NOVO MANIFESTO PELA FEDERALIZAÇÃO DOS CRIMES DE MAIO, E FIM DA "RESISTÊNCIA SEGUIDA DE MORTE"

sexta-feira, setembro 03, 2010

ENQUANTO POLÍTICOS E CAPATAZES SE FAZEM DE VÍTIMA, A POLÍCIA DE SÃO PAULO SEGUE MATANDO PESSOAS NA PERIFERIA


Enquanto o Sr. José Serra tenta posar de vítima para criar um fato neste espetáculo eleitoral, as Mães de Maio vêm a público repudiar os assassinatos que seguem ocorrendo por parte da Polícia de São Paulo - a mesma Polícia comandada até pouco tempo pelo Sr. José Serra, e que segue sendo comandada por pessoas de seu grupo político. A pior violação que o Sr. Serra deveria estar discutindo é a violação de vidas humanas que a polícia de SP vem fazendo cotidianamente nas periferias de todo o estado.

Lembram-se dos Crimes de Maio de 2006? Quando também às vésperas de uma eleição a polícia e grupos paramilitares do estado de São Paulo, comandado à época pela mesma turma de Serra, Geraldo Alckmin e de Claúdio Lembo, matou mais de 500 pessoas pelas periferias durante o curto espaço de uma semana (de 12 a 20 de maio)? Nós nos lembramos bem, pois nossos filhos foram assassinados por policiais e grupos de extermínio naquela ocasião! E enquanto os Josés Serras, do dia para a noite, se escandalizam na TV para que apurem a violação de um sigilo de cartório, nós todas estamos a 4 anos, três meses e cerca de 15 dias sem a devida investigação, julgamento e punição de nenhum dos responsáveis pelos assassinatos de nossos mais de 500 meninos, entre mortos e desaparecidos.

ASSISTA AO VÍDEO DE GERALDO ALCKMIN SE ESQUIVANDO SOBRE OS CRIMES DE MAIO DE 2006

De nossa parte, seguimos e seguiremos nos solidarizando com todas as verdadeiras vítimas do Estado: as Mães, Familiares e Amigos das pessoas injustamente presas, torturadas e mortas pela Polícia. Mães como as companheiras Dna. Cida, Dna. Elza e Dna. Ana Maria, que contaram um pouco das suas histórias e das mortes de seus filhos hoje no Jornal da Tarde (VER PRÓXIMO POST). Mães que tiveram as vidas de seus filhos roubadas pela polícia do coitadinho do Serra e seus comparsas, estes santos-homens...

Mães de Maio prestam solidariedade à Dona Elza (c/ a bolsa), Mãe de Eduardo (morto pela Polícia em abril de 2010)

Repudiamos também as declarações hipócritas dadas hoje pelo Comandante da Rota, Sr. Paulo Telhada, depois de mais um assassinato cometido pela polícia. Ele é o mesmo que, semanas atrás, apareceu na capa do lixo da revista Veja São Paulo fazendo, em coro com os editores deste lixo, uma verdadeira apologia ao fascismo e ao extermínio de pobres e negros no estado de São Paulo. Em posição de sentido, um esquadrão de PMs da Rota com boinas-negras - como os fascistas europeus - pregando o seguinte lema: "Deus no coração, pistola na mão!".

Capa da Revista Veja do início de Agosto de 2010: "Deus no coração, pistola na mão"

Sr. Paulo Telhada: Nós sabemos muito bem, no dia-dia, contra quem estas pistolas estão voltadas, e contra quem elas são usadas diariamente! Nós sabemos muito bem por quem o coração de vocês bate! E quem o coração de vocês odeia: nós que vos falamos!

Que tipo de sociedade vocês querem construir????

Depois de dar declarações e exemplos como este, depois das mortes e assassinatos que nós e nossas famílias vivemos na pele, eles vêm com frases cínicas e hipócritas, como as que o Sr. Telhada declarou hoje no Estadão e no Jornal da Tarde, fazendo-se de vítimas e de santos perante a população. "Como cidadão e pai de família, estou triste, pois este rapaz poderia ser um trabalhador". Nas entrelinhas é possível ler: EU mato todos aqueles que EU considero bandidos. Ele tenta legitimar o ilegitimável!

Quem são as verdadeiras vítimas, cara pálida? O Estado não tem o direito de tirar a vida de ninguém, e a banalização dos "autos de resistência" e das "resistências seguidas de morte" é uma maneira de encobrir a verdadeira ideologia que vocês deixam escapar de forma explícita: a defesa da propriedade e do capitalismo, custe o quê custar! Custe o extermínio em nossas carnes e em nossas almas: Nós, Trabalhadoras e Trabalhadores Pobres e Negros Moradores da Periferia! Nós que já morremos cotidianamente trabalhando para vocês, e que morremos tantas outras vezes assassinados pelos seus capatazes! Nós que não temos dinheiro nem posses, e temos a pele escura, e assim somos considerados automaticamente "suspeitos" ou "culpados" por vocês! Nós que o Deus de vocês odeia!

Vocês posam de vítimas como se não fizessem parte da construção de uma sociedade desigual e injusta, e de uma ideologia fascista, da lógica do extermínio que historicamente sempre teve muita força dentro da Rota. Vocês posam de vítimas como se vocês e sua polícia não participassem ativamente da corrupção e da violência cotidiana nesta sociedade capitalista que vivemos.

Uma lógica e uma prática fascista que está espalhada por todo o país: ACABAMOS DE RECEBER A NOTÍCIA de que Martinele Dutra foi assassinado ontem por volta das 13:30hs no Rio de Janeiro. Nossa Grande Companheira da Rede Contra Violência do Rio de Janeiro, a Guerreira Márcia Jacintho, que já havia perdido seu filho Hanry, assassinado pela polícia 6 anos atrás, agora perde também o seu primo Martinele. Toda Força do Mundo, Guerreira! Tâmo juntas!

PUNHOS CERRADOS!
MÃES DE MAIO


Início do conteúdohttp://www.estadao.com.br/noticias/cidades,suspeito-do-atentado-contra-comandante-da-rota-e-morto-em-itaquera,604088,0.htm

Suspeito do atentado contra comandante da Rota é morto em Itaquera

Paulo Telhada afirmou 'não ter dúvidas' de que homem é o atirador que tentou matá-lo há um mês

02 de setembro de 2010 | 3h 57
Bruno Lupion, do estadão.com.br

SÃO PAULO - O suposto autor do atentado cometido há um mês contra o comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) foi morto em confronto com a polícia na madrugada desta quinta-feira, 2, em Itaquera, zona leste da capital. O tenente-coronel Paulo Telhada, que está em férias, foi chamado para reconhecer o rapaz no hospital e afirmou "não ter dúvidas" de que ele é o atirador que tentou matá-lo em frente à sua casa.

JB Neto/AE
JB Neto/AE
Telhada foi vítima de um atentado em 31 de julho, na zona norte de São Paulo

O suspeito vinha sendo investigado pelo serviço reservado da Polícia Militar desde o atentado e era o principal suspeito do crime. Ele dirigia um Gol prata no começo da Avenida Jacu Pêssego quando foi abordado por viaturas da Rota, mas se recusou a parar e foi perseguido em alta velocidade por cerca de sete quilômetros.

Na Rua Serra de São Domingos, altura do nº 72, por volta da 0h30, o homem embicou o carro na garagem de um edifício residencial e saiu com uma pistola calibre 45 em punho, atirando, segundo os policiais. Eles reagiram com metralhadoras e o suspeito, baleado quatro vezes, morreu enquanto recebia atendimento no Hospital Santa Marcelina.

Telhada disse que tinha acabado de chegar de viagem quando foi chamado para reconhecer o homem no hospital. O comandante da Rota também compareceu, à paisana, ao local do crime e ao 32º Distrito Policial, de Itaquera, onde o caso foi registrado. "Sem sombra de dúvida, foi este indivíduo que disparou onze vezes contra mim no mês passado", afirmou. Segundo ele, o atirador estava no banco de passageiro do veículo que o abordou na porta de casa, na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo, no final de julho.

Segundo a polícia, o Gol prata dirigido pelo criminoso não é roubado, mas pertence a uma pessoa procurada pela Justiça. Dentro do carro, havia um fuzil e cerca de 20 quilos de cocaína. Indagado sobre como se sente ao ver o criminoso morto, Telhada afirmou que "como cidadão e pai de família, estou triste, pois este rapaz poderia ser um trabalhador".

Atentado

Paulo Telhada foi vítima de um atentado por volta das 11 horas do dia 31 de julho deste ano, na zona norte de São Paulo, quando saía de casa, na Freguesia do Ó. O comandante da Rota deixava a garagem de casa em uma caminhonete quando um carro com dois homens parou em frente ao seu veículo. O passageiro abriu o vidro e disparou diversas vezes contra o policial. Telhada se abaixou dentro da caminhonete até a dupla de atiradores fugir e não foi baleado. Os disparos acertaram o carro do tenente-coronel, o muro da casa e um veículo estacionado na rua.


Texto atualizado às 18h05.

(Jornal da Tarde) Elas tiveram os filhos mortos por PMs este ano



Nesta sexta-feira saiu uma importante matéria no Jornal da Tarde, sobre assassinatos recentes cometidos pela PM de SP. Confira a matéria na imagem abaixo.

Toda solidariedade do mundo às Mães!

MÃES DE MAIO


segunda-feira, agosto 30, 2010

CARTA DAS “MÃES DE MAIO” AO I ENCONTRO DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS


A INTERNET NÃO PODE SUBSTITUIR A PRESSÃO DAS RUAS


Nós, Mães de Maio, escrevemos esta mensagem de agradecimento e reflexão sobre o I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas.

Em primeiro lugar, com muito respeito e humildade que é o nosso proceder, agradecemos a confiança pelo convite e a calorosa recepção que tivemos de todas e todos os participantes do Encontro. Estamos ainda engatinhando nessa ferramenta que é a blogosfera, a qual acreditamos ser bastante importante para os movimentos sociais e para as comunidades pobres de todo o país. Com ela, já conseguimos romper uma série de barreiras que sempre nos foram colocadas pelos poderosos e pelos detentores do monopólio da comunicação, esta minoria rica e geralmente branca que sempre bloqueou as nossas falas e as nossas idéias de circularem na esfera pública. Porém, há muito o quê avançar...


Débora, das Mães de Maio, participa da Mesa de Abertura do I Encontro de Blogueiros

Nosso cotidiano, que é o cotidiano da maioria da população, é marcado pelo massacre que o capitalismo sempre fez contra nós: desde as senzalas onde nossos irmãos negros, negras e indígenas eram explorados até a morte; até os tempos modernos, quando a chibata se transformou na ditadura do dinheiro e na farda da polícia. Sempre nos foram renegados todos os direitos fundamentais que qualquer ser humano deveria ter assegurado: a começar pelo Direito à Vida, o Direito de Ir e Vir, o Direito à Saúde, à Moradia, à Educação, à Cultura e à Comunicação Livre.

Nós lutamos por Igualdade de Oportunidades, por Justiça e, sobretudo, pelo Direito de Pensar e Viver em Liberdade. Sabemos que a Democracia que nós vivemos é uma verdadeira farsa, e nós apenas exigimos que ela seja Realizada Plenamente.

O público de blogueiros de todo o país (19 estados) lotou o auditório

Sabemos que temos um longo caminho para construir todas as transformações que o povo pobre e negro das periferias tanto precisam. Mesmo na blogosfera, há muito o quê se avançar no sentido de garantir o pleno acesso à internet e a todas as ferramentas que ela possibilita, visando fortalecer verdadeiros canais de comunicação da periferia com a sociedade como um todo, no país e no mundo. Sem o poder de Voz, de Ação e de Decisão da Maioria, não haverá nunca uma transformação igualitária e justa, inspirada pela Liberdade.

Idéias e Propostas foram discutidas em Grupos de Trabalho

Como propostas imediatas, três das nossas principais bandeiras em relação à blogosfera são:

- ACESSO: A Garantia do Acesso Gratuito à Internet e à Banda Larga para toda a população brasileira, principalmente a população pobre.

- FORMAÇÃO: A estruturação de uma Rede de Oficinas e de Formação, Crítica e Gratuita, que possa efetivamente democratizar a utilização dessas ferramentas (como blogs, sites etc). Orientando também sobre todos os perigos que a mesma blogosfera pode significar.

- SOLIDARIEDADE: Por fim, apoiamos a criação de uma verdadeira rede de blogs, sites, de apoio jurídico gratuito e de apoio material solidário para os efetivos defensores da democracia e da liberdade, visando nos proteger a todos – principalmente quem se encontra mais ameaçado - frente a criminalização dos trabalhadores pobres e dos movimentos sociais. Se a classe trabalhadora não formos solidários entre nós mesmos, ninguém será por nós!

Pelas Ruas do centro de São Paulo, a caminho do encontro, a Realidade Grita por Justiça!

Apesar de todo o significado do Encontro de Blogueiros e de várias de seuas propostas, sabemos que todas estas medidas necessárias e urgentes não podem criar a impressão e a euforia de que a blogosfera vá substituir a organização popular e a presença cotidiana nas ruas. Sabemos que uma das principais táticas dos poderosos é incentivar que as pessoas fiquem cada vez mais isoladas entre si, dentro de suas casas, reféns do medo do contato direto nas ruas, onde a vida realmente acontece. Este esvaziamento de algumas pessoas das ruas (enquanto elas seguem sendo tomadas por pessoas pobre como nós, descartadas pelo capitalismo, e sem qualquer perspectiva de vida digna), por maiores que sejam as ações virtuais, gera a reprodução das desigualdades, das injustiças e da falta de liberdade efetiva no cotidano. Para nós da periferia, isso significa a ampliação da estigmatização, do terror e da impunidade perpetuada contra nós ao longo de todo a história. As ruas passam a ser apenas espaços de passagem, de compras e da violência contra nós que as ocupamos.

As Mães de Maio defendem que o prêmio "O Corvo" deve ser dado a todos os Corvos do Estado, responsáveis pelos Crimes de Maio e pelo terror cotidiano nas Periferias de nosso país

Por fim, continuamos repudiando as políticas e práticas de Segurança Pública no Estado de São Paulo. O troféu “O Corvo”, que foi dado à Judith Brito como uma das principais representantes da “Ditadura da Mídia” em nosso país, deveria ser dado também a todos Os Corvos que foram e são os responsáveis diretos pelos Crimes de Maio de 2006 e pelos massacres cotidianos nas periferias de todo o país. De nossa parte, convocamos a todas e todos os blogueiros que participaram do Encontro, que se somem na blogosfera e nas ruas, na luta pela Verdade e por Justiça referente aos Crimes de Maio de 2006 e a todos os crimes similares que representam uma verdadeira “ditadura continuada” em plena era da democracia brasileira. Sem pressão popular não haverá os desarquivamentos, os julgamentos e as devidas punições de todos os agentes de estado responsáveis pelas matanças de ontem e de hoje!

Mães de Maio e Rede Contra Violência (RJ) nas Ruas protestando pelos 4 anos de impunidade dos Crimes de Maio

Seguiremos lutando cotidianamente, nas ruas, na internet e aonde for, para que o Amanhã Seja Livre!

Muito Obrigada a Todas e Todos pelo Respeito, pelo Carinho e pelo Fortalecimento de nossa Luta! Esperamos que, cada vez mais, ela seja uma Luta de Todos Nós!

SEGUIREMOS ATENTAS, CONECTADAS E PRONTAS PRA LUTAR!

VIVA A PRESSÃO POPULAR!

MÃES DE MAIO

sexta-feira, agosto 27, 2010

Audios da Audiência Pública do Condepe

Ouça a gravação da Audiência Pública que aconteceu no Condepe/SP no dia 05 de agosto de 2010, no Espaço da Cidadania “André Franco Montoro”, situado no Largo Pateo do Collegio, no. 184, térreo, Centro de São Paulo.

Estiveram presentes entre outros o presidente do Conselho Regional de Medicina por ocasião dos crimes de maio de 2006, representante do Secretário de Segurança Pública, de direitos humanos, Defensor Público, jornalista do jornal A Tribuna de Santos, mães de vítimas mortas por policiais em São Paulo, mães de vítimas dos crimes ocorridos em Março e Abril de 2010, na Baixada Santista cometidos por grupos de extermínio e Mães de Maio.

Para ouvir a gravação da Audiência Pública clique aqui

quinta-feira, agosto 26, 2010

PARTICIPAÇÃO DAS “MÃES DE MAIO” NO I ENCONTRO DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS: “A BLOGOSFERA NÃO PODE SUBSTITUIR AS RUAS: A PERIFERIA GRITA!”

blog/luhttp://www.brasilianasorg.com.br/isnassif/os-crimes-de-maio-em-sao-paulo

Os crimes de maio em São Paulo
Enviado por luisnassif, sab, 21/08/2010 - 10:32

A primeira apresentação do Encontro dos Blogueiros é de Debora, da Mães de Maio.

Trata-se de uma senhora de periferia que resolveu reagir contra o massacre de 562 pessoas, em seis dias, comandado pelo alucinado Secretário de Segurança de São Paulo na época, Saulo de Castro Abreu Filho. Entre os mortos, teve um filho assassinado, assim como uma moça grávida de nove meses e seu marido.

Clique aqui para entender esse horror, que apenas a blogosfera tem condições de divulgar.



http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2010/08/meus-tres-livros-sobre-o-encontro-de.html

MEUS TRÊS LIVROS SOBRE O ENCONTRO

(...) Uma blogueira que eu não conhecia, Débora Silva, das Mães de Maio, fez um discurso comovente. Seu filho, que não tinhaantecedentes criminais, foi uma das 562 pessoas assassinadas em uma semana de maio de 2006, em SP. Foi a retaliação da política paulista à revolta do PCC. Ela lembrou que 562 pessoas, vítimas do Estado, representam uma matança maior por parte da polícia que durante toda a ditadura militar. Graças à mobilização, essas mães conseguiram mandar 22 policiais pra cadeia. Débora disse que a blogosfera não pode substituir as ruas, e pediu para que o capitalismo não nos impeça de pensar. Ela se emocionou muito e chorou, e eu também, óbvio.



http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=6&id_noticia=135499

21 DE AGOSTO DE 2010 - 22H40

(...) Diversidade

A resistência à mídia hegemônica e a oposição ao ideário direitista de Serra são pontos consensuais num Encontro que, contraditoriamente, demonstrou e enalteceu a diversidade da blogosfera, bem como seu caráter democrático. Nem todos os participantes são de blogs que se debruçam sobre as eleições presidenciais ou os abusos da grande imprensa. É o caso de Débora Maria da Silva, líder do movimento Mães de Maio.

À frente de um blog que leva o mesmo nome de seu movimento, a ativista aderiu à mídia alternativa devido aos acontecimentos que abalaram o estado em maio de 2006. Em retaliação à ofensiva do PCC (Primeiro Comando da Capital) sobre o sistema penitenciário e policial no estado, agentes de segurança exterminaram 562 pessoas naquele mês – “mais do que a ditadura” liquidou em 21 anos. Uma das vítimas, lembra Débora, foi uma mulher grávida que estava a três dias de fazer cesariana.

“São Paulo é um estado capitalista e autoritário”, denunciou Débora, ao lado de Nassif e PHA, na mesa de abertura do Encontro. Segundo ela, é à blogosfera que os movimentos devem recorrer para lançar seus pontos de vista e tentar sensibilizar a opinião pública. “O blog é um espaço democrático para nos manifestarmos. Não podemos deixar que barrem o direito de pensar do brasileiro, e a luta só se ganha com pressão.”




http://www.fazendomedia.com/encontro-dos-bloguerios-progressistas-reune-mais-de-200-comunicadores-independentes-em-sp/

ENCONTRO DOS BLOGUERIOS PROGRESSISTAS REÚNE MAIS DE 200 COMUNICADORES INDEPENDENTES EM SP
Por Tatiana Lima, 23.08.2010



(...) Débora da Silva, representante do blog Mães de Maio defendeu que a sociedade e os movimentos sociais precisam se apoderar desta ferramenta. Para ela, a internet não substitui o papel da rua, que é ”o verdadeiro espaço de luta e pressão social”. Entretanto, o blog é um mecanismo de romper a censura velada dos meios de comunicação e do poder público.

“Estou aqui para aprender e para denunciar. A internet é democrática, podemos levar nossa voz para todos os cantos. Obrigamos o estado de São Paulo a admitir que mataram nossos filhos. O assassinato de 562 pessoas não foi resultado apenas de uma ação de facção criminosa. O estado exterminou nossos filhos. Eles tiveram que admitir”, revela.



http://altamiroborges.blogspot.com/2010/08/as-mulheres-no-encontro-das-blogueiras.html

AS MULHERES NO ENCONTRO DAS BLOGUEIRAS

Destaco o emocionante e corajoso depoimento de Débora da Silva, do blog Mães de Maio, que seguramente encorajou outras mulheres a continuar lutando por seus ideais de justiça social e liberdade de expressão.



http://www.ciranda.net/brasil/article/300-podem-virar-mil-ano-que-vem

300 podem virar mil ano que vem!
Esse, aliás, é um aspecto simbólico que pode ter passado quase despercebido durante o fim-de-semana: mostramos a força dessa parceria entre movimentos sociais, sindicatos e blogueiros independentes. Como deixou claro a Débora Silva , do “Movimento Mães de Maio”, logo na mesa de abertura no sábado: a internet tem mais força se estabelecer essa parceria com as ruas, com a turma que se organiza em associações e sindicatos. A força da blogosfera progressista é a força dos movimentos sociais. Uma não existe sem os outros. A internet não substitui o combate nas ruas, na realidade concreta.

http://engajarte-blog.blogspot.com/2010/08/encontro-blogueiros-progressistas.html
SÁBADO, 21 DE AGOSTO DE 2010
Encontro Blogueiros Progressistas
Débora Silva: "O movimento por mudança social que existe na internet tem que ir para a rua."

Nas primeiras horas do Encontro de Blogueiros Progressistas, o dramático depoimento e presença de Débora Silva, liderança do movimento Mães de Maio , foi a grande novidade.

O relato de sua luta pela justiça contra os crimes cometidos na sequência do ataque do PCC em São Paulo, onde em uma semana foram assassinadas 500 pessoas, segundo ela, nem na ditadura tivemos um massacre semelhante.

Causou comoção ao auditório a presença simples, direta e verdadeira desta mãe, vitimada não por uma violência difusa, mas de crimes de mascarados, onde por debaixo das máscaras existiam PMs de São Paulo, como ela relatou, foi vítima da violência do estado, crimes ocorridos durante o governo Geraldo Alckimin.

Recordo agora dos estudos da época dos massacres, onde mais de 70% dos mortos não tinham nenhuma passagem pela polícia, eram cidadãos comuns.

Agora Débora Silva segue com sua luta por justiça, e já congrega movimentos e denúncias de todo o Brasil, habilmente utilizando os recursos da Web e, por sua consistência já consegue também acesso a alguns meios tradicionais de jornalismo.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Blog do Dia

O blog Mães de Maio foi considerado "Blog do Dia", pelo jornalista Luiz Carlos Azenha no blog Vi o mundo.

Vá ao Viomundo CLICANDO AQUI.

terça-feira, agosto 24, 2010

Encontro de blogueiros

O Blog Mães de Maio na pessoa de Debora Maria da Silva participou do Encontro Nacional de Blogueiros que ocorreu em São Paulo neste final de semana, no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, com mais de 300 pessoas de todo Brasil.





Crédito das fotos: Conceição Oliveira.





sexta-feira, agosto 13, 2010

“Luto como mãe” estreia dia 20 de agosto no Rio de Janeiro - Documentário revela a luta de mães de filhos assassinados em chacinas do Rio





Assista ao documentário "LUTO COMO MÃE" em agosto nos Cinemas (Ponto Cine, Estação botafogo e Cinema nosso).
Documentário sobre o rosto feminino da violência armada no RJ.


“Luto como mãe” estreia dia 20 de agosto no Rio de Janeiro
Documentário revela a luta de mães de filhos assassinados em chacinas do Rio

Com uma câmera na mão, mulheres revelam que por trás das belezas naturais do Rio de Janeiro se esconde a dor de quem perdeu seus filhos para aqueles que, por ironia, deveriam proteger a segurança da população. Dar visibilidade para essas mães é a proposta do documentário “Luto como mãe”, do cineasta Luis Carlos Nascimento, que estreia no próximo dia 20 de agosto no Rio de Janeiro.

O longa retrata chacinas cometidas por policiais repercutidas em todo o país e nomeadas como as “Mães de Acari”, “Chacina da Candelária”, “Chacina da Baixada” e outras tão importante quanto essas. Durante quatro anos, Luis Carlos Nascimento acompanhou de perto junto com uma equipe de cinema o drama dessas mães, desde a coleta de depoimentos até os desdobramentos dos casos perante a justiça. Com uma “hand can” nas mãos, as mães documentaram suas passeatas, mobilizações, comemorações familiares e ainda realizaram entrevistas com maridos e familiares contribuindo para a inovação no processo de construção da narrativa do documentário. “Ignora-se que, para cada marido, cada filho, cada homem morto, existe sempre uma mulher por trás”, lembra Luis Nascimento no filme.

A visibilidade dessas mortes é passageira, dura enquanto a notícia durar. Seus rostos aparecem nas capas dos jornais, noticiários de TV sempre com uma lágrima demonstrando toda a sua dor. Mas tudo isso é momentâneo, no dia seguinte ninguém lembra mais do fato ocorrido e não sabemos o que essas mães fazem no dia a dia de suas lutas após o momento do luto. É sobre esse rito de passagem do Luto à luta que em 70 min o documentário "Luto como Mãe" vai mostrar com cenas emocionantes e envolventes essas mulheres de força, persistência, vontade de justiça e de mudança.

Elizabeth Medina Paulino, uma das mães de filhos assassinados na chacina da "Via Show", relata no documentário que resolveu correr atrás de justiça para que isso não ocorra com nenhuma outra mãe. "A única coisa que tinha medo era perder meus filhos e agora não tenho mais medo de nada”, conta Elizabeth que esteve no lançamento do documentário em Portugal e, segundo ela, quando acabou a exibição ficou aquele silêncio, todo mundo perplexo. Só depois vieram os aplausos.

“Luto como Mãe” participou da 14ª edição do Festival Internacional do Rio (2009) - onde concorreu a três prêmios: melhor direção, melhor documentário e melhor filme do júri popular; no Festival Viña del Mar (Chile/2009); no 12ª Festival de Cinema Brasileiro de Paris (França/2010); no 1ª Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa – FESTin (Portugal/2010); na 3ª Mostra Internacional de Cinema em Língua Portuguesa, entre outros.
O documentário "Luto como Mãe" tem a direção do cineasta Luis Carlos Nascimento, produção da TV Zero, Jabuti Filmes e Cinema Nosso. O longa foi realizado em parceria com CES- Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal) e CESEC- Centro de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes e conta também com o apoio da Fundação Ford , IPAD- Instituto Português para o Desenvolvimento, Sebrae/Rj e Fase.


Diretor Luis Carlos Nascimento

‘Luto como Mãe” é o primeiro longa-metragem do cineasta que iniciou a carreira como produtor e escritor de teatro até a chegada do premiado filme “Cidade de Deus”, onde participou do elenco. Logo depois fundou a Escola Audiovisual Cinema Nosso, que conta com o apoio dos cineastas Fernando Meirelles e Kátia Lund, onde hoje é o presidente da Instituição.


Alguns trabalhos de destaque do cineasta Luis Nascimento:

Filmografia; Cidadão Silva, (Ficção, 2002, 16 mm, 8 min) Produtor Executivo; O Cego, o Diabo e o Bom Pastor, (Ficção, 2003, DVCam, 13 min) Roteirista e Diretor; Sapukay, (Documentário, 2004, Mini DV, 9 min) Produtor Executivo;Vivendo e aprendendo, (Documentário, 2004, Digital, MiniDV, 6 min) Diretor; Nova Baía, (Documentário, 2004, Digital, Mini DV, 15min) Diretor; Nova Esperança – Yawanawa (Minissérie Rede Povos da Floresta - 2003, Mini DV, 8min) Roteirista e Diretor;Xacriabá, (Minissérie Rede Povos da Floresta - 2005, Mini DV, 10min) Diretor; Apiwtxa, (Minissérie Rede Povos da Floresta - 2003, Mini DV, 12min) Roteiro e Diretor;Construindo o Futuro (Documentário, 2005, Mini DV, 7min) Diretor e Produtor; Crime Quase Perfeito (Ficção, 2004, Beta Digital, 18 min) Roteirista e Diretor; Vida nova com Favela (Documentário, 2005, Mini DV, 14min) Roteirista e Diretor; Amarribo - controle social (2007, Mini DV, 6min) Diretor; Agro vidas (Documentário, 2007, Mini DV, 15min) Roteirista e Diretor;Cidade das Abelhas (Documentário, 2007, Mini DV, 12min) Roteirista e Diretor; Uma mãe como eu... (Documentário, 2007, Mini DV, 14min) Roteirista e Diretor; Os investigadores (Doc-ficção, 2009, HD, 15min) Roteirista e Diretor.


Mais informações no site do filme: http://www.lutocomomae.com/pt/

Salas de exibição:

Ponto Cine, Cinema Nosso e Cinemas do Estação Botafogo.

terça-feira, agosto 10, 2010

Polícia apura crimes de execução

A TRIBUNA - Sábado 7 de agosto de 2010



FERNANDO DIEGUES
da Redação



A Secretaria de Estado de Segurança Pública de São Paulo afirma estar avançando na apuração dos responsáveis pela onda de assassinatos ocorrida em abril, que marcou a Baixada Santista no segundo trimestre deste ano. Quem garante é do titular da pasta, Antônio Ferreira Pinto. Foram 22 casos atribuídos a um grupo de extermínio autodenominado Ninjas da PM. As ações se concentraram em Cubatão, Guarujá, Santos e São Vicente. Sobre as investigações, Ferreira Pinto destacou "que estamos progredindo bastante. O Ministério Público pediu a prisão de 17 policiais militares. Já há elementos suficientes para a denúncia". Ainda sobre a onda de execuções, o secretário comentou que "a intervenção foi tão eficaz que acabaram esses tipos de execuções, infelizmente com o envolvimento de policiais militares". O secretário estadual esteve ontem na inauguração do posto do Corpo de Bombeiros de Santos, na Vila Nova, e comentou que a queda dos índices criminais no Deinter-6 "é um trabalho contínuo, de inteligência". O órgão é o responsável pela Polícia Civil na Baixada Santista e Vale do Ribeira, e a redução do índice é referente aos meses de abril e junho deste ano, comparando com o mesmo período do ano passado. "Quando assumi a secretaria, defini como meta o combate aos crimes patrimoniais. Os índices estavam crescendo, atingimos uma estabilidade e agora nesse trimestre houve queda em todos os indicadores. Graças ao trabalho conjunto das policiais Civil e Militar".

CUBATÃO

Ferreira Pinto comentou sobre a intenção de ser criado um posto, em Cubatão, para ajudar na prevenção ao roubo de carga. "Intensificamos o policiamento em Cubatão onde há estacionamento de caminhões. Nossa ideia é estabelecer um posto naquela região parafiscalizar melhor. Temos um projeto aprovado pela Secretaria de SegurançaPública". Além dos crimes patrimoniais, os homicídios dolosos (quando há intenção de matar), também apresentaram queda na região no 2º trimestre de 2010. A redução foi de 14% no comparativo com o período de abril a junho de 2009. Foram 80 casos no ano passado contra 69 em 2010.

AUMENTO DO EFETIVO

Afirmando que "a demanda é muito grande" ao ser perguntando sobre aumento de efetivo na região, Ferreira Pinto disse que está sendo concluído o curso de escrivães de polícia. "Vamos destinar escrivães para a Baixada Santista". Ele não precisou o número de policiais. Questionado também em relação ao ataque a tiros contra o prédio da Rota, em São Paulo, ocorrido no último domingo, o secretário classificou a ação "como um ato de vandalismo, não um ataque".

Órgão quer avançar na apuração de crimes cometidos por policiais

A Tribuna em 09.08.2010
RENATO SANTANA
DA REDAÇÃO

Intenção é fazer um relatório das reuniões sobre o assunto e encaminhá-lo ao governador Alberto Goldman

As discussões sobre violência policial e as ações de grupos de extermínio vão continuar. Na quinta-feira passada, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) realizou, na sede da Secretaria de Justiça, em São Paulo, uma audiência pública para analisar as execuções ocorridas em maio de 2006 e abril deste ano que deixaram 530 mortos. O objetivo é transformar os debates da audiência num documento. Depois, pedir fazer reunião para apresentar o conteúdo ao governador Alberto Goldman para que o Poder Público adote providências. "É uma coisa absurda termos até hoje uma comissão de mortos e desaparecidos da ditadura militar. Mas, muito pior ainda é a gente ter uma outra comissão de mortos e desaparecidos pela democracia". A manifestação é do presidente do Condepe, Ivan Seixas, barbaramente torturado nos porões do regime militar. E foi feita após a intervenção de familiares de vítimas de grupos de extermínio e violência policial. Enfáticos, elas disseram ao representante do secretário de Segurança Pública que se o Governo Estadual continuar se calando frente os fatos, o grupo vai denunciar os crimes para a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

SILÊNCIO

A ausência do secretário de Segurança, Antônio Ferreira Pinto, no encontro de quinta-feira foi muito questionada. Para o presidente do Condepe, chega a ser um desrespeito: "O conselho faz parte da Secretaria de Justiça. A audiência foi convocada pelo Diário Oficial com antecedência e o secretário marca compromissos para o dia. É um desrespeito". Um assessor apresentou um breve relatório das investigações sobre os crimes de encapuzados, comprovadamente formado por policiais, ocorridos em abril deste ano e que vitimou 22 pessoas. Até agora, apenas dois policiais estão detidos e outros dois recolhidos para tarefas administrativas. O assessor disse que as investigações seguem. No entanto, fez questão de justificar o uso da violência por policiais. "Num tiroteio, você atira em qualquer lugar. No peito, na cabeça. Funciona assim (...) mas estamos investigando cada caso para punir os policiais ruins", afirmou.

NOVOS PARADIGMAS

A Defensoria Pública foi representada por Carlos Weis. Para ele, o problema não deve ser pensado de maneira fragmentada, mas como um todo. "Não se trata de punir um ou outro policial, mas sim, mudar a política de segurança pública e de policiamento", defendeu Weis. O Ministério Público (MP) também participou da audiência. O promotor Eduardo Dias não eximiu o órgão de falhas nos inquéritos ­ sobretudo os que envolvem os crimes de maio de 2006. Contudo, ponderou sobre as dificuldades de trabalhodos promotores. "Em Santos, por exemplo, eu não acompanhei de perto os processos, mas a Vara do Júri é composta por apenas um promotor, o colega Octávio Borba. Fica difícil tocar inquéritos tão complexos sozinho".

"Por que o MP
não cria uma
força-tarefa para
apurar crimes
de grupos de
extermínio, de
violência policial?
Como se faz em
outros casos, como
lavagem de
dinheiro"
Antônio Maffezoli, defensor público

sexta-feira, julho 30, 2010

Reportagem TV Record Rio (Programa RJ no ar)

Reportagem da TV Record Rio sobre a chacina de Acari - Programa Balanço Geral

Mobilizações marcam 17 anos da Chacina da Candelária e 20 anos do Caso Acari

Natasha Pitts *

Adital - 22 de julho

Desde a terça-feira (20), moradores de comunidades do Rio de Janeiro estão realizando mobilizações para denunciar que, há mais de 20 anos, sofrem com a injustiça e o esquecimento por parte do poder público. Entre as atividades, que seguem até o dia 26, serão prestadas homenagens aos mortos da ‘chacina da Candelária’ e aos desaparecidos do ‘caso Acari’ durante a ‘Caminhada em Defesa da Vida’.
Na noite desta quinta-feira (22), os moradores inconformados com a impunidade e as injustiças cometidas em sua cidade, realizam, na igreja da Candelária, uma vigília para lembrar os 17 anos dos assassinatos conhecidos como ‘chacina da Candelária’, o desaparecimento de onze jovens de Acari, as violações aos direitos humanos e todos mortos e desaparecidos forçosamente nos últimos 20 anos no Rio de Janeiro.


Amanhã (23), dia em que a chacina completa 17 anos, será realizada uma das mobilizações mais fortes: a "Caminhada em Defesa da Vida - Candelária Nunca Mais". Além da marcha, o momento será marcado por atos religiosos e atividades culturais. Patrícia de Oliveira, fundadora da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência ressalta a importância desta mobilização.

"Muitos ainda acham que durante a chacina da Candelária morreram poucos e que a população da rua tem mesmo que morrer. Com esta caminhada queremos mostrar que a vida está acima de tudo, acima do dinheiro ou de um cargo político. Hoje, no Brasil a situação é a seguinte: primeiro se mata e depois se busca um motivo e sempre há uma justificativa para os crimes", denuncia.

Para alertar sobre a impunidade no ‘caso Acari’, Patrícia pontuou que será realizada no dia 26 uma caminhada para lembrar os 20 anos dos 11 desaparecimentos. A mobilização será protagonizada por diversas organizações brasileiras de direitos humanos, entre elas, a associação Mães de Maio da Baixada Santista, o Grupo de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade, de Minas Gerais, e os membros da Campanha ‘Reaja ou Será Morta , Reaja ou Será Morto’, da Bahia.

"O caso Acari completa 20 anos e ainda é um inquérito. No próximo dia 26 vai prescrever e ninguém será preso, pois os envolvidos são pessoas importantes. Muitos juristas justificaram a impunidade com a explicação de que se ‘não há corpo, não há crime’. Por isso, o que vimos foi uma redução nas mortes e aumento nos desaparecimentos. Como os corpos não aparecem, nada é feito. Precisamos dizer chega! A população pobre ainda não tem noção de sua força e quando tiver, pessoas como Sérgio Cabral não dirão mais que ‘mulher de comunidade é fábrica de bandido’", alerta Patrícia.

A fundadora da Rede contra a Violência chamou toda a população carioca a se envolver nas mobilizações e a denunciar o que sabem. "Os políticos têm medo do que sai na imprensa internacional e têm medo do que a população fala. Com certeza, após verem as caminhadas, vão pensar mais antes de agir e não vão nos ver apenas como pobrezinhos, mas sim como eleitores que têm o poder de decidir".

Chacina da Candelária

Na madrugada de 23 de julho de 1993, por volta da meia noite, policiais militares dispararam contra cerca de 50 crianças e adultos, moradores de rua, que dormiam em frente à igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. O resultado da atrocidade foi a morte de seis garotos e dois adultos. Na mesma ocasião, mais duas crianças e um jovem foram mortos na Praça Mauá.

De acordo com depoimentos de sobreviventes, o crime foi cometido por, pelo menos, cinco pessoas. Os garotos acreditavam que o crime havia sido motivado pelo fato de um garoto ter apedrejado o carro de um policial. Especulou-se ainda que o pretexto foi um assalto praticado contra a mãe de um policial. No entanto, a hipótese mais forte e aceita foi a de que os policiais fariam parte de um grupo de extermínio e estavam realizando uma "limpeza" no centro histórico da cidade.

Seis policiais militares foram a julgamento. Sendo que três foram condenados e três, mesmo tendo seu envolvimento provado, foram absolvidos. Marcos Aurélio Dias de Alcântara foi condenado a 204 anos de prisão, Marcus Vinícius Borges Emmanuel a 300 anos e Nelson Oliveira dos Santos Cunha a 45 anos.

Caso Acari

Em 26 de julho de 1990, três meninas e oito garotos, todos moradores da comunidade do Acari ou de comunidades vizinhas, foram levados à força por homens que se diziam da polícia. Após serem sequestrados do sítio em que se encontravam, em Magé, região metropolitana do Rio de Janeiro, nunca mais foram encontrados. Até momento, ninguém foi punido pelos desaparecimentos.


* Jornalista da Adital

Veja reportagem na Tv Brasil sobre os 20 anos da chacina de Acari

Repórter Brasil Online

Videos do Jornal Nacional e RJTV

Chacina de Acari completa 20 anos com caminhada no Rio

Caminhada lembra 20 anos da chacina de Acari

20 anos de Acari, 17 de Candelária: memória da impunidade

por Viviane Oliveira - 25/07/2010
Vila do João RJ


Familiares de vítimas da violência do Estado, com apoio de movimentos sociais, marcham para lembrar chacinas da Candelária e de Acari e protestar contra criminalização da pobreza

As histórias são muitas, mas a dor é a mesma. Mães que perderam seus filhos violentamente reuniram-se em frente à Igreja da Candelária, no centro do Rio, neste dia 23 de julho. A data marca os 17 anos do assassinato de oito jovens no local. Com o apoio de diversos movimentos sociais, a “Caminhada em Defesa da Vida” reuniu cerca de duas mil pessoas que protestavam contra a impunidade e a violência do Estado.

O ato, que já está em sua 17ª edição, adotou este ano como tema os 20 anos do Caso Acari. Na ocasião, 11 jovens foram sequestrados por policiais. Até hoje, seus corpos não foram encontrados e o inquérito não foi concluído.

“É difícil o Estado investigar crimes quando os prováveis autores são policiais militares e civis. Isso mostra como é necessária a organização da sociedade. As Mães de Acariforam pioneiras nessa luta, dos familiares de vítimas por justiça e por mudança social”, diz Maurício Campos, da Rede contra a Violência.

Marilene Lima e Souza, uma das Mães de Acari, desabafa: “A justiça não está ao nosso alcance. Mas, enquanto eu tiver forças, vou continuar na luta para saber o que realmente aconteceu com minha filha. Quero ter o direito de enterrar o que sobrou dela”. Na época do assassinato, Rosana Souza Santos, filha de Marilene, tinha 17 anos.

O grupo, que inicialmente tinha 10 mães, hoje conta com apenas quatro. “Depois do assassinato da Edméia, algumas mães ficaram muito assustadas e acabaram se afastando. O temor só diminuiu com a morte do policial conhecido como Peninha, que foi apontado como chefe do grupo de extermínio que teria executado minha filha e os outros jovens”, diz Marilene.

Licença para matar

O apoio dos movimentos sociais aos familiares das vítimas da violência é fundamental. É o que aponta Márcia Jacinto, mãe de Henry Silva Gomes, morto pela polícia aos 16 anos de idade, no Lins, zona norte do Rio. “Só desta maneira, nós, moradores de comunidades, podemos mostrar o que realmente acontece lá dentro e é ignorado pelo poder público”, diz. Para ela, não há interesse por parte das autoridades em ouvir ou investigar as atrocidades que acontecem nas favelas: “A polícia declara auto de resistência, o delegado assina e o poder judiciário enterra. Se nós não corrermos atrás, outras mães vão continuar chorando”. O inquérito da morte de Henry registrou que ele era traficante, portava um revolver 38, trouxinhas de maconha e trocou tiros com a polícia. “Tudo mentira”, afirma Márcia.

Em 2003, cinco jovens do Morro do Borel, zona norte do Rio, foram mortos pela polícia e no registro de ocorrência também foi alegado auto de resistência. Maria Dalva da Costa, mãe de Tiago da Costa Correia da Silva, uma das vítimas, diz que essa alegação é apenas uma desculpa que a polícia utiliza para matar: “Eles disseram que o meu filho e os outros quatro meninos estavam armados e que trocaram tiros. Na verdade, eles eram trabalhadores e, acima de tudo, jovens brasileiros. Meu filho foi enterrado como traficante e foi muito difícil para mim provar que ele não era”. Dois dos envolvidos na chacina foram absolvidos, um foi condenado - mas já está em liberdade - e outros dois, que ainda não foram julgados, estão respondendo ao processo em liberdade.

O fantasma da tortura

Outra face da violência do Estado, que assombra os presídios e carceragens do Brasil desde a época da ditadura militar, é a tortura. O filho de Indaiá Maria Mendes Moreira foi preso em fevereiro de 2009 e levado para a carceragem de Neves, em São Gonçalo. Lá o jovem Vinícius Moreira Ribeiro passou 22 dias até que a mãe recebesse a notícia de sua morte: “No dia em que eu cheguei com o alvará de soltura, fique sabendo que ele não estava mais lá. Meu filho foi morto dentro da carceragem e os policiais disseram que ele tinha caído e batido com a cabeça. Ele completaria agora 22 anos, foi criado com todo amor, carinho, e tiraram a vida dele por meio de tortura”.

Um dos panfletos distribuídos durante a passeata conta a história de Andreu Luis da Silva de Carvalho, jovem morador do Cantagalo torturado e assassinado por seis agentes do Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas) em 1 de janeiro de 2008. O caso aconteceu no Centro de Triagem (CTR), instituição destinada a “ressocializar jovens infratores”, e é apontado pelos movimentos, ao lado de vários outros exemplos, como parte de uma “política de extermínio e criminalização da pobreza”.

A manifestação foi finalizada com um ato político-cultural em frente à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, na Cinelândia. Representantes de entidades e vítimas da violência discursaram ao microfone e lembraram também os 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente. Outra atividade para relembrar as chacinas e a impunidade foi realizada neste domingo (25), no Grêmio Recreativo Escola de Samba Favo de Acari.



Veja as fotos da manifestação: Caminhada em Defesa da Vida



Leia também: Chacina de Acari prescreve neste domingo, após 20 anos

Parentes de vítimas de violência no Rio protestam na Candelária

Maria Luisa de Melo, Jornal do Brasil


RIO DE JANEIRO - Uma manifestação organizada pelo Movimento Rede Contra Violência reuniu cerca de 5 mil pessoas na Candelária para relembrar os 17 anos da chacina em que sete crianças e um jovem foram mortos por PMs enquanto dormiam na Praça Pio X, em 1993.

Às 10h, uma missa foi celebrada e, de lá, os manifestantes seguiram pela Avenida Rio Branco, chegando à escadaria da Câmara Municipal, onde expuseram cartazes e bonecos simbolizando as vítimas da violência na cidade ao longo dos anos.

A família de Gabriela Prado Maia Ribeiro, morta por uma bala perdida na estação do metrô da Tijuca, em 2003, esteve presente, e Patrícia Oliveira, irmã de Wagner dos Santos, único sobrevivente da matança da Candelária, também protestou.

– Aqueles oito tiros mudaram a vida do meu irmão. Hoje, com 39 anos, vivendo na Suíça, ele não pode ter filhos, pois foi envenenado pelo chumbo dos projeteis, e sofre de problemas neurológicos.

O Movimento Mães de Acari, que teve início em 1990, após o sumiço de 11 jovens, entre eles oito adolescentes, também esteve na manifestação.

A chacina de Acari, como ficou conhecida, vai completar 20 anos na próxima segunda-feira.

– Até hoje, não vi o corpo e ainda tenho as minhas dúvidas se meu filho está vivo ou morto – desabafou Tereza Souza Costa, 60, mãe de Edson de Souza Costa, que na época do desaparecimento completaria 18 anos.

Outra mãe que também não tem notícias do filho desaparecido é Beatriz Ferreira de Lima, 74. Segundo ela, Jurandir sumiu há 15 anos, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

A Organização de Direitos Humanos Projeto Legal prepara uma ação internacional contra a ineficiência das investigações do caso.

Se a denúncia for aceita pela OEA, o Estado poderá ser responsabilizado pela ausência de resposta aos familiares.

17 anos da chacina da Candelária

Irmã de sobrevivente de chacina diz que ele ainda tem sequelas

Carolina Lauriano Do G1 RJ, em 23 de julho

Vítima da tragégia da Candelária levou 8 tiros e mora na Suíça.
Ato no Centro do Rio faz homenagem aos mortos pela violência.
Irmã de Wagner dos Santos, um dos sobreviventes da chacina da Candelária, no Rio, e também principal testemunha do crime, que completa 17 anos nesta sexta-feira (23), Patrícia Oliveira, de 36 anos, revelou que a tragédia até hoje marca a vida do irmão. “Ele ainda tem vários problemas psicológicos”, afirmou ela.

Wagner mora na Suíça e, segundo ela, não trabalha porque foi considerado incapaz. Depois de levar oito tiros no total, ele sofre de envenenamento por chumbo, disse Patrícia.


A igreja da Candelária, que foi o cenário da triste chacina que matou sete crianças e um jovem, nesta sexta reúne mães, parentes e amigos de vítimas que morreram em episódios de violência no Rio e também em São Paulo. Eles lembram também da chacina de Acari, que em 1990 deixou 11 pessoas desaparecidas.

Uma missa é celebrada com a presença ainda de crianças de diversas comunidades e também de autoridades públicas, como o secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Ricardo Henriques, e a ministra de Desenvolvimento Social, Márcia Lopes.

Depois do ato, eles seguirão em uma caminhada em defesa da vida até a Cinelândia.

Chacina da Candelária

A chacina da Candelária, crime que deixou revoltada a população do Rio de Janeiro, teve repercussão nacional e internacional. Oito meninos de rua foram assassinados nas imediações da Igreja da Candelária, um dos prédios mais conhecidos do Centro.

Mais de 40 crianças dormiam na praça da igreja quando cinco homens desceram de dois carros e dispararam em sua direção. Até hoje não se sabe o que motivou a matança.

Duas crianças e um rapaz de 19 anos foram mortos no local, enquanto os outros, aqueles que acordaram a tempo, tentavam fugir. Perseguidas, mais duas crianças foram alcançadas e mortas. Outros dois corpos foram localizados no Aterro do Flamengo, local a poucos quilômetros da Candelária.

Wagner dos Santos, a principal testemunha do crime, contou que foi levado de carro pelos homens e só sobreviveu porque se fingiu de morto. Mais de um ano depois da chacina, em dezembro de 1994, Wagner sofreria outro atentado no qual levou quatro tiros e resistiu aos ferimentos.

Em outubro de 1995, o sobrevivente pediu proteção ao então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, para prestar novos depoimentos sobre o caso. Ele se mudou para a Suíça e vinha ao Brasil para participar dos julgamentos dos acusados.

Três anos depois do crime, em novembro de 1996, num julgamento que durou 19 horas, o PM Nelson Cunha foi condenado a 261 anos de prisão.

Outro acusado, o também policial militar Marcus Vinícius Borges Emmanuel, foi julgado três vezes. Primeiro, ele foi levado a júri popular, em abril de 1996, mas a defesa recorreu. Em junho do mesmo ano, ele foi condenado pela morte de dois menores e absolvido em outras nove acusações. Em 2003, depois de um recurso do Ministério Público, o ex-policial foi julgado por quatro homicídios e cinco tentativas de homicídios. Emmanuel cumpre pena de 300 anos.

Marcos Aurélio de Alcântara foi o terceiro e último acusado a ser julgado, em agosto de 1998. Ele chegou a confessar o crime em 1995, mas mudou a versão no primeiro dia de julgamento e alegou inocência. Os advogados tentaram provar que ele teria sido induzido a confessar o crime, mas Marcos Aurélio de Alcântara foi condenado a 204 anos de prisão.

Dez anos depois, os sobreviventes tinham tomado diferentes rumos. Um deles passou a morar em uma favela com os pais e uma filha de 10 anos. Outro, que tinha 5 anos no dia do crime, permanecia nas ruas. Já a testemunha Wagner dos Santos foi morar na Suíça e vinha ao Brasil passar alguns dias. Em 2003, ele afirmou que ainda não recebera indenização dos governos no Brasil.

quarta-feira, julho 21, 2010

Atividades em lembrança dos 20 Anos do Caso Acari e da Luta das Mães: Não ao Esquecimento! Sim à Justiça

Entre os dias 22 e 26 de julho acontecerão atividades que lembrarão os 20 Anos do Caso Acari, que foi simbólico, tanto quanto ao aprofundamento da violência estatal contra as favelas e comunidades pobres, quanto à articulação da resistência popular a esse verdadeiro processo de genocídio da população negra, pobre e favelada no Brasil. Na ocasião, a resistência se expressou na luta, internacionalmente reconhecida, das Mães de Acari.


No dia 22 de Julho, na véspera do aniversário da Chacina da Candelária, haverá uma vigília das 18 às 22h, diante da Igreja da Candelária, para lembrar os 17 anos do assassinato das crianças e jovens naquele massacre, o desaparecimento, até hoje sem solução, dos onze jovens de Acari, bem como todos os casos de desaparecimentos forçados, chacinas e outras graves violações cometidas no Rio de Janeiro nos últimos 20 anos. Estarão presentes familiares de vítimas da violência, inclusive de outros estados brasileiros, organizações e militantes que defendem os direitos humanos, movimentos sociais e lutadores populares.


No dia 23 de Julho, 17o aniversário da Chacina da Candelária, haverá mais uma edição da Caminhada em Defesa da Vida, que este ano também assumiu os 20 Anos do Caso Acari como tema. A programação completa é a seguinte:


9h: Concentração em frente a Igreja da Candelária


10h: Missa pelas crianças e jovens que morreram em frente a Igreja da Candelária e por todos os jovens que foram mortos no Rio.


11h: Ato Ecumênico


11h30: Caminhada em Defesa da Vida - 20 ANOS DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990) - Trajeto: Av.Rio Branco até a Cinelândia.


12h30: Ato Político


13h: Apresentação Cultural


No dia 25 de Julho, será realizada no Grêmio Recreativo Escola de Samba Favo de Acari ( Rua Piracambu, 605 - Acari) uma Homenagem às Mães de Acari, com a seguinte programação:


15 às 18h - Declamação de poesias, atividades de música e dança, grafite


18h - Exibição do documentário Luto como Mãe, que entre outros casos aborda a luta por justiça das Mães de Acari


19:30h - Depoimentos das Mães, de familiares de vítimas de vários casos e estados do Brasil, e de pessoas que se destacaram na solidariedade.


No dia 26 de Julho haverá a Caminhada em Lembrança dos 20 Anos do Caso Acari, com a seguinte programação:


9h: Culto ecumênico em frente ao Hospital de Acari (Av Pastor Martin Luter King, 10976).


10h às 12h: Caminhada pela Avenida Brasil e pela Rua Bulhões Marcial (Lucas-Vigário) até a Praça Catolé do Rocha em Vigário. Depoimentos e apresentações durante o trajeto.


12h: Encerramento na Praça Catolé do Rocha com apresentações teatrais e culturais.




Ajude a divulgar, organize sua comunidade, grupo ou movimento para estar presente com faixas e cartazes, esse é um momento muito importante para lembrarmos que a luta iniciada pelas Mães de Acari é mais necessária do que nunca, e para dizermos bem alto: Não ao Esquecimento, Sim à Justiça!


Mais informações sobre o Caso Acari: DO LUTO À LUTA: A EXPERIÊNCIA DAS MÃES DE ACARI


Comissão de Comunicação da Rede contra a Violência.


Mães de Maio são parceiras do Movimento do Rio de Janeiro de "Mães e Familiares de Vítimas de Violência".

quinta-feira, julho 15, 2010

Só um 'PM ninja' continua preso em São Paulo

Diário do Grande ABC
terça-feira, 13 de julho de 2010 9:13

Dos 18 policiais militares presos em junho passado pela série de assassinatos ocorridos Baixada Santista, apenas um continua preso. Na semana anterior, três dos envolvidos foram soltos pela Justiça, sendo que no mês passado outros 14 já haviam sido liberados.
Os acusados estão realizando trabalhos administrativos na sede da Corregedoria da PM (Polícia Militar), na Capital paulista, e só irão voltar para as suas funções quando terminar o processo.
De 18 a 23 de abril, 23 pessoas foram executadas no litoral sul de São Paulo. Um grupo de extermínio, conhecido como os "PMs Ninjas", foi acusado de comandar as execuções, conforme revelou o "Jornal da Tarde", na edição do dia 1º de maio.
No dia 2 de junho, três PMs foram presos na Baixada Santista acusados de envolvimento no caso. Em seguida, outros 15 também tiveram suas prisões administrativas decretadas.
Menos de uma semana depois, no entanto, apenas quatro policiais permaneciam presos e desde o dia 6 de julho, apenas um "PM Ninja", que teve a prisão temporária prorrogada por mais 30 dias, permanece na Corregedoria.
A PM informou que não vai comentar o caso, pois o processo encorre em segredo de Justiça

sexta-feira, julho 02, 2010

Em debate, consenso é que segurança vai além da ação policial

Políticas públicas e controle social são apontados como essenciais

Jornal A Tribuna – 27.06.2010
RENATO SANTANA
DA REDAÇÃO

Segurança pública não é um assunto apenas da polícia. Como direito de cada cidadão, precisa ser pensada com políticas públicas e controle social. No painel de debates sobre o tema Que Segurança Pública Queremos?, realizado ontem na Estação da Cidadania, esse foi o consenso das opiniões de debatedores e participantes. O encontro, uma reunião plenária do Fórum da Cidadania de Santos, teve como palestrantes o defensor público e coordenador regional de Santos da Defensoria Pública, Antônio Maffezoli, e o comandante do CPI-6 da Polícia Militar, Sérgio Del Bel. "Nossa intenção é discutir questões atuais que envolvem a sociedade para buscar soluções compartilhadas", disse o integrante do Fórum da Cidadania, Uriel Villas Boas, na abertura do debate. Enquanto Maffezoli centralizou sua fala na necessidade do Estado de garantir a segurança pública como um direito humano, Del Bel buscou mostrar que a polícia não representa a solução para a efetivação desse mesmo direito. "O Estado possui o monopólio da força. É importante fomentar que as comunidades discutam o assunto e se aproximem da polícia e dos outros órgãos de segurança", defendeu Maffezoli. O coronel Del Bel complementou: "Segurança significa a construção de mais escolas ou viaturas da PM nas ruas? Ninguém sabe o que é segurança pública ao certo". No entanto, a polêmica, característica do assunto, não deixou de estar presentes nas opiniões. Sobretudo porque o painel foi assistido por familiares de vítimas de grupos de extermínio, integrantes dos Conselhos de Segurança da Cidade, entidades do Movimento Negro, além de ONGs.

POLÍCIA: REFLEXO SOCIAL?

Del Bel defendeu que os defeitos da polícia são os defeitos da sociedade: "Somos iguais a cada um de vocês. Se existe corrupção, preconceito, abusos e outros problemas, tudo se reflete dentro da polícia". O defensor público concordou, mas ponderou que na polícia os vícios e as contradições estão aprofundadas. "Quem tem o poder de parar um cidadão e fazer revista? Dependendo de como a pessoa está vestida e a cor da pele, o que chamam de cara de prontuário, é abordada. Sem contar outras violências", disse Maffezoli. Os presentes questionaram Del Bel sobre a ação de seus policiais. Principalmente a organização Mães de Maio, formada depois dos 505 assassinatos de civis em maio de 2006. O coronel disse que conhece bem seus policiais, mas que não pode controlar o que fazem sem a farda ¬ se referindo ao envolvimento de parte deles em grupos de extermínio. Novos debates sobre o assunto serão motivados pelo Fórum da Cidadania. Inclusive com o objetivo de fazer com o município aplique políticas de segurança pública. Entre elas o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci). A PM já trabalha com o conceito de Polícia Comunitária.

Reflexão
"Segurança significa a construção de mais escolas ou viaturas da PM nas ruas? Ninguém sabe o que é segurança pública ao certo”
Sérgio Del Bel, comandante do CPI-6 da Polícia Militar
Encontro, que contou com expoentes no assunto, aconteceu ontem na Estação da Cidadania, em Santos.


Ouvidoria quer reabrir inquéritos

A Ouvidoria da Polícia requisitou ao procurador Geral do Estado, Fernando Grela, a reabertura dos inquéritos que envolvem as mortes ocorridas nos crimes de maio de 2006. Já em Brasília, a Defensoria Pública, familiares de vítimas e a ONG Justiça Global reuniram-se com o Ministério da Justiça para pedir que a Polícia Federal (PF) inicie investigações. As reuniões são consequências da audiência pública extraordinária do dia 14 de maio. A Ouvidoria acompanhou 54 casos com 84 vítimas em ocorrências registradas entre os dias 12 e 21 de maio de 2006, como autoria desconhecida. Destes, 68,5% dos inquéritos foram arquivados sem a identificação dos assassinos. Nas ocorrências de resistência seguida de morte (quando o policial mata em serviço), a Ouvidoria analisou 48 casos com 79 vítimas. A porcentagem de arquivamento chegou a 77%. Apenas 4,17% de policiais foram denunciados ¬ quatro PMs e um Policial Civil. Em ambas as análises, as vítimas na Baixada estão incluídas. "Pedimos ao procurador que reabra os inquéritos desses casos. Conversamos sobre a importância de se fazer uma análise cuidadosa", explicou Dantas. O procurador disse ao que iria examinar os inquéritos, mas ainda não deu parecer.


ÂMBITO FEDERAL

Em Brasília, o defensor público Antônio Maffezoli, Mães de Maio e ONG Justiça Global participaram de duas reuniões: uma com o Ministério da Justiça e Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República; a outra, com a Procuradoria Geral da República. Nos encontros, uma intenção: a necessidade dos inquéritos serem investigados e julgados em âmbito federal. No Ministério da Justiça, a imediata retomada das investigações pela Polícia Federal(PF) foi a tônica:"A lei permite que o ministro libere a PF os trabalhos",explicou o defensor público, Antônio Maffezoli, que salientou ao procurador que a recente onda de violência, que atingiu a região entre os dias 18 e 26 de abril, tendo como saldo 23 mortos, prova a ação continuada de grupos de extermínio.

segunda-feira, junho 21, 2010

“Mães de Maio” lutam pela punição dos autores da matança de 2006



15/06/2010


Fotos das vítimas da matança de 2006 são expostas durante manifestação das Mães de Maio, em SP


FABRÍCIO MOREIRA
Enquanto o atual governo de São Paulo e os ex-governadores Geraldo Alckmin e José Serra (PSDB) fazem de tudo para evitar o tema PCC, as mães de vítimas dos assassinatos praticados por policiais em 2006 querem o contrário. O Movimento das Mães de Maio, que pede à Justiça que responsabilize o Estado pelos crimes, pretende transformar o período de 12 a 21 de maio na Semana Nacional das Vítimas do Estado.
A proposta será encaminhada nesta semana à Comissão de Direitos Humanos e à presidência da Assembleia Legislativa.
”Já tem dia para tudo, menos para o ser humano. O que mais se mata aqui é negro e pobre”, afirma Débora Maria da Silva, uma das líderes do movimento. Moradora em Santos, ela perdeu o filho, o gari Edson Rogério dos Santos, no que teria sido o revide policial à onda de ataques da facção criminosa que nasceu e cresceu nas penitenciárias de São Paulo.
Débora tem certeza de que seu filho foi executado por policiais na noite de 15 de maio. Ele tinha passagem anterior pela polícia, por roubo, e foi assassinado com cinco tiros.
“Quem matou meu filho em 2006 é o mesmo pessoal que cometeu a chacina em abril desse ano (na Baixada Santista). Essa matança de agora só aconteceu porque o Estado não assume a culpa e não responsabiliza ninguém pelas mortes de 2006.”
INDÍCIOS E EVIDÊNCIAS
Diante do abandono do caso pela polícia paulista, as Mães de Maio querem que a Polícia Federal conduza outra investigação sobre a mortandade de 2006. Paralelamente, a Defensoria Pública tenta obrigar o Estado a indenizar as famílias por danos morais. No mês passado, o órgão impetrou na Justiça oito ações de indenização aos familiares das vítimas e a um sobrevivente atacado pela polícia. Cada ação pede 300 salários mínimos, hoje equivalentes a R$ 153.000,00. Além dessas ações, há outros dois pedidos de indenização, iniciados em 2006 e ainda não julgados.
Para o defensor público Antonio José Maffezoli Leite, o Estado tem responsabilidade tanto pela matança de abril deste ano, em cidades do litoral paulista, quando pelos assassinatos de maio de 2006, por várias razões:
1) os fortes indícios de que o grupo de extermínio é composto de policiais;
2) a não-garantia de segurança em maio de 2006, quando “as autoridades diziam que estava tudo bem”;
3) a ausência de punição e a investigação malfeita.
“O modus operandi foi sempre o mesmo: homens encapuzados, com armamento de uso restrito da polícia, e com várias testemunhas dizendo que foram policiais (que mataram)”, argumenta ainda Maffezoli.
JUSTIÇA ADIA JÚRI
Passados mais de quatro anos dos crimes de maio de 2006, nenhuma família das vítimas da polícia ou do PCC recebeu indenização. Ontem, a tragédia ganhou novo capítulo: a Justiça paulista adiou para agosto o julgamento de um dos supostos integrantes da facção criminosa acusados de matar o bombeiro João Alberto da Costa. A sessão foi remarcada porque uma testemunha não compareceu.
Em março deste ano, três acusados pelo assassinato do bombeiro foram absolvidos por um júri popular. O promotor Marcelo Milani, que atua no caso, disse acreditar que os jurados absolveram os réus por medo.
“A expectativa é que dessa vez (no julgamento remarcado para agosto) seja diferente”, disse Milani ontem.
A MORTANDADE
O Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio estima que 505 civis morreram entre as 564 pessoas assassinadas entre 12 e 21 de maio de 2006. O governo paulista prefere o dado do Conselho Regional de Medicina do Estado, que é menor: 493 mortos, entre eles 47 agentes de segurança pública. Os agentes públicos foram mortos nos dias 12 e 13 de maio; as vítimas civis, entre os dias 14 e 17.

segunda-feira, junho 14, 2010

Sargento acusado de chefiar "eixo do mal" da PM é preso em SP

14/06/2010-17h02
ANDRÉ CARAMANTE - Folha.com
DE SÃO PAULO

Apontado pela Promotoria e Corregedoria da Polícia Militar como um dos chefes do chamado "eixo do mal" da corporação, o sargento Cristiano Leite Guiron, 37, foi preso nesta tarde em um batalhão de Guarulhos (Grande São Paulo).

Até 2006, o sargento Guiron integrava a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), espécie de tropa de elite da PM paulista.

De acordo com as investigações, o sargento Guiron é suspeito de ter furtado cerca de R$ 10 mil e uma arma irregular que era mantida escondida na casa do também PM da Rota Emerson Barbosa da Silva Santos, 32.

O soldado Santos foi assassinado em setembro de 2006. Seu corpo foi queimado e encontrado em Louveira (71 km de São Paulo). O soldado Santos e o sargento Guiron, segundo a Promotoria e Corregedoria da PM, faziam parte do "eixo do mal" da Rota.

Para a Promotoria, Santos foi morto por desavenças com outros policiais da tropa de elite da PM que, assim como ele, são suspeitos de cometer crimes como roubo de carga e achaques contra procurados pela Justiça.

A própria mulher do soldado Santos, Renata Gomes de Oliveira Franco, presa no dia 2 acusada de participação na morte do marido, confessou que a vítima e o sargento Guiron usavam a estrutura da Rota para cometer crimes.

Existe a informação de que Santos e Guiron chegaram a deixar um procurado da Justiça quatro dias em cativeiro para que seus comparsas arrumassem dinheiro para pagar um resgate.

A reportagem ainda não localizou o advogado do sargento Guiron.

Os assassinos do litoral paulista

Carta Capital - 01/06/2010

BAIXADA SANTISTA - Nova onda de violência desnuda a força de grupos de extermínio

Noite de 26 de março. O adolescente Rafael Souza de Abreu, de 16 anos, encontra-se com amigos numa esquina do bairro Estuário, em Santos. Às 10 da noite, usa o celular para encomendar algumas esfihas. Minutos depois, ainda com o telefone na mão, vê-se diante de uma dupla de pistoleiros sobre uma moto. Leva um tiro na perna e, de joelhos, implora pela vida. É executado com sete tiros no rosto.

Madrugada do feriado de 21 de Abril. O jovem Marcos Paulo Soares Canuto, de 18 anos, sai de uma festa em Catiapoã, bairro periférico de São Vicente. Antes de voltar para casa de bicicleta, acompanha um amigo em passeio de moto. Os rapazes são abordados por quatro homens encapuzados, dois em cada moto. E são assassinados com vários tiros na cabeça. Duzentos metros adiante, outros dois jovens haviam sido executados pelo mesmo grupo.

Os inquéritos ainda não apontaram os responsáveis pela morte dos rapazes, mas os familiares de Rafael e Marcos compartilham uma certeza: os jovens foram executados por policiais militares que integram um grupo de extermínio na Baixada Santista.

As razões que levam à desconfiança são muitas. Dias antes de morrer, Rafael foi acusado de roubar uma loja de roupas. A casa de sua bisavó, onde dormia de vez em quando, teria sido vasculhada por PMs três vezes. De acordo com o pai, o portuário José de Abreu Neto, policiais que faziam bico de segurança na loja seriam os autores do ataque. "Quinze dias depois da morte do meu filho, uma testemunha foi assassinada. Os outros que presenciaram o crime ou se calaram ou saíram da cidade com medo. Um dos PMs envolvidos costuma mandar recados para mim. Bate na molecada da rua e fala: "Vocês estão apanhando por culpa do Zezinho"”.

No caso de Marcos Paulo, chamou a atenção o fato de os assassinos fazerem uma abordagem tipicamente policial antes da execução. Os amigos foram revistados e apresentaram o documento de identidade aos algozes. "Recolhi o RG do meu filho no chão", lembra a enfermeira Flávia Gonzaga, mãe do estudante assassinado.

Apenas neste ano, 34 execuções sumárias foram registradas na Baixada Santista pela Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo. Desde maio de 2006, época dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), a entidade contabilizou 115 homicídios com características de atuação de grupos de extermínio. "A maioria das vítimas é de jovens moradores da periferia, negros ou pardos, e não têm antecedentes criminais. Os executores aparecem de moto e costumam usar toucas para esconder o rosto. Os armamentos utilizados quase sempre têm o mesmo calibre: são projéteis .40 (usados pela polícia) e 380", diz o ouvidor Luiz Gonzaga Dantas.

Dantas acrescenta: "Tudo leva a crer que as mortes foram causadas por grupos de extermínio integrados por PMs. Viaturas da polícia são vistas no local dos assassinatos momentos antes. A cena do crime raramente é preservada. Quase sempre os corpos são removidos sob a justificativa de prestar socorro, mesmo quando as vítimas foram executadas com vários tiros na cabeça. É por isso que vou propor ao governo que proíba o socorro prestado por policiais. Quem deve fazer isso são os serviços de resgate e emergência. Esse suposto socorro só serve para atrapalhar as investigações."

As execuções na Baixada Santista voltaram a ganhar destaque na imprensa com a onda de violência que atingiu a região em abril, após a morte do policial da Força Tática Paulo Rafael Pires. Vinte e três jovens teriam sido assassinados em represália em menos de uma semana. A Polícia Civil chegou a divulgar uma lista com 50 jurados de morte por supostos grupos de extermínio integrados por PMs.

Passado mais de um mês dos ataques, no entanto, apenas um homem havia sido preso: Eduardo Rodrigues Nascimento, acusado de matar o policial Pires. Descontente com as investigações do caso, o secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, reuniu-se com o comando da PM na Baixada e exigiu a prisão dos policiais supostamente envolvidos nos crimes. A morosidade em identificá-los também teria causado o afastamento do corregedor Davi Nelson Rosolen. Em seu lugar entrou o coronel Admir Gervásio Moreira, que era chefe do Comando de Policiamento Metropolitano.

A troca não chegou a ser celebrada por organizações de defesa dos direitos humanos. Sob o comando de Moreira, os policiais do CPM mataram 139 civis em confrontos de maio de 2009 a março de 2010. Isso representa um aumento de 71,6% na letalidade da atuação policial em relação ao período correspondente anterior, em que policiais sob seu comando mataram 81 suspeitos em serviço.

O temor dos familiares das recentes vítimas é a impunidade que marcou as investigações das mortes ocorridas em maio de 2006, época dos ataques do PCC, quando 564 pessoas foram mortas em todo o estado por armas de fogo. Na Baixada Santista, diversas mortes são atribuídas a grupos "parapoliciais" nos inquéritos arquivados pelo Ministério Público.

Segundo o defensor público Antônio Maffezoli, houve omissão e negligência nas investigações. "Muitos homicídios nem sequer passaram pelo trabalho da perícia. Chegou-se ao absurdo de policiais cobrarem dos familiares de vítimas provas para dar continuidade às investigações."

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo encaminhou, em 17 de maio, um pedido ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. O documento, também subscrito pela ONG Justiça Global, sugere que ele solicite à Justiça o deslocamento de competência das investigações de seis casos, envolvendo nove vítimas, às autoridades federais. Todos os casos apresentam indícios de atuação de grupos de extermínio e foram arquivados.

A reabertura dos casos é a grande esperança de Débora Maria Silva, líder do movimento Mães de Maio. Seu filho, o gari Edson Rogério Silva dos Santos, de 29 anos, foi executado em 15 de maio de 2006, pouco depois do Dia das Mães. Testemunhas afirmam ter visto policiais agredindo o rapaz, que cumpriu pena por roubo, em um posto de gasolina momentos antes de ser assassinado.

"Naquela noite, a ficha criminal do meu filho foi consultada mais de 20 vezes pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). Mas ninguém soube informar quem fez aquelas consultas. Também não fizeram a perícia na moto do meu filho nem ouviram testemunhas", diz Débora. "Eu alertei a polícia de que o posto de gasolina tinha câmeras, mas os policiais só requisitaram as gravações dois meses depois, quando as fitas já haviam sido apagadas."

Para Débora, o mesmo grupo de extermínio que matou seu filho é o responsável pelas atuais mortes. “Eles nunca pararam de matar. Todos os crimes têm as mesmas características. Por isso, continuo na luta pela punição dos assassinos de nossos filhos.”

''O Estado hoje usa máscaras''

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100613/not_imp565829,0.php

13 de junho de 2010 | 0h 00

Bruno Paes Manso - O Estado de S.Paulo

Primeiramente veio a tragédia. Em maio de 2006, Débora Maria da Silva perdeu o filho, o gari Edson Rogério da Silva, assassinado aos 29 anos em Santos nos dias que se seguiram aos ataques do Primeiro Comando da Capital. Na busca por Justiça, encontrou uma causa. Em conversas com outras mães de jovens que morreram no mesmo período, ela criou a Fundação de Amparo a Mães e Familiares Vítimas de Violência, conhecida como Mães de Maio, com o objetivo de lutar contra a impunidade em casos de violência praticados por policiais.

Nos casos de maio de 2006, ela percebeu alguns procedimentos comuns aos supostos crimes cometidos por policiais ? que acabaram sendo arquivados sem que fossem encontrados os culpados. Havia motos e autores com toucas ninjas, que depois do crime recolhiam as cápsulas disparadas. Em parceria com a entidade Observatório das Violências Policiais, eles passaram a acompanhar dezenas de jornais paulistas para contabilizar o total de pessoas mortas no Estado de São Paulo por assassinos mascarados.

Desde os ataques do PCC, 360 pessoas foram mortas por criminosos vestindo toucas ninjas segundo reportagens de jornais. Não é possível dizer que esses crimes foram praticados por policiais. Mas Débora afirma que os números deveriam provocar um debate maior na sociedade. "O Estado hoje usa máscaras", afirma Débora. Ela acredita que o arquivamento dos casos de Santos contribuíram para que policiais continuassem agindo movidos pelo impulso da vingança, usando os mesmos métodos que já mostraram ser eficientes e garantem a impunidade.

No fim de 2009, a morte de um policial no Guarujá já havia provocado reações de encapuzados. Morador de Morrinhos, bairro pobre da cidade, um jovem ligado ao grupo das mães, que pediu para não ser identificado, conta que teve o primo atacado por disparos no bairro de Santo Antônio. Ele acabou sobrevivendo e no ataque outras duas pessoas foram atingidas por disparos. "Nessas disputas, acaba sobrando para quem não tem nada a ver. A vingança ocorre contra quem está de bobeira no meio da rua", afirma.

Em muitos casos, a truculência policial não se resume somente aos justiçamentos privados. Assassinatos muitas vezes estão associados a outras atividades criminais, como ocorreu entre policiais do 18.º Batalhão da Polícia Militar, acusados de matar o coronel José Hermínio Rodrigues, comandante da polícia da zona norte de São Paulo. O motivo do assassinato seria a interferência do coronel no esquema de caixinha paga a policiais corruptos por traficantes locais. Eles também faturavam com dinheiro de caça-níqueis.

Neste ano, para lidar com o problema nas tropas, além de afastar os suspeitos de envolvimento, a Secretaria da Segurança Pública tem cobrado medidas dos comandos policiais. No caso da Baixada Santista, a lentidão nas apurações dos assassinatos levou à troca da chefia da Corregedoria de Polícia.

sábado, junho 12, 2010

Dois mortos e quatro feridos pela PM na Nova Holanda

11.06.10 às 23h58 > Atualizado em 12.06.10 às 00h28

POR MARCO ANTONIO CANOSA - O Dia online

Rio - Duas pessoas foram mortas e quatro ficaram feridas durante operação da Polícia Militar, no início da noite de sexta-feira, na Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré. Todas as vítimas estavam numa barbearia e, segundo moradores, não tinham envolvimento com o tráfico de drogas. Entre os feridos está uma criança de 5 anos, que foi baleada numa das mãos e perdeu três dedos. O menino foi transferido ainda na noite desta sexta-feira para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, parta ser operado por um ortopedista.

A incursão começou por volta das 18h. Segundo testemunhas, policiais do 22º BPM (Maré) teriam atirado contra uma barbearia na Rua Santa Rita. O frentista Paulo Cardoso Batalha, 42 anos, e Davison Evangelista Pacheco, 19, que era deficiente auditivo e estava na cadeira de barbeiro quando foi atingido, morreram.

Filho do frentista, Gabriel Batalha, de 5 anos, que estava no colo do pai, foi baleado na mão e levado para o Hospital de Bonsucesso. Também foram socorridos para a mesma unidade o pedreiro Rodson Soares Gomes, de 21, o barbeiro Alessandro Oliveira do Nascimento, de 25, e Gilberto dos Santos, de 35.

Revoltados, parentes das vítimas foram até o batalhão, mas alegam que não foram recebidos pelo comandante. Eles afirmaram também que pertences das vítimas foram levados pelos PMs. Já o tenente-coronel Glaucio Moreira disse estar à disposição dos moradores na unidade. O oficial afirmou que os policiais foram recebidos a tiros por traficantes e revidaram. O oficial disse que passou o caso para investigação da Polícia Civil e que também vai abrir procedimento interno para apurar o caso. "Vamos tratar de tudo com a maior lisura e apurar o que de fato aconteceu", afirmou.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios. Sexta à noite policiais da especializada estiveram no Hospital Geral de Bonsucesso e ouviram familiares das vítimas e testemunhas da incursão policial à favela.

.

Grupos de extermínio se unem para formar milícia em SP

12/06/2010-07h35
DE SÃO PAULO

Folha.com

Investigações do Ministério Público Estadual e das polícias Civil e Militar apontam que PMs suspeitos de integrar grupos de extermínio nas zonas norte e leste se uniram para formar uma espécie de milícia. A informação é da reportagem de André Caramante, Rogério Pagnan e Afonso Benites publicada na edição deste sábado da Folha (íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL).

O texto afirma que o grupo envolve policiais de ao menos quatro batalhões na capital e tem cerca de 50 integrantes. Já os objetivos desses PMs, segundo a cúpula da segurança pública, são: torná-los um grupo mais forte para assumir o controle do tráfico de drogas e intimidar policiais civis para evitar prisões.

Documentos obtidos pela Folha revelam que parte do plano já está em execução. Há ainda escutas telefônicas apontando a ligação entre os dois grupos.

Dois delegados e um investigador do DHPP (departamento de homicídios), responsáveis por investigar mortes na zona norte e chacinas, foram ameaçados por homens que a Polícia Civil acredita serem PMs.