NOVO MANIFESTO PELA FEDERALIZAÇÃO DOS CRIMES DE MAIO, E FIM DA "RESISTÊNCIA SEGUIDA DE MORTE"

terça-feira, junho 14, 2011

APADEP ENTREVISTA LÍDER DO MOVIMENTO MÃES DE MAIO: "A FEDERALIZAÇÃO DESSES CRIMES É UMA RESPOSTA TANTO PARA AS FAMÍLIAS QUANTO PARA A SOCIEDADE"


http://www.apadep.org.br/news/2011/apadep-entrevista-debora-do-movimento-maes-de-maio-a-federalizacao-desses-crimes-e-uma-resposta-tanto-para-as-familias-quanto-para-a-sociedade/view


APADEP entrevista líder do movimento "Mães de Maio": "A federalização desses crimes é uma resposta tanto para as famílias quanto para a sociedade"

Em maio de 2006, há cinco anos, policiais e grupos paramilitares assassinaram mais de 500 pessoas no estado de São Paulo em represália aos ataques organizados pela organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). De dentro dos presídios, a organização havia comandado a morte de mais de 50 policiais, agentes penitenciários e até um bombeiro no começo daquele mês. O estopim da ação do PCC teria sido a decisão do governo de transferir lideranças do crime para presídios de segurança máxima. No dia 11 de maio, começaram as transferências. No dia seguinte, tiveram início os ataques da organização e o sangrento revide policial, que assassinou centenas de jovens sem nenhuma ligação com o crime.

Estatísticas mostram que somente entre os dias 12 e 20 de maio de 2006 foram mortas mais de 500 pessoas. Débora Maria da Silva é a mãe de um deles. Edson Rogério Silva dos Santos tinha 29 anos e foi morto dia 15, em Santos. A notícia veio pelo rádio. O dia anterior tinha sido dia das mães e aniversário de Débora. Durante 40 dias ela ficou chocada, quase perdeu as forças, até que disse ter visto seu filho dizer: “Mãe, se levanta! Seja forte!”. Começou aí a peregrinação.

Contra a impunidade, Débora uniu-se a outras famílias também em luto, vítimas do mesmo terror, e juntas organizaram um movimento cuja missão é “lutar pela verdade, memória e por justiça, de ontem e de hoje”. Surgiu assim o movimento “Mães de Maio”. Atualmente, uma de suas principais bandeiras é o desarquivamento dos casos e a federalização dos crimes, reivindicação feita com o total apoio da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, sob a responsabilidade do defensor público Antônio Maffezoli, que também move ação indenizatória das famílias e vítimas da má atuação do Estado. A federalização, explica Débora, tem o poder de tirar das mãos do executivo estadual a responsabilidade de juntar provas criminais contra ele mesmo, o que dificilmente acontece; por isso, a importância da participação da Polícia Federal nos julgamentos. No último 19 de maio, dia Nacional da Defensoria Pública e da entrega do IV Prêmio “Justiça para Todos”, Débora concedeu-nos a seguinte entrevista:

APADEP: Em que momento começou o Movimento Mães de Maio? Quantas mães estão juntas hoje nessa luta, Débora?

fileira

Débora: Depois da morte do meu filho. Eu fiquei muito deprimida, não comia. Comecei a sentir fraqueza e cair da cama de hospital. Tive alucinações por causa dos remédios. E no leito do hospital, vi meu filho, ao meu lado. A imagem dele ficou na minha cabeça, pedindo para eu me levantar e ir para luta. E eu fui. Hoje somos um grupo com 20 famílias, que tiveram filhos assassinados em 2006, 2007, 2010 e 2011.

APADEP: Quando e como a senhora chegou até a Defensoria Pública?

Débora: Não tínhamos uma direção no começo. Fomos a alguns advogados e o preço era um absurdo. Não conhecíamos a Defensoria, achávamos que advogado do estado era pela OAB e que não ia a lugar nenhum, por serem do Estado. Fomos indicados a visitar um ex-promotor de Santos, mas ele cobrou muito caro. Para começar seriam R$ 20 mil. Disse para juntarmos mais famílias, para sair mais barato. Demorou uns seis meses até que o patrão de uma das mães, o jurista Dr. Sérgio Sérvulo, nos indicou os serviços da Defensoria. Lá conhecemos o doutor Felipe Pereira, que pediu uma cópia dos inquéritos ao Ministério Público que demorou uns seis meses para dar as cópias para a Defensoria. A coordenadora da unidade de Santos, Dr. Lisa Mortensen, disse que a gente podia entrar com um pedido de reparo ao Estado para as famílias, mas a gente queria condenação pelos crimes. Depois o Dr. Felipe foi designado para ir para o interior de São Paulo, mas a vista do inquérito ficou parada, por causa da demanda da Defensoria, que é muito grande. E depois ele passou para o Dr. Antônio Maffezoli, que fez o pedido de reparo, e até isso o Estado negou, alegando que não tem como se culpar porque poderia ser revanche de namorado ou facção. O estado continua criminalizando nossos filhos depois de cinco anos sem querer ser responsável pelas atrocidades que aconteceram na época.

APADEP: Uma das bandeiras do Movimento Mães de Maio é a federalização dos crimes. Por que lutar pela federalização? Na prática, o que isso significa e o que muda no andamento do processo?

A impunidade histórica é tamanha, e a licença para matar é tão escancarada que os Capitães do Mato da atualidade acharam que poderiam matar mais de 500 jovens e negros em um curtíssimo espaço de tempo, especialmente nas periferias de São Paulo, em Guarulhos e na Baixada Santista, e que todo mundo iria ficar quieto e aceitar a versão oficial deles, da elite, de que todos os mortos teriam merecido morrer pois eram ‘suspeitos’, ‘bandidos’, ‘do PCC’”. Trecho do livro "Do Luto à Luta"

Débora: Eu sabia que a federalização era o único modo porque, pelas instâncias estaduais, jamais a gente teria êxito. Começamos a falar para o Dr. Antônio que a Polícia Federal entrasse na questão, que não tinha outro recurso. E graças ao empenho dele, lutamos e montamos o pedido, junto com outros órgãos, e solicitamos a transferência de competência, para trazer à tona o que foram os crimes de maio. Jamais os órgãos estaduais, a polícia estadual vai produzir prova contra eles próprios. A Polícia Federal já deveria ter entrado na questão desde quando o presidente da República, o Lula, na época que começou a matança, ofereceu a guarda de segurança nacional. E o estado não quis, porque era ano eleitoreiro e o Governo iria mostrar que tinha fraqueza, aceitando a Guarda de Segurança Nacional. Na visão do governo, isso fortalecia o presidente Lula, que era também candidato. Mas o Lula também não cobrou e teve sua parcela de culpa, pois deveria ter cobrado o porquê de tantas mortes, de tantos jovens. Pela última pesquisa, foram mais de 600, com todos os inquéritos arquivados. Por que arquivados? A gente não aceita isso. E é importante sim que traga para a população a verdade, que o Governo se calou durante esses cinco anos.

APADEP: E como está atualmente caminhando esse pedido de transferência de competência?

Débora: Fez um ano, dia 13 de maio, que foi assinado e transferido o pedido para Brasília. Nós estivemos lá, com o Ouvidor-Federal, Doutor Firmino Fecchio. Até agora estamos aguardando e nada foi dado de resposta.

APADEP: As mães também estão com um pedido de audiência pública em andamento. Uma Comissão Especial esteve visitando os órgãos do estado e a Baixada. Quais foram os resultados?

Débora: Quando participamos da Agenda Latino Americana, em São Paulo, esteve presente o Ministro Paulo Vannuchi que ouviu as reclamações das mães. Eu fui lá fazer denúncia, dizer que os crimes não foram ainda solucionados. Ele acabou por me chamar, junto com o nosso defensor Antonio Maffezoli, para uma reunião em Mato Grosso do Sul, junto com a Comissão Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, que ele presidia. Nesse encontro foi deliberado uma Comissão Especial para vir a Santos. Essa Comissão Especial foi designada para fazer uma varredura, colher depoimentos das famílias e de outros organismos que trataram do assunto. Visitaram a Comissão de Justiça e Paz, o Secretário de Segurança Pública, o Procurador-Geral do Estado, o Comando Geral da Polícia Militar e as mães. Fizeram um relatório, entregaram para a ministra Dr. Maria do Rosário, para ajudar no pedido de federalização. Ela também ficou de marcar uma audiência pública, para acontecer aqui na Baixada, um pedido que as mães têm feito para poder coibir com a prática de extermínio, que continua.

APADEP: Já tem um prazo para a audiência pública acontecer?

Débora: A ministra disse que tem que, primeiramente, fazer uma audiência com o Governo de São Paulo. O pedido de audiência da ministra já faz mais de quinze dias que foi feito e o Governo do Estado não se manifesta. Ele não fala com ninguém e não quer tocar no assunto. Queremos essa audiência pública e um dos pedidos das mães é que o Governo do estado mostre onde foram enterrados os corpos dos jovens. No começo da matança, foi deliberado que o Instituto Médico Legal enterrasse em cova coletiva, o Governo autorizou assim, e a gente tem familiares com filhos desaparecidos. Estivemos em contato com Brasília e a gente exige que seja o mais breve possível, para coibir a prática de extermínio que está assolando a Baixada Santista. E eles ainda têm a certeza da impunidade dos crimes de maio, estão todos impunes.

APADEP: As mães têm provas que confirmam a participação da Polícia Militar no assassinato dos jovens?

Débora: Já foi constatado que o grupo de extermínio que matou em 2010, que matou 26 jovens, era o grupo “Ninja da PM”, dito pelo próprio secretário de Segurança e o Comando da Polícia, que nós visitamos. O Comando falou que alguns foram expulsos e outros estão detidos, mas na prática, a gente não tem confirmação disso, tendo em vista que o Dr. Antonio recebeu da Corregedoria a confirmação de que seria entregue um relatório sobre a atuação dos 17 PMs que atuaram nos crimes de 2010. Quando estivemos na repartição do comando junto com a Comissão Especial de Brasília, o Dr. Antônio Maffezoli voltou a pedir relatório sobre a intervenção que fizeram com esse grupo de extermínio que matou esses 26 jovens em 2010. E esse relatório ainda não chegou ao nosso conhecimento. Inclusive o Comando da Polícia militar não fala sobre os crimes de maio de 2006, somente os de abril de 2010. E a gente tem certeza que quem matou em 2010, matou também em 2006. Essa prática já vem desde 2006, porque foi da mesma forma, do mesmo modo operante.

APADEP: O que vocês recebem, ainda hoje, como justificativa por ter acontecido o arquivamento?

Débora: No relatório da Universidade de Harvard junto com a Justiça Global, nós descobrimos, por meio de uma Carta Magna, um relatório feito com o apoio da Defensoria e das mães, que os inquéritos foram arquivados porque o Ministério Público, pelo Fórum da Capital, carimbou cerca de três páginas, por volta de uns 60 carimbos, parabenizando o Comando da Polícia Militar pela eficiência. No finalzinho que ele faz a ratificação dizendo que se tiver abuso de algum policial será investigado, mas a gente sabe que, na verdade, eles estão parabenizando os policiais. Vamos tirar cópia e passar isso adiante. Nunca assumiram que por trás das mortes de nossos filhos está o Estado. Eles apresentaram esse relatório dia 2 de maio deste ano e foi uma bomba na visão da gente, porque a gente não entendia porque todos foram arquivados. O inquérito que mais chamou atenção foi da grávida [Ana Paula Gonzaga dos Santos] que foi arquivado em 2006, sendo que era para ser muito bem investigado. Depois todos foram também arquivados, as investigações foram precárias, não investigaram nada, não recolheram provas. Demos as pistas como recolher as investigações e éramos descriminadas, não tinham consideração pelo que a gente falava. Porque o Ministério Público não faz suas próprias investigações. Ele quer que as famílias façam as investigações e quando as famílias fazem eles sempre dizem que não é prova técnica. Então, a investigação que a família faz acaba caindo na boca dos policiais e as famílias acabam sendo ameaçadas, sofrendo repressão, como as mães. Duas delas foram autuadas em flagrante por tráfico de drogas, em flagrantes forjados. Então, a federalização desses crimes é uma resposta tanto para as famílias quanto para a sociedade e a gente tem certeza que vai ter êxito.

APADEP: Recentemente, dia 12 de maio, foi lançado o livro “Do Luto à Luta”, com a história das famílias e do movimento. Há também um documentário sendo feito, correto?

Débora: O livro é resultado de um projeto que ganhamos do Fundo de Participação dos Direitos Humanos, que agregava o vídeo e o livro, inclusive o vídeo mostra o nosso primeiro momento na Defensoria. O documentário já tem algumas partes editadas, algumas animações, já está bem encaminhado, mas por enquanto não tem verba para terminar.

antonio e debora

APADEP: Qual o motivo da participação do Movimento Mães de Maio na entrega do prêmio “Justiça para Todos”, promovido pela Ouvidoria da Defensoria de SP? O que a premiação do defensor público Antônio Maffezoli representa para as mães?

Débora: O Dr. Maffezoli é um dos defensores do movimento Mães de Maio, uma pessoa digna desse prêmio. Acho que escolheram a pessoa certa para fazer essa premiação, pois ele tem se engajado muito nos crimes de maio e na transferência de competência que as mães pediram. Viu que as mães tinham razão e que era necessário fazer isso para poder dar visibilidade à matança que a retaliação do Estado fez contra essa população empobrecida, no caso nós, da periferia. Viemos aqui para saudar o Dr. Maffezoli e dizer a todos que as Mães de Maio estarão junto com ele e com a Defensoria nessa luta. E que ele seja um símbolo na luta de defesa dos direitos humanos a todos os defensores.

APADEP: Como a senhora avalia a atuação da Defensoria Pública hoje no estado de SP?

Débora: Eu acho que a Defensoria só não caminha mais como deveria porque o governo do estado não respeita, senão dava uma ampla atuação para eles. Os quadros são muito poucos e a demanda é muito grande. E eles ficam emperrados, apesar de terem muita vontade de ajudar. Têm uns defensores muito engajados, mas não conseguem contemplar as pessoas que procuram eles, porque o estado não engorda o quadro, porque o pobre não tem direito à justiça. Ter, até tem, mas com muita dificuldade. Senão fossem essas pessoas maravilhosas a gente não teria conseguido essa transferência de competência. Nossos defensores estão de parabéns.

terça-feira, junho 07, 2011

quinta-feira, junho 02, 2011

Crimes de Maio (matéria do Programa de Redução da Violência Letal contra Jovens e Adolescentes)



01/06/2011, 17:33h | Direitos Humanos

Crimes de Maio

Há cinco anos, o país assistia, sem crer no que seus olhos viam, a uma onda de ataques orquestrados pela facção conhecida como Primeiro Comando da Capital (PCC). Os ataques, que duraram oito dias – entre 12 e 20 de maio de 2006 -, foram interpretados, entre outros aspectos, como uma resposta da facção à transferência de 765 detentos para a prisão de Presidente Venceslau (620 km de SP), às vésperas do dia das Mães. Foram oficialmente contabilizados e atribuídos ao PCC 280 ataques, 83 ônibus incendiados, 78 feridos e 46 mortos (entre policiais e agentes penitenciários).

De acordo com a pesquisa “Desaparecidos de maio de 2006: uma história sem fim, um desafio para o serviço social na perspectiva de direitos humanos”, o saldo é bem maior: 493 mortos por arma de fogo e quatro desaparecidos. A diferença está no fato de que a pesquisa, bem como outros relatórios não oficiais, contabilizam as mortes que resultaram do revide por parte das forças policiais.

O relatório “São Paulo sob Achaque: Corrupção, Crime Organizado e Violência Institucional em Maio de 2006” aponta três causas para as ações: corrupção policial contra membros do grupo, a falta de integração dos aparatos repressivos do Estado e a transferência que uniu 765 chefes do PCC. O trabalho foi produzido pela organização de defesa de direitos humanos Justiça Global e pela Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard.

Mães de Maio
“De todos os hinos entoados em louvor às revoluções nos campos de batalhas, nenhum, por mais belo que seja, tem a força das canções de ninar cantada no colo das mães”. O trecho do poeta Sérgio Vaz é parte do livro “Mães de Maio: do luto à luta”, lançado no último dia 12, em memória dos ataques em 2006. De acordo com o relato do livro, o movimento busca o “desarquivamento e a federalização, o devido julgamento e a punição dos responsáveis pelos crimes de maio de 2006 e de abril de 2010 – cujas investigações, todas, foram simplesmente arquivadas”.

Débora Maria, uma das Mães de Maio, explica que o livro tem um significado simbólico na luta do grupo, mas que também tenta ser um registro histórico dos fatos. O livro “é um grito coletivo para que toda a sociedade passe a conhecer a verdade sobre o que aconteceu durante os crimes de maio de 2006, e continua acontecendo pelos bairros e comunidades pobres de todo país.”, afirma.

As Mães de Maio se uniram em prol de um ideal comum: amenizar sua dor através da luta política para evitar que outras mães chorem a morte de seus filhos. Para Débora, “este processo de passar do silêncio e do luto dentro de casa, para a luta pela verdade e por justiça nas ruas é o quê minimiza um pouco a dor. Outra coisa que minimiza muito é o fato de a cada dia encontrarmos nessa caminhada tantas pessoas que seguem lutando por um mundo melhor”.

Resposta do Estado?
De acordo com o relatório da Justiça Global, foram identificados indícios da participação de policiais em 122 execuções no período de 12 a 20 de maio de 2006. O estudo demonstra ainda que “o estado regularmente hesitou e falhou nas investigações dos crimes em que seus agentes eram suspeitos, mas, por outro lado, geralmente esclareceu a autoria dos crimes em que seus agentes foram vítimas”.

Segundo Fernando Delgado, da Clínica de Direitos Humanos, instituição ligada à Universidade de Harvard e que ajudou a elaborar os estudos, a federalização pode ocorrer de duas formas: por meio de uma investigação da Polícia Federal ou por meio de um pedido do procurador-geral da República ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para transferência da investigação para a Justiça Federal. “Já se passaram cinco anos e o governo do estado não deu uma resposta adequada. Não há um relatório unificado que explique o que aconteceu, como aconteceu e quem fez. Então, está na hora de o governo federal fazer a sua parte porque o Brasil precisa dessa apuração e tem assumido obrigações internacionais que exigem isso”, disse Delgado, à Agência Brasil.

“Nada se avançou ainda na busca pela verdade, por justiça e por uma real reparação às mães, que seguem debilitadas, deprimidas, sem qualquer amparo material, físico ou psíquico. Por isso uma das nossas prioridades é a federalização dos crimes de maio, pois sabemos na carne que o sistema político, policial e o judiciário de São Paulo estão completamente fechados contra o avanço da justiça no que se refere aos crimes”, reitera Débora.

O “Relatório São Paulo sob Achaque” conclui que, mais do que demonstrar a força do PCC, os crimes de maio revelaram um estado que falhou ao permitir uma corrupção que fortaleceu uma facção criminosa; falhou ao gerir seu sistema prisional; e mais grave, falhou ao optar por um revide como resposta aos delitos. Diante disto, as Mães de Maio, a Justiça Global e Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard pedem além do deslocamento de competência dos crimes, a abertura de CPI no Congresso, para que haja ampla investigação.

“Nós não descansaremos enquanto não conquistarmos uma verdadeira justiça, que passa por uma mudança total de mentalidade e das práticas hoje predominantes, principalmente no Estado e seus agentes. A memória de nossos filhos e filhas, e nossa história não estão à venda! Não desistiremos jamais”, afirma Débora.

quarta-feira, junho 01, 2011

Sexta-Feira (03/06): Ato-Debate contra a Criminalização dos Movimentos Sociais, na UNIFESP da Baixada Santista



clique em cima do cartaz para visualizá-lo maior

Mães de Maio prestigiam Defensor Público parceiro na Luta das Mães


DEFENSORES PÚBLICOS DE SP RECEBEM NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA IV PRÊMIO “JUSTIÇA PARA TODOS”



Defensores Públicos de SP recebem na Assembleia Legislativa IV Prêmio “Justiça para Todos”

Dia 18 de maio, véspera do Dia Nacional da Defensoria Pública, aconteceu a cerimônia de premiação dos vencedores do IV Prêmio Justiça para Todos, promovido pela Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em parceria com a APADEP e a Frente Parlamentar de Apoio à Defensoria Pública na Assmbleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Foram prestigiados trabalhos vencedores nas categorias “Defensor Público” e “Órgão da Defensoria”. O primeiro prêmio, Menção Honrosa, foi entregue ao defensor público Rafael de Souza Miranda, da unidade de Mogi das Cruzes, por sua atuação na defesa de melhores serviços prestados aos detentos que são conduzidos ao Fórum, em Suzano, para responder processos. Em seu discurso, Rafael contou como soube do problema da falta de alimentação dos presos conduzidos ao fórum e da necessidade de entrar com uma ação civil pública para melhorias das condições humanas no local.

Em seguida, representando a Escola Superior da Defensoria Pública (EDEPE), recebeu o prêmio Gustavo Reis, diretor assistente da Instituição. Gustavo ressaltou o papel da Escola na aproximação entre Defensoria Pública, sociedade civil e movimentos populares e citou dentre inovações da instituição o curso para os recém aprovados na carreira, que proporciona aos novos defensores maior contato com a realidade popular.

Em continuidade, foi premiado o defensor público Antônio Maffezoli, pela sua atuação na defesa das famílias e vítimas dos crimes acontecidos em São Paulo, em maio de 2006, envolvendo organizações criminosas e o governo do estado. A estatueta do prêmio foi entregue pela representante das Mães de Maio, Débora Maria da Silva. Também em nome do movimento, o senhor Armando Santos prestou homenagem ao defensor Antônio Mafezzoli.

antonio

Na categoria “Órgão da Defensoria”, foi premiada a Assessoria de Convênios, representada por Gislaine Calixto, pela implementação de um novo sistema de fiscalização participativa nos convênios realizados pela Defensoria e pelo desenvolvimento da cartilha informativa sobre o funcionamento destes . Gislaine dedicou a homenagem, entre outros, à equipe da Assessoria de Convênios, atualmente composta por 17 colaboradores.

Em sua fala, o presidente da APADEP, Rafael Vernaschi, reforçou a importância da premiação em seu papel de fortalecimento dos trabalhos da Defensoria Pública e de transformação da sociedade, bem como o poder de estimular a criação e o crescimento de novas ações. “É com muita alegria que a APADEP e a ANADEP parabeniza todos os vencedores do Prêmio que conseguiram levar adiante projetos de tamanha relevância para a Defensoria e para toda a sociedade”. Vernaschi também comemorou a aprovação da criação da Defensoria do estado do Paraná e, referindo-se ao estado de São Paulo, falou da continuidade da luta para que a Defensoria expanda seu campo de atuação para além dos cerca de 10% do estado. Por fim, agradeceu o representante do governador de São Paulo pelo recente envio do ante-projeto de lei que prevê a valorização remuneratória dos defensores públicos.

geral

A ouvidora-geral da Defensoria Pública, Luciana Zaffalon, agradeceu e parabenizou os vencedores, citando a importância de cada um dos premiados: “Neste ano, além do imensurável impacto social, as ações premiadas carregam também importância política que merecem destaque. A garantia de alimentação é um alento no cenário de encarceramento do estado (...) a atuação de uma escola, pautada pelo pluralismo e humanismo como valores primeiros a serem seguidos é paradigma que vem surgir na Edepe (...) a extensão aos convênios do monitoramento participativo e do controle interno de suas atividades engrandece nosso sistema de justiça, além do reconhecimento da atuação de Antônio Maffezoli, ao lado das Mães de Maio, que nos faz sonhar mais e melhor”, disse a Ouvidora-Geral. Em seguida, Luciana também foi bastante aplaudida ao anunciar a novidade para a próxima edição do Prêmio Justiça para Todos: serão reconhecidas ações promovidas pelos servidores da Defensoria Pública.

Compuseram a mesa de entrega do prêmio o presidente da APADEP (Associação Paulista de Defensores Públicos), Rafael Vernaschi; o secretário-adjunto da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo, Luís Daniel Pereira Cintra, representando Geraldo Alckmin; a defensora-geral do estado de São Paulo, Daniela Sollberger Cembranelli; o deputado estadual e presidente da Frente Parlamentar de apoio à Defensoria Pública da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez; a ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Luciana Zaffalon; a corregedora-geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Márcia Regina Garutti e a conselheira suplente da ouvidoria da Defensoria Pública, Juliana Nolasco Ferreira.

Clique aqui para ver todas as fotos da entrega do IV Prêmio Justiça para Todos

segunda-feira, maio 30, 2011

“Mães de Maio” concorre a prêmio estadual (Rádio da Juventude)


http://radiodajuventude.wordpress.com/2011/05/28/%E2%80%9Cmaes-de-maio%E2%80%9D-concorre-a-premio-estadual/


O movimento “Mães de Maio” surgiu há cinco anos, depois de uma série de mortes de jovens das periferias da Baixada Santista, cometidos por grupos de extermínio. O movimento é composto por mães e demais parentes dessas vítimas, e busca a punição dos criminosos, muitos deles compostos supostamente por membros de facções criminosas e policiais militares.

Hoje, o movimento luta pela federalização das investigações sobre os crimes, até hoje não-solucionados. As mães têm realizado diversos atos em favor da luta, e recentemente foi lançado o livro “Do Luto à Luta – Mães de Maio”, com relatos e poemas referentes aos casos.

O aposentado e poeta Armando Santos, um dos apoiadores da causa, conta que está sendo feita uma mobilização para que o movimento conquiste o prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, concedido pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Segundo Armando, estão sendo coletadas assinaturas de apoio ao movimento, para serem levados à Assembleia, e assim seja reconhecida a importância do “Mães de Maio” para a luta contra o que é considerado um “extermínio” de jovens moradores de periferia. Em abril do ano passado, novas mortes com características de execuções sumárias na Baixada Santista chamou a atenção para o tema.

Segundo Armando, o prêmio também é uma forma de garantir a segurança dos integrantes do movimento, que luta contra as arbitrariedades praticadas pela polícia e pelo Estado. “Além disso, esse movimento é para evitar que surjam outras mães de maio. Queremos impedir que novos jovens com todo um futuro pela frente sejam assassinados por aqueles que deveriam nos proteger”, considera.

quarta-feira, maio 18, 2011

HOJE: Entrega do IV Prêmio Justiça Para Todos para Nosso Defensor Público Antônio Maffezoli


Olá Compas:

É com grande alegria que convidamos a tod@s para prestigiarem hoje à noite a entrega do IV Prêmio Justiça Para Tod@s, que terá entre os premiados
o nosso Defensor Público Antônio Maffezoli, da Unidade de São Vicente, por sua atuação nos casos dos Crimes de Maio de 2006, com relacionamento direto com as mães das vítimas e proposta paradigmática de Deslocamento de Competência (IDC) ao Procurador Geral da República.

A atividade ocorrerá Hoje (18 de Maio), às 19hs, no Auditório Paulo Kobayashi da Assembléia Legislativa.

Nós Mães de Maio estaremos presentes para prestigiar a premiação de nosso Defensor! Parabéns Dr. Maffezoli! E muito obrigada por todo seu apoio!

Forte abraço a tod@s!

FIRMES NA LUTA,
MÃES DE MAIO


Fwd: IV Edição do Prêmio Justiça para Todos

Prezad@s,
É com imensa satisfação que anunciamos os vencedores do Prêmio Justiça para Todos - IV Edição, ano 2011, como o Conselho Consultivo da Ouvidoria-Geral acaba de encaminhar para publicação no Diário Oficial do Estado.
São eles:
- Na Categoria Defensor Público, Antônio Maffezoli, da Unidade de São Vicente, por sua atuação nos casos dos crimes de maio de 2006, com relacionamento direto com as mães das vítimas e proposta paradigmática de Deslocamento de Competência (IDC) ao Procurador Geral da República
- Na Categoria Órgão da Defensoria, a Assessoria de Convênios, pelo projeto de extensão aos convênios do monitoramento participativo e controle externo das atividades vinculadas ao amplo acesso à justiça, incluindo-se o desenvolvimento de cartilha informativa sobre o tema
Além disso, receberão Menção Honrosa:
- Rafael de Souza Miranda, da Unidade de Mogi das Cruzes, que promoveu uma Ação Civil Pública contra o Estado de São Paulo para o fornecimento de alimentação aos presos que são conduzidos ao fórum para a realização de audiência
- a Escola Superior da Defensoria Pública do Estado de São Paulo - Edepe, pela formação diferenciada, prática e inovadora do Defensores Públicos, o que retoma os valores promovidos pelo Movimento pela Criação da Defensoria Pública.
Reiteramos o convite para o ato solene de entrega do Prêmio, que será realizado no dia 18 de maio, às 19h00 na Assembléia Legislativa de São Paulo (convite abaixo).
Contamos com a participação de todos e todas.
Equipe da Ouvidoria.

sábado, maio 14, 2011

DOMINGO (15/05): Sarau da Ademar homenageia as Mães de Maio


(Clique sobre o cartaz para ampliá-lo)


SARAU DA ADEMAR


DOMINGO DIA 15/03/2011


A PARTIR DAS 17HS
LOCAL: BAR DO RUI - RUA FELICIO CINTRA DO PRADO, 131 - CIDADE ADEMAR - ALTURA DO Nº 3870 DA AV. CUPECÊ


Lançamento do livro "Do Luto à Luta - Mães de Maio - Exposição do artista plástico e grafiteiro GANU. Imperdível!

sexta-feira, maio 13, 2011

Fim de mais um Dia de Luta...



Bela Foto na frente da Catedral da Sé, depois de um dia inteiro de muita Luta. Uma foto gentilmente cedida ao movimento pelo fotógrafo-parceiro Daniel Ruiz: Muitíssimo Obrigada, Camarada!

segunda-feira, maio 09, 2011

Outro Tributo às Mães Guerreiras, de Nosso Compa Latuff



"Ilustração - Tributo as Mães de Maio e as mulheres de coragem do Brasil e de todo mundo" Carlos Latuff, Maio/2011

sexta-feira, maio 06, 2011

QUINTA (12/05) - 5 ANOS DOS CRIMES DE MAIO


Clique em cima do cartaz para vê-lo ampliado...




SEXTA (13/05) - 13 DE MAIO DE LUTA

Clique em cima do cartaz para vê-lo ampliado...


Clique em cima do panfleto para lê-lo na íntegra...




quarta-feira, maio 04, 2011

*** MÊS DE MAIO, MÃES EM LUTA ***




Car@s Compas:



No dia 12 de Maio de 2006, há exatos 5 Anos, a vida de muitas de nós começava a mudar radicalmente: tivemos nossos filhos tirados do nosso convívio familiar violentamente por agentes do Estado Brasileiro e por Grupos de Extermínio ligados a ele. O nosso movimento, de Mães, Familiares e Amig@s de vítimas do Estado, surgiria infelizmente a partir deste trágico episódio.



Ao completar cinco anos, é óbvio que não poderíamos deixar de lembrar nossos tão queridos filhos e filhas. Eles estão e seguirão Presentes conosco! Ontem, Hoje e Sempre!



Por ocasião do Aniversário dos 5 Anos dos Crimes de Maio, e da união com tantas outras lutas e movimentos contra o mesmo Genocídio, nós estamos vindo aqui convidar vocês para uma série de importantes atividades. Uma semana inteira repleta de Homenagens, Protestos, Lançamento de Livros, Lançamento de Vídeo e Poesias.





CONFIRAM A PROGRAMAÇÃO COMPLETA ABAIXO:





DIA 08/05, DOMINGO (DIA DAS MÃES) - EM SANTOS-SP - MISSA ESPECIAL DE DIA DAS MÃES EM HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DOS CRIMES DE MAIO DE 2006




HORA: 07:30hs

LOCAL: IGREJA MARGARIDA MARIA (Praça Júlio Dantas, 45 - Jardim Santa Maria- Santos-SP)





DIA 09/05, SEGUNDA-FEIRA - EM SÃO PAULO-SP - LANÇAMENTO DO RELATÓRIO "SÃO PAULO SOB ACHAQUE"



HORA: 11:00hs

LOCAL: AÇÃO EDUCATIVA (Rua General Jardim, 660 - Vila Buarque)



A Justiça Global e a Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard convidam para o lançamento do relatório “São Paulo sob Achaque: Corrupção, Crime Organizado e Violência Institucional em Maio de 2006”, no dia 9 de maio de 2011, segunda-feira, às 11 horas, na sede da Ação Educativa, na Rua General Jardim, 660, Vila Buarque, São Paulo, SP.Para mais informações: (21) 2544-2320 e (21) 8272-1916.






DIA 12/05, QUINTA-FEIRA - EM SÃO PAULO-SP - ATIVIDADES DOS "5 ANOS DOS CRIMES DE MAIO", NO SINDICATO DOS JORNALISTAS DE SÃO PAULO



HORA: A partir das 14hs

LOCAL: SINDICATO DOS JORNALISTAS DE SP (Rua Rego Freitas, 530 - Sobreloja - Vila Buarque - Telefone: 3217-6299)



14:30hs - LANÇAMENTO DO LIVRO "DO LUTO À LUTA - MÃES DE MAIO" E COLETIVA DE IMPRENSA SOBRE OS "5 ANOS DOS CRIMES DE MAIO: 5 ANOS DE IMPUNIDADE", COM A PRESENÇA DAS MÃES DE SP E DE SANTOS, REDE CONTRA VIOLÊNCIA (RJ), E DE UMA ABUELA DA PLAZA DE MAYO, ALÉM DE PE. VALDIR DA PASTORAL CARCERÁRIA E JUNINHO DO COMITÊ CONTRA O GENOCÍDIO NEGRO, ENTRE VÁRIAS OUTRAS GUERREIRAS E GUERREIROS

16:00hs - EXIBIÇÃO DE VÍDEO ESPECIAL

17:00hs - SAÍDA DA MARCHA DO SINDICATO DOS JORNALISTAS ATÉ A PRAÇA DA SÉ (com Fotos, Cruzes e Bexigas em Homenagem às Vítimas de Maio de 2006)



18:00hs - ATO ECUMÊNICO E SIMBÓLICO NA ESCADARIA DA PÇA DA SÉ, EM HOMENAGEM A TOD@S MORT@S E DESAPARECID@S DOS CRIMES DE MAIO DE 2006






DIA 13/05, SEXTA-FEIRA - 13 DE MAIO DE LUTA - ATIVIDADES DA CAMPANHA CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO



HORA: A partir das 12hs

LOCAL: NA PRAÇA RAMOS, EM FRENTE AO TEATRO MUNICIPAL



ATO DO "13 DE MAIO DE LUTA" EM SÃO PAULO-SP, NA PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO, EM FRENTE AO TEATRO MUNICIPAL



18:00hs - ATO POLÍTICO



19:00hs - SAÍDA DE CORTEJO CULTURAL PELAS RUAS DO CENTRO





DIA 15/05, DOMINGO, SARAU DA ADEMAR EM HOMENAGEM ÀS MÃES DE MAIO



HORA: A partir das 17hs

LOCAL: Rua Felício Cintra do Prado, 131 - Cidade Ademar - altura do nº 3870

quinta-feira, abril 21, 2011

quarta-feira, abril 20, 2011

Onda de Violência preocupa região (TV Record de Santos e região)

Salve!

Conforme nós tínhamos alertado, a situação na Baixada Santista segue calamitosa. E não tem sido por falta de denúncia e de aviso das Mães de Maio e de diversos movimentos sociais que o cenário de barbárie permanece, sem qualquer perspectiva de melhora...

É preciso que algum instância (Federal?!) tenha a autoridade e a coragem para desbaratinar o que os agentes do Estado de São Paulo e os grupos de extermínio têm feito na região.

Assistam a matéria de ontem na TV Record: http://www.recordsantos.com.br/videos-play.asp?video=0419_ESP_ENTERRO_ATENTADO.FLV&programa=SP%20RECORD&data=19/04/2011&titulo=Onda%20de%20viol%C3%AAncia%20preocupa%20a%20regi%C3%A3o.

Seguimos firmes e atentas!

MÃES DE MAIO

segunda-feira, abril 18, 2011

1 ANO DOS "CRIMES DE ABRIL": PASSEATA E MISSA


Rafael Sousa, assassinado pela polícia no final de Março de 2010 na Baixada Santista

Marcos Paulo e Xymiro, assassinados pela polícia em Abril de 2010 na Baixada Santista


Salve Companheir@s!

Convidamos a tod@s para participarem das atividades que realizaremos em razão do Aniversário de 1 ano dos terríveis Crimes de Abril de 2010.

NESTA QUINTA-FEIRA (21/04), A PARTIR DAS 15HS, realizaremos uma PASSEATA EM HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DOS CRIMES DE ABRIL DE 2010. A concentração da marcha será às 15hs em frente ao Bar Marrocos, no Gonzaguinha (São Vicente-SP).

E ÀS 18:00HS OCORRERÁ A MISSA DE UM ANO DA MORTE DE RAFAEL, MARCOS PAULO E XYMIRO, NA IGREJA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS (São Vicente-SP).

Contamos com a presença de tod@s lá!

Familiares das Vítimas dos Crimes de Abril de 2010

MÃES DE MAIO, MÃES DE SEMPRE!

quarta-feira, abril 06, 2011

MÃES DE MAIO NA BAGDÁ SANTISTA!



Desenho feito pelo nosso parceiro Latuff, especialmente para as Mães de Maio


Salve a tod@s parceir@s!
ATENÇÃO: Queríamos registrar o seguinte.

Ontem enviamos um Aviso Geral a tod@s "autoridades" ditas competentes sobre a situação que enfrentamos, nesse momento, na periferia da Baixada Santista. Apesar da urgÊncia da questão, nenhuma resposta até o momento. Mas que fique registrado nos autos da História e para toda a Sociedade o nosso recado:



Durante o mês de Maio de 2006, no estado de São Paulo, policiais e grupos paramilitares de extermínio ligados à PM promoveram um dos mais vergonhosos escândalos da história brasileira. Com destaque especial à Capital, a Guarulhos e às cidades da Baixada Santista (que proporcionalmente foram os locais com mais executados). Em uma cínica e mentirosa “onda de resposta” ao que se chamou na grande imprensa de "ataques do PCC", foram assassinadas no mínimo 493 pessoas - que hoje constam entre mortas e desaparecidas. A imensa maioria delas - mais de 400 jovens pobres e negros – executados sumariamente. Sem dúvida, o episódio que ficou conhecido como Crimes de Maio foi o maior Massacre da história brasileira recente!



Ao longo dos anos de 2008 e 2009, a Baixada Santista foi a região do estado de São Paulo onde os homicídios mais cresceram, verdadeiras estatísticas de guerra!



Durante o mês de Abril de 2010 a Polícia Militar e grupos paramilitares de extermínio ligados a ela voltaram a atuar na Baixada Santista, no mesmo estado de São Paulo, executando sumariamente 27 pessoas num curto espaço de 10 dias. Informações apuradas pela própria Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo atestaram que estes policiais e grupos de extermínio seriam ligados à máfia chamada OS NINJAS (vejam em anexo abaixo como eles agem), grupo de extermínio de policiais encapuzados auto-denominados “justiceiros” que têm atuado desde Maio de 2006 impunemente. Nas favelas e bairros periféricos da Baixada, àquela altura, corria abertamente o boato de que a lista completa daqueles Crimes de Abril seria de 51 pessoas. Uma lista que, felizmente, parou na metade graças aos gritos e às denúncias das Mães e Familiares que alertaram para o novo massacre em curso. As devidas investigações e punições, porém, mais uma vez não avançaram...



Agora, ao entrarmo no mês de Abril de 2011, um novo massacre vem sendo anunciado - e acaba de começar a ocorrer - na Baixada Santista. As Mães de Maio, familiares e amigos, já vínhamos alertando sobre o crescente clima de tensão sentido em nossos cotidiano nos últimos dias. Fizemos isto em uma reunião registrada em vídeo no Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo na semana passada, e esta denúncia foi reverberada pela companheira-presidente do GTNM-SP, Rose Nogueira, ontem (04/04), na entrega de seu título de Cidadã Paulistana na Câmara Municipal de SP.



Nesta mesma madrugada: dito e feito! Aquilo que prevíamos e denunciávamos está voltando a acontecer. Uma primeira chacina nesta madrugada matou, ao menos, 5 pessoas (entre adolescentes e senhores) no município de Praia Grande - conforme notícia abaixo. Há no entanto informações desencontradas de que seriam 10 o número de mort@s desta noite, tendo alguns corpos sido ocultados. Isso tudo está acontecendo aqui-agora, na calada da noite, nos becos e vielas e palafitas aonde a Verdade da democracia come solta! Nós estamos apenas reportando aos Srs. e Sras. aquilo que vivemos cotidianamente.



Nós, Mães de Maio, insistimos que não estamos de brincadeira! E não vamos deixar também que se continue brincando com as vidas de nossas crianças, nossos adolescentes e jovens de nossas famílias moradoras de bairros periféricos e favelas! Esta foi mais uma noite que não conseguimos dormir, nenhuma de nós, por conta da tensão e da premonição de novas desgraças - tão anunciadas previamente por nós a todas as ditas autoridades competentes. E dito e feito! Dito, e NADA feito!



Rumo ao 5º aniversário dos Crimes de Maio de 2006, é preciso urgentemente dar muitos passos, concretos: superar novas barreiras simbólicas, políticas e jurídicas. Uma sociedade realmente democrática não se constrói sem encarar todo o seu Passado, sem assimilar toda sua Verdade Histórica. Sabemos que no Brasil há uma blindagem pesada feita pelas elites civis e militares para isto não acontecer. Entretanto, diante de todo este poder opressivo imposto pelo dinheiro, pelas mídias e pelas armas, nós não nos intimidamos! Os Senhores e Senhoras se intimidam?! Há Vontade Política para Encarar estas Verdades Recentes?!



A luta pelo Desarquivamento e pela Federalização das investigações dos Crimes de Maio insere-se nesta tradição de resistência d@s oprimid@s que lutaram e lutam pela Memória, pela Verdade e por Justiça, em relação a todos massacres históricos. Ou não?! Ou os milhares de mort@s dos dias de hoje têm menos valor que as centenas de mort@s vítimas do terror da ditadura - a quem sempre temos sido solidárias?! Que democracia é esta na qual uns valem muito mais do que outr@s?!



Sem uma apuração ampla, geral e irrestrita do Crimes de Maio de 2006 e dos Crimes de Abril de 2010 (grande parte deles provocada pelos mesmos grupos de extermínio), as tragédias de Abril de 2011, 2012, 2013, 2014... serão cada vez maiores! Estamos voltando a avisar com amplo testemunho de todos os Senhores e as Senhoras, em cópia aberta.



O tempo urge: e estamos cansadas de bravatas e falações! Elas apenas custam mais vidas! Queremos atitudes concretas, urgentemente! E que fique escuro: não adianta pedir o envio de mais dezenas e dezenas de viaturas para descerem a Serra, para a Baixada Santista, pois sabemos que isso só piora o Terror vivido por nós! Os Grupos de Extermínio são ligados à Polícia, isto está mais que provado. Só falta a Justiça se mexer.



Quantas vidas mais será necessário nós perdermos para que se ampliem investigações corretas, façam-se inquéritos decentes e apliquem-se as devidas punições aos responsáveis? Quantos anos mais teremos que esperar para ver um inquérito sequer sendo corretamente apurado, trazendo à tona a Verdade e punindo Justamente os Responsáveis? Dos cerca de 500 assassinatos de 12 a 20 de Maio de 2006 não temos um policial sequer devidamente julgado e punido até hoje, em plena "democracia"!



Exigimos, por favor, encaminhamentos concretos dos Senhores e das Senhoras, conforme as respectivas atribuições profissionais, políticas e humanas que a cada um compete. Que estes encaminhamentos sejam compartilhados abertamente aqui para esta mesma lista, para que tod@s tenham ciência do procedimento de cada um diante destes Crimes contra a Humanidade.



Bem-vind@s à Bagdá Santista!



Inconformadamente,



Mães de Maio da Baixada Santista



PS: escrevemos esta mensagem enquanto helicópteros da Polícia, neste exato momento, sobrevoam nossas casas, aqui, na periferia da Baixada Santista. É assim que é!






SÉRIE ESPECIAL SOBRE OS 4 ANOS DOS CRIMES DE MAIO (incluindo entrevista com membros dos Grupos de Extermínio):












terça-feira, abril 05, 2011

Mães alertam para novas ações de Grupos de Extermínio na Baixada


Há exato 1 ano os Grupos de Extermínio ligados ao Estado mataram, ao menos, 26 pessoas na Baixada Santista - no episódio que ficou conhecido como "Crimes de Abril de 2010".

Agora estamos alertando que há muitos indícios de que estes mesmos Grupos estão voltando a agir.

As Mães de Maio têm alertado e ficado em cima exigindo investigações e a devida punições dos responsáveis. O Estado se faz de rogado, e está brincando com as vidas do povo da Periferia.

Quantas mortes mais serão necessárias?! Até quando?!

Mães de Maio


Terça-feira, 5 de abril de 2011 - 09h30

Noite violenta

Bandidos conseguem matar três e ferir outros três em Praia Grande

De A Tribuna On-line



Praia Grande, mais uma vez, registrou uma noite violenta. Em um intervalo de aproximadamente 45 minutos, cinco pessoas foram baleadas por homens não identificados. Três delas não resistiram aos ferimentos e, mesmo socorridas, morreram. Uma das vítimas fatais era um adolescente, de 16 anos. O amigo, de 15 anos, também está entre alvos dos disparos.

Houve ainda uma tentativa de homicídio a facadas, ocorrida cerca de uma hora antes dos atentados a tiros entre o final da noite de segunda e a madruga desta terça-feira. As investigações estão a cargo dos policiais civis da Delegacia Sede da Cidade. Ainda não existem informações sobre suspeitos e as motivações dos crimes que, segundo o apurado, podem não estar relacionados.

Reprodução/TV TribunaÀs 23h40, na Vila Mirim

Cristiano da Luz Coelho, de 22 anos, foi morto ao ser atingido por dois tiros na Rua Casemiro Doncev. Um dos projéteis ficou alojado na cabeça dele. A vítima entrou na emergência do Pronto Socorro do Quietude já morto. No local do crime foram encontradas quatro cápsulas calibre 9 milímetros.



Reprodução/TV TribunaÀ 00h04, no mesmo local


Ronaldo Adriano Lima de Moraes, de 36 anos, foi morto, e Carlos Leandro da Silva Barbosa, de 18, ficou ferido em uma ponte sobre um canal na Avenida Arnaldo Perticarati. Testemunhas disseram à polícia que uma dupla armada em uma moto vermelha passou pelo local e efetuou os disparos. O perito encontrou três cápsulas 9 milímetros.


Reprodução/TV TribunaÀ 00h25, no Canto do Forte

A última ocorrência da noite envolveu dois adolescentes. O jovem Gabriel, de 16 anos, foi executado com cinco tiros, e o amigo dele, Jonatas, de 15 anos, ficou baleado. Ambos estavam na calçada da Rua Marcílio Dias e foram surpreendidos pelos disparos. O primeiro chegou a ser socorrido no Pronto Socorro Central, mas morreu instantes depois.

Tentativa de execução a facadas

Antes dos crimes, às 22h30, Ismael Inácio dos Santos, de 42 anos, quase foi executado ao ser esfaqueado por um homem não identificado no Bairro Caiçara. Depois de se envolver em uma briga, ele foi perfurado apenas uma vez na região do tórax.

Ismael está internado em estado grave no Pronto Socorro Central da Cidade. Os jovens Carlos e Jonatas, ambos alvos dos disparos, também permanecem em atendimento nos hospitais da região sem risco de morrer.

Concentração máxima no Fórum da Barra Funda


Salve Gegê, Compa Guerreiro!

As Mães de Maio estão atentas e juntas até o fim, passo a passo, até a sentença de Liberdade (que já demorou para ser pronunciada) em seu Julgamento Jurídico. Estamos absolutamente certas, e na real exigimos!, que termine logo mais esta farsa do sistema, este pesadelo que tanto sofrimento injustificável já causou pra Você e para todos os seus. Para tod@s nós. Afinal sabemos que no verdadeiro Julgamento da História, ao contrário da miserável sociedade capitalista que vivemos, a Verdade e a Justiça prevalecem. Só que aqui-agora, no cotidiano, estas dão mais trabalho pra serem Conquistadas...

Toda sua História de Luta, Guerreiro, diz por si só sobre o tamanho da Injustiça que querem cometer contra você. Mais uma. Mais um absurdo. E desta vez pegando bem pesado em toda armação. Sabemos que as Elites e o Estado mostram todas as suas garras frente a um Negro Paraibano que Ousou Levantar-se contra a Opressão e a absurda existência de milhões de Sem-Teto pelo país. Pobre consciente e organizado é um Perigo! Por isso sabemos que a ofensiva contra você é Política, como Política tem sido toda a Ofensiva Genocida contra o restante da população Pobre, Nordestina e Negra de todo o país. A mesma ofensiva que vitimou noss@s filh@s.

Mas Unid@s somos mais Fortes, Guerreiro: Unid@s somos Mais!

Tâmo junto até o Fim, Compa Gegê! E não nos calaremos frente a qualquer outra decisão jurídica que não seja a garantia ampla, geral e irrestrita do Fim deste seu Sofrimento!

Respire fundo, erga ainda mais a Cabeça, que a partir da sua Absolvição, em breve, muitas outras Lutas Coletivas vamos seguir trilhando Junt@s!

Até esta Vitória! Logo mais!

Mães de Maio



Concentração máxima no Fórum da Barra Funda

Movimentos sociais, sindical, estudantil e parlamentares ocupam na tarde desta segunda-feira (4/4) o Plenário 4 do Fórum Criminal da Barra Funda para acompanhar o juri e prestar solidariedade a Gegê. A sala com cerca de 50 lugares está lotada. Do lado de fora do Fórum defensores de Direitos Humanos mantêm vigília.

Os deputados federais Ivan Valente, Paulo Teixeira, Janete Pietá, a vereadora Juliana Cardoso, Jamil Murad e o ex-vereador Beto Custódio estão no Plenário. Estão presentes também representantes da Central de Movimentos Populares de Minas Gerais, Brasília e Ceará.

O juri começou com atraso. Estava previsto para às 13h, mas a sessão foi aberta por volta das 14h30. Neste momento o senador Eduardo Suplicy faz a defesa de Gegê, é a primeira testemunha a falar. Logo após as testemunhas de acusação terão a palavra e em seguida novamente as de defesa serão escutadas.



DOMINGO, 3 DE ABRIL DE 2011

Depois de oito anos impedido de viver com dignidade, Gegê já se diz condenado
Matéria publicada por Rede Brasil Atual (2/04)

A poucos dias de ir a júri popular, por um crime que, garante, não cometeu, Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, teme que sua liderança popular seja mais uma vez criminalizada. "Depois de me ver envolvido (num crime) sem sentido nenhum, porque eu não estava no local quando houve a desavença, eu não devo, mas temo", indica. "Querem calar a voz de quem não tem cidadania garantida", prossegue.

Gegê é uma das lideranças do Movimento de Moradia no Centro (MMC) e da Central de Movimentos Populares. Nesta segunda-feira (4), ele vai a júri popular, sob a acusação de, em 2002, dar carona ao assassino de um homem que morava no acampamento sob coordenação do MMC, próximo à avenida do Estado, na capital paulista.

O primeiro julgamento do caso estava marcado para setembro de 2010, mas foi adiado a pedido do representante do Ministério Público, responsável pela acusação. O promotor alegou que não conhecia todas as provas apresentadas pela defesa.

Em entrevista à Rede Brasil atual, Gegê disse que já se sente condenado há oito anos por um crime que não cometeu. "Para mim, já estou condenado depois de oito anos sem poder viver dignamente", diz.

"Eu jamais, jamais me permitiria tirar uma vida, ou dar carona no meu carro, a alguém que fizesse isso", afirma. "Na minha vida, a vida tem valor e não tem preço. Até um assassino deve pagar mas com a vida, vivendo longamente para pagar o que fez", sentencia.

Gegê conta os dias com esperança de virar a página dessa parte de sua vida, de prisões, acusações e injustiças, declara. "Tenho esperança ao avaliar que os jurados possam perceber que as acusações são na verdade contra a classe trabalhadora", apontou em entrevista à Rádio Brasil Atual. "Sou um cidadão indo a júri sem saber o porquê", lamenta. "Estou ansioso, sem dormir, nunca vi um júri", descreve.

Segundo a defesa, o autor do assassinato é conhecido e identificado, mas nunca foi preso nem processado. O nome não é mencionado, mas a situação reforça o argumento de que se trata de perseguição. "São muitos anos e até hoje isso não foi tirado a limpo", lembra.
Gegê é irmão do cantor e compositor Chico César e tem uma longa trajetória de militância social e sindical, como um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do PT e dos movimentos de moradia, acredita que, em parte, a acusação surgiu por sua ação contra o uso de drogas nos acampamentos do movimento. "Não admitimos drogueiro e drogados, nem violência contra mulheres e crianças."

Um grupo pequeno, segundo ele, que não fazia parte inicialmente do acampamento, mas que "foram chegando" ao saber da concessão do terreno pelo governo do estado, discordava da filosofia do acampamento. Eles teriam aproveitado o crime para desacreditar a liderança do movimento.

José Roberto, o homem assassinado, tinha histórico de alcoolismo e teria provocado um visitante que visitava o sogro no acampamento do movimento de moradia. Uma semana depois, o visitante retornou e matou José. "Dizíamos: bebeu não entra, mas ele pulava o muro e entrava", conta Gegê. "Ele dava muito trabalho para a coordenação local do movimento devido à embriaguez e acabou mexendo com o homem que o matou."

Embora o crime tenha acontecido em 2002 e no momento o líder sem teto não estivesse no local do crime, em 2004 ele foi preso, acusado de coautoria do crime, por uma suposta carona ao assassino de José.

QUESTÃO DOLORIDA

O acampamento onde houve o crime foi formado também em 2002, depois da desocupação de forma negociada com o governo estadual de São Paulo, do prédio do Banco Nacional, já falido, lembra Gegê.

O então governador, Mário Covas, concedeu um terreno próximo à avenida do Estado para o assentamento de 100 famílias. "Na área só havia sujeira e um esqueleto (de prédio). Nós limpamos em três dias e construímos alojamentos provisórios para o pessoal da desocupação", narra Gegê.

Em pouco tempo, outras famílias chegaram até que foi preciso limitar a construção de barracos. "Um grupo queria mais barracos, mas a luta é para o resgate da cidadania e da dignidade", relembra o militante. Pessoas externas ao movimento e que passaram a morar no acampamento discordavam das regras rígidas quanto a drogas e bebidas, mas, segundo Gegê, sempre houve uma convivência de respeito. "Quanto mais se enfavela, menos cidadania e dignidade as pessoas têm", ensina. Universitários também passaram a estudar o terreno e formas de viabilizar moradias nas áreas.

No dia do crime, Gegê chegou horas depois do assassinato e encontrou o irmão da vítima na entrada dizendo que ele não poderia entrar, porque se não morreria também. Policiais também já chegavam ao local, passaram pelo militante e em seguida retiraram o corpo. Naquele 8 de agosto de 2002, o líder do movimento dos sem teto do centro estava em uma ocupação na rua do Ouvidor, 63.

Depois da retirada do corpo, Gegê entrou no acampamento para ajudar uma mulher que passava mal e precisou ser levada ao hospital. O fato foi descrito no processo como se ele tivesse dado fuga ao agressor.

Em 5 de abril de 2004, Gegê foi a uma delegacia como testemunha da prisão de um bêbado, quando soube pela delegada que era procurado e detido no mesmo instante. Ele ficou preso por 51 dias. "Essa é uma questão dolorida. Nunca imaginei ir ao banco dos réus por um crime que jamais me permitiria cometer", diz emocionado.

Desde sua prisão e do surgimento da acusação, militantes dos movimentos sociais criaram o comitê Lutar não é Crime com uma campanha nacional pelo fim da criminalização dos movimentos sociais e populares.

O julgamento do ativista ocorre na segunda-feira (4), a partir das 13 horas, no Fórum Criminal da Barra Funda, e deve estender-se até a terça-feira.

sexta-feira, abril 01, 2011

6 Anos da Chacina da Baixada: o "31 de Março" e a periferia não podem ser esquecidas!


Na noite do dia 31 de março de 2005, quando se completavam 41 anos do golpe militar de 1964, policiais militares iniciaram uma série de assassinatos em Nova Iguaçu e só terminaram a ação em Queimados. No total, 29 pessoas morreram e somente uma conseguiu sobreviver. Foi a maior matança realizada por agentes do Estado até hoje no Rio de Janeiro de uma só vez, teve intensa repercussão nacional e internacional, e ficou conhecida como a Chacina da Baixada.

A mobilização da sociedade a partir desse massacre, principalmente dos familiares das vítimas e organizações defensoras dos direitos humanos, obrigou o Estado a fazer o que geralmente não acontece quando se trata de crimes cometidos por grupos de extermínio: investigar e chegar a alguns dos culpados. Dos 11 policiais diretamente envolvidos, apenas 5 foram julgados, 4 foram condenados e 1 foi absolvido, e mais um, beneficiado pela chamada ?delação premiada?, foi assassinado na prisão por seus ex-comparsas.

Os outros não foram julgados, e nenhum mandante ou chefe do grupo de extermínio do qual os condenados faziam parte foram investigados, embora tenha sido formada, logo após a chacina, uma suposta comissão de nível federal que deveria investigar a fundo os grupos de extermínio atuantes na Baixada Fluminense.

Em conseqüência, embora tenha sido uma vitória da mobilização popular os julgamentos e condenações, o quadro de violência, matanças e impunidade nessa periferia do Grande Rio não se alterou significativamente nestes seis anos. De certa forma se agravou, pois enquanto a propaganda e as ilusões em relação às Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) alimentam a idéia de que há uma nova realidade de segurança pública no Rio, a extrema violência que prossegue em regiões periféricas como a Baixada, a Zona Oeste do município do Rio e São Gonçalo/Itaboraí, ficam esquecidas pela grande imprensa e por grande parte da chamada ?opinião pública?.

Deve-se lembrar, aliás, que é para essa periferia pobre, carente dos serviços públicos mais básicos, e esquecida pela mídia, que os atuais projetos de remoção de comunidades, estimulados pela especulação imobiliária desencadeada pela próximo realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas, querem levar ainda mais pessoas pobres. Pretende-se, dessa maneira, aprofundar a construção de uma metrópole segregada e dividida, onde a maior parte da população (a parte pobre) viveria em regiões distantes, abandonadas e ?invisíveis?.

É por isso que os familiares das vítimas da Chacina da Baixada, e movimentos e organizações defensoras dos direitos humanos, fazem questão de sempre lembrar o 31 de Março e a Baixada como uma data e um lugar que nunca podem ser esquecidos. Neste ano, como em 2010, os seis anos da chacina serão lembrados por uma caminhada que vai refazer o trajeto dos assassinos pelas ruas de Nova Iguaçu, naquela noite horripilante. A concentração será na Via Dutra, na altura da Besouro Veículos, às 15h da quinta-feira, 31/03/2011. À noite haverá uma missa em lembrança das vítimas.

Mais informações com Luciene, mãe de Rafael, uma das vítimas da Chacina, e militante pelos direitos humanos, no telefone 8640-6823.

Comissão de Comunicação da Rede contra a Violência.