face da violência do Estado, que assombra os presídios e carceragens do Brasil desde a época da ditadura militar, é a tortura. O filho de Indaiá Maria Mendes Moreira foi preso em fevereiro de 2009 e levado para a carceragem de Neves, em São Gonçalo. Lá o jovem Vinícius Moreira Ribeiro passou 22 dias até que a mãe recebesse a notícia de sua morte: “No dia em que eu cheguei com o alvará de soltura, fique sabendo que ele não estava mais lá. Meu filho foi morto dentro da carceragem e os policiais disseram que ele tinha caído e batido com a cabeça. Ele completaria agora 22 anos, foi criado com todo amor, carinho, e tiraram a vida dele por meio de tortura”.
Um dos panfletos distribuídos durante a passeata conta a história de Andreu Luis da Silva de Carvalho, jovem morador do Cantagalo torturado e assassinado por seis agentes do Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas) em 1 de janeiro de 2008. O caso aconteceu no Centro de Triagem (CTR), instituição destinada a “ressocializar jovens infratores”, e é apontado pelos movimentos, ao lado de vários outros exemplos, como parte de uma “política de extermínio e criminalização da pobreza”.
A manifestação foi finalizada com um ato político-cultural em frente à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, na Cinelândia. Representantes de entidades e vítimas da violência discursaram ao microfone e lembraram também os 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente. Outra atividade para relembrar as chacinas e a impunidade foi realizada neste domingo (25), no Grêmio Recreativo Escola de Samba Favo de Acari.
RIO DE JANEIRO - Uma manifestação organizada pelo Movimento Rede Contra Violência reuniu cerca de 5 mil pessoas na Candelária para relembrar os 17 anos da chacina em que sete crianças e um jovem foram mortos por PMs enquanto dormiam na Praça Pio X, em 1993.
Às 10h, uma missa foi celebrada e, de lá, os manifestantes seguiram pela Avenida Rio Branco, chegando à escadaria da Câmara Municipal, onde expuseram cartazes e bonecos simbolizando as vítimas da violência na cidade ao longo dos anos.
A família de Gabriela Prado Maia Ribeiro, morta por uma bala perdida na estação do metrô da Tijuca, em 2003, esteve presente, e Patrícia Oliveira, irmã de Wagner dos Santos, único sobrevivente da matança da Candelária, também protestou.
– Aqueles oito tiros mudaram a vida do meu irmão. Hoje, com 39 anos, vivendo na Suíça, ele não pode ter filhos, pois foi envenenado pelo chumbo dos projeteis, e sofre de problemas neurológicos.
O Movimento Mães de Acari, que teve início em 1990, após o sumiço de 11 jovens, entre eles oito adolescentes, também esteve na manifestação.
A chacina de Acari, como ficou conhecida, vai completar 20 anos na próxima segunda-feira.
– Até hoje, não vi o corpo e ainda tenho as minhas dúvidas se meu filho está vivo ou morto – desabafou Tereza Souza Costa, 60, mãe de Edson de Souza Costa, que na época do desaparecimento completaria 18 anos.
Outra mãe que também não tem notícias do filho desaparecido é Beatriz Ferreira de Lima, 74. Segundo ela, Jurandir sumiu há 15 anos, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
A Organização de Direitos Humanos Projeto Legal prepara uma ação internacional contra a ineficiência das investigações do caso.
Se a denúncia for aceita pela OEA, o Estado poderá ser responsabilizado pela ausência de resposta aos familiares.