NOVO MANIFESTO PELA FEDERALIZAÇÃO DOS CRIMES DE MAIO, E FIM DA "RESISTÊNCIA SEGUIDA DE MORTE"

segunda-feira, agosto 27, 2012

QUEM POLICIA A POLÍCIA?!




POR UMA OUVIDORIA EXTERNA, AUTÔNOMA E POPULAR DA POLÍCIA EM SP!

Estado de São Paulo, 27 de Agosto de 2012

Hoje será escolhida a lista tríplice de “indicações da sociedade civil” para o cargo de Ouvidor da Polícia do estado de São Paulo. Sim, o homem ou a mulher que coordenará este trabalho nos próximos 2 anos, trabalho que deveria ser extremamente importante, imprescindível, sobretudo no contexto que vivemos atualmente, de crescente violência policial de todas as formas (violações diversas, abusos, corrupção, abordagens violentas, torturas, encarceramento em massa, fortalecimento de grupos de extermínio, aumento das execuções extra-judiciais e sumárias, em especial contra a juventude pobre e negra), terá o primeiro passo de sua eleição hoje à tarde. A nomeação final, posteriormente, será dada a um dos três escolhidos, atualmente ainda pelo Sr. Governador Geraldo Alckmin – a principal figura perante a qual a Ouvidoria deveria ter total independência e autonomia.

Apesar da extrema importância e urgência desse trabalho, que poderia e deveria estar sendo desenvolvido de forma muito melhor numa parceria séria, madura e comprometida, entre o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de SP (Condepe-SP), a própria Ouvidoria das Polícias, a Defensoria Pública (sobretudo o seríssimo Núcleo de Direitos Humanos da DP) , o Ministério Público (em especial o Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial do MP), e sobretudo junto à Sociedade Civil, infelizmente são pouquíssimas as pessoas que tem acesso a este trabalho, tem real conhecimento dele, de como se dá esse tipo de escolha, muito menos sobre como participar desse processo. Ou seja: na prática não tem existido em São Paulo, ao longo dos últimos anos, um efetivo trabalho de Ouvidoria e Fiscalização Externa e Popular da atuação policial em nosso estado.

Como, mais uma vez, nós do movimento Mães de Maio e da Rede Nacional de Familiares e Amig@s de Vítimas do Estado não poderemos participar diretamente da escolha, sequer, desta lista tríplice a ser avalizada pelo Sr. Governador Geraldo Alckmin – quem escolhe a lista são apenas os 11 membros titulares da Diretoria do Condepe-SP, gostaríamos entretanto de aproveitar a oportunidade tanto para compartilhar certas informações com o restante da Sociedade Civil paulista, bem como registrar publicamente algumas pré-condições a nosso ver fundamentais para uma efetiva mudança no trabalho desta instituição:

Em primeiro lugar, nós do movimento Mães de Maio, que na prática temos feito um trabalho informal, autônomo e popular de “ouvidoria sobre a atuação policial” aqui no estado, queremos registrar com o devido acento que um trabalho desta natureza deve ser INDEPENDENTE E SUPRAPARTIDÁRIO. Qualquer que seja a pessoa, entre os 7 candidatos inscritos, a assumir esta importante função, queremos perguntar e saber dessa pessoa se ela assume o compromisso de ter uma atuação firme, suprapartidária e autônoma, encaminhando assim as demandas que lhe forem apresentadas de forma independente em relação às táticas e/ou estratégias de sua eventual proximidade com esta ou aquela organização político e partidária.

Em segundo lugar, sempre a partir de nossa prática cotidiana incansável, nós acreditamos que para se assumir uma função como esta, é preciso que a pessoa tenha conhecimento não apenas “técnico” e “de gestão” sobre a matéria, mas especialmente um CONHECIMENTO PRÁTICO E COTIDIANO na luta pela defesa dos direitos humanos fundamentais das pessoas humanas, sobretudo aquelas alvos preferenciais da violência policial. É preciso ter um histórico de atuação e convívio junto às vítimas da polícia, junto a seus familiares, junto às dores e sofrimentos, de engajamento efetivo na luta pela verdade e por justiça em relação aos policiais violentos da atualidade, é preciso conhecer a dinâmica cotidiana das delegacias e prisões, enfim. E, além de conhecimento e histórico de defesa, é e será preciso ter CORAGEM REDOBRADA para assumir esse cargo específico, em meio a uma enorme crise de segurança pública em todo estado agora em 2012, situação que não aponta grandes mudanças ao longo dos próximos dois anos de sua atuação. É preciso ter INDEPENDÊNCIA, CONHECIMENTO E CORAGEM para enfrentar todas as violações, arbitrariedades e violências cometidas pelos agentes policiais e os grupos paramilitares associados, direta ou indiretamente, ao estado.

Finalmente, e talvez o mais importante de tudo, nós gostaríamos de saber de cada um dos 7 atuais candidatos, quem de vocês se compromete em construir um processo de FORMAÇAÕ DE UM CONSELHO POPULAR DA OUVIDORIA DA POLÍCIA – com burocracia diminuta na sua composição, assegurando a participação de organizações populares, a partir do qual se construa a FORMAÇÃO COLETIVA DE UMA EQUIPE (atualmente são cerca de 10 assistentes diretos + 5 assessores, além de outras funções associadas ao Ouvidor da Polícia), e assim comecemos a dar passos efetivos no sentido de uma OUVIDORIA EXTERNA, AUTÔNOMA E POPULAR de toda atuação policial no estado de São Paulo.

Vale registrar bem registrado aqui que não somos apenas nós quem estamos exigindo isso, mas trata-se de uma Recomendação Pactuada em nível Federal, para todas as instituições e instâncias do Pacto Federativo, conforme o Plano Nacional de Direitos Humanos – 3 (PNDH-) (Pág. 123 - http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf):

“Criar ouvidoria de polícia com independência para exercer controle externo das atividades das Polícias Federais e da Força Nacional de Segurança Pública, coordenada por um ouvidor com mandato.

Responsáveis: Ministério da Justiça; Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República

Recomendação: Recomenda-se aos estados e ao Distrito Federal a criação, com marco normativo próprio, de ouvidorias de polícia autônomas e independentes, comandadas por ouvidores com mandato e escolhidos com participação da sociedade civil, com poder de requisição de documentos e livre acesso às unidades policiais, e dotadas de recursos humanos e materiais necessários ao seu funcionamento.”

Nós reforçamos que gostaríamos de saber de cada um dos 7 atuais candidatos ao cargo de Ouvidor da Polícia do estado de São Paulo [a jornalista Ana Silvia Puppim, a educadora social Antonia Márcia Araújo Guerra Urquizo Valdivia e os advogados Ariel de Castro Alves, José de Jesus Filho, Júlio César Fernandes Neves (atual ouvidor-adjunto), Luiz Gonzaga Dantas (atual ouvidor) e Walter Forster Junior], qual de vocês se compromete com estes princípios e medidas acima elencados, bem como gostaríamos de receber de cada um de vocês o PLANO DE GESTÃO pensado por vocês pelos coletivos e/ou organizações que lhes dão sustentação política nesta eleição. Trata-se de um documento e de um compromisso fundamental, a nosso ver, para podermos ter um parâmetro efetivo sobre o quê podemos esperar para esses próximos 2 anos de Ouvidoria da Polícia no estado de São Paulo.



FIRMES NA LUTA,

POR UMA OUVIDORIA EXTERNA, AUTÔNOMA E POPULAR DA POLÍCIA EM SP!

PELO DIREITO À MEMÓRIA, À VERDADE, À JUSTIÇA E À PAZ NAS PERIFERIAS DE SP!


MÃES DE MAIO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA

terça-feira, agosto 21, 2012

ATÉ QUANDO TRATARÃO AS MÃES E FAMILIARES COMO SERES POLÍTICOS DE SEGUNDA CATEGORIA?!?!?!




Estado de São Paulo, 21 de Agosto de 2012

#PELA DERRUBADA DOS MUROS ENTRE OS “POLÍTICOS” E OS “COMUNS”!

Toda pessoa minimamente sensível às questões sociais tem acompanhado, de alguma maneira, a situação preocupante que atingiu a violência policial no estado de São Paulo ao longo do último período – que nós chamamos dos "Crimes de Junho/Julho de 2012". Depois de muita pressão nos últimos meses, de tod@s nós que lutamos, cotidiana e incansavelmente, contra a violência policial no Brasil, e no caso de nós das Mães de Maio, lutando especialmente aqui no estado de São Paulo, enfim a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) convocou para hoje, 21 de Agosto de 2012, uma reunião ordinária para tratar do tema: “violência policial em São Paulo”.

Ocorre que, conforme já alertamos ontem, nós do movimento Mães de Maio e da Rede Nacional de Familiares de Vítimas do Estado, não havíamos sido sequer consultados ou notificados sobre tal reunião, muito menos convidados (nem formal nem informalmente) para participar da mesma. Ao contrário, ficamos sabendo ontem, na véspera da famigerada reunião, de maneira indireta através de uma breve nota no Painel do jornal Folha de S. Paulo:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/61846-painel.shtml
“Blitz - A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) pilota amanhã brainstorm sobre a violência policial em São Paulo. O tema será dissecado pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Entre os convidados, a defensora pública Daniela Skromov, e Marcelo Zelic, da ONG Tortura Nunca Mais."

Surpres@s e indignad@s com a informação do jornal, nós tomamos o cuidado de confirmar ontem mesmo, de forma aberta, direta e transparente, com todas as pessoas e entidades arroladas na pequena nota, sobre a veracidade da reunião, seu teor, formato e composição. Foi então que confirmamos: de fato, a reunião ocorreria (ocorrerá) hoje, exatamente sobre o tema “violência policial em São Paulo”, com a participação de organizações do Brasil inteiro, tendo sido convidados aqui de São Paulo o Condepe-SP, o MNDH-SP, além da já citada companheira Defensora Pública Daniela Skromov e o companheiro ativista Marcelo Zelic do GTNM-SP. Um dos altos representantes da SDH ainda nos confirmou que a dita reunião foi motivada, entre outras razões, fundamentalmente por duas recentes Cartas Públicas (http://global.org.br/programas/maes-de-maio-entregam-carta-a-presindente-dilma-rousseff/ e http://www.avaaz.org/po/petition/Desmilitarizacao_das_Policias_do_Brasil) que nosso movimento publicizou e protocolou (no último dia 23 de Julho) na Presidência da República, a qual pediu para alguns ministérios providências relacionadas ao tema. Ou seja, nos confirmaram que as nossas Cartas foram elemento fundamental para eles terem marcado esta reunião, para a qual nós não fomos convidad@s!

Malgrado o nosso total respeito à atuação firme que vem tendo a companheira do Núcleo de DH da Defensoria Pública, Dra. Daniela Skromov (o quê nos motivou por livre-iniciativa inclusive a indicá-la, neste primeiro semestre, para o Prêmio Anual da Anadep) e aos companheiros do GTNM-SP (como o convidado companheiro Marcelo Zelic), que têm atividade combativa bastante distinta da omissão recente que observamos no Condepe-SP e no MNDH-SP (também arrolados para a reunião) justamente no que tange a violência policial atual, achamos extremamente sintomático e preocupante que, para uma "tempestade cerebral" sobre o tema da "violência policial em São Paulo", a Secretaria de Direitos Humanos e o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana insista em não chamar as Mães e Familiares diretos, que estamos passando por todo o LUTO e LUTANDO cotidiana e incansavelmente sobre a temática HÁ MAIS DE 6 ANOS...

Sendo um encontro ordinário do CDDPH, não podemos esquecer que, no final de 2010, ainda sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o então Ministro dos Direitos Humanos Sr. Paulo Vannucchi encaminhou a criação de uma Comissão Especial “Crimes de Maio”, dentro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), que a princípio ainda seguia ou segue trabalhando. Entre outras questões, esta Comissão e o próprio Conselho deveria nos dar satisfações detalhadas sobre o pedido de Federalização dos "Crimes de Maio de 2006", que havíamos feito com a Defensoria Pública de SP (com o Dr. Antonio Mafezzoli lado-a-lado conosco), Acat, Movimento Negro, entre outras entidades, em Maio de 2010; além de justamente satisfações sobre a persistência da Violência Policial em SP desde lá, questão pontuada no pedido de "deslocamento de competência"... (logo após os Crimes de Abril de 2010!!!) Nós estamos acompanhando de perto se tais iniciativas realmente avançarão no sentido do Direito à Memória e à Verdade completa, para a sociedade como um todo, sobre cada um desses períodos (e referente a todos os trabalhadores vitimados pelo estado na democracia, à luz dos procedimentos que têm sido tomados em relação às vítimas da Ditadura), criando também efetivas condições para que o Direito à Justiça seja efetivado.

Não podemos esquecer também, quanto à SDH, que nós estamos aguardando um retorno formal da Ministra Sra. Maria do Rosário desde 12 de Dezembro de 2011, portanto há mais de 8 meses, referente à situação da violência policial em São Paulo - logo após ela ter entrado em contato, a partir de reunião e depois protocolo de nosso movimento, com o Sr. Governador Geraldo Alckmin... Caso a SDH e o Governo Federal tivessem agido de forma mais incisiva ao longo deste período, talvez tivéssemos evitado ou pelo menos amenizado os Crimes de Junho e de Julho de 2012 em São Paulo...

Não podemos esquecer ainda, conforme já citado sobre o contexto dessa reunião de hoje, que nós protocolamos junto à Presidência da República, no último dia 23 de Julho, uma carta pedindo justamente "em caráter emergencial, o acompanhamento político e jurídico por parte da Esfera Federal (Presidência, Ministério da Justiça, Secretaria de Direitos Humanos, Secretaria Nacional de Justiça, Ministério Público Federal, Defensoria Pública Federal e CNJ) da atual Crise de Segurança Pública no Estado de São Paulo, que já vitimou mais de 200 pessoas ao longo destes últimos dois meses. Todas as principais esferas executivas e jurídicas do estado de São Paulo têm demonstrado, recorrentemente, desde os Crimes de Maio de 2006, sua incapacidade de lidar com crises de segurança pública como esta de 2012, a exemplo do que já tinha ocorrido em Abril de 2010 e Maio de 2006, dentre outros momentos". Exatamente o tema desta sessão ordinária do CDDPH, para a qual nós não fomos sequer consultad@s ou informad@s previamente, muito menos convidad@s.

Esperamos sinceramente que a SDH e o CDDPH não estejam reproduzindo, voluntária ou involuntariamente, o modelo elitista e racista de considerar as Mães, Familiares e Amig@s de vítimas da Juventude Pobre e Negra moradora das Periferias, DESPROVIDAS DE CÉREBRO PARA PARTICIPAR DE QUALQUER "BRAINSTORM" MAIS FORMALIZADO SOBRE A MATÉRIA...

O argumento de que o espaço da reunião de hoje seria um momento "em que se privilegia uma fala mais acadêmica ou mais técnica", só tornaria mais grave esta nossa preocupação. Afinal caso se tratasse de um momento específico desta natureza, que dependendo dos termos poderia até ser razoável, o quê explica o convite a vários outros movimentos sociais, “organizações de direitos humanos” e a participação de nosso companheiro Marcelo Zelic do GTNM-SP, e sequer qualquer consulta a nós?! O MNDH e o GTNM-SP, por exemplos, seriam "movimentos sociais" mais "técnicos e acadêmicos" do que o movimento social Mães de Maio e a Rede Nacional de Familiares de Vítimas do Estado Democrático?! NADA NEM NINGUÉM PODE SUBSTITUIR À ALTURA A FALA DIRETA DAS MÃES E DOS FAMILIARES!

Nesse mesmo sentido, não podemos jamais menosprezar um longo histórico aqui no Brasil da negação das vozes e da legitimidade da participação política de certos setores da sociedade brasileira, especialmente a maioria da população, Trabalhadoras e Trabalhadores Pobres e Negros, que sempre tiveram que depender do "Doutor", do "Especialista" ou do "Político Representante Profissional" para falar em seu nome, um tipo de prática que nós do movimento Mães de Maio de da Rede Nacional de Familiares jamais aceitaríamos ou aceitaremos. Ademais, um modelo elitista, colonialista e racista que, comprovadamente, não levou a nenhum resultado histórico satisfatório do ponto de vista dos trabalhadores. O Brasil segue ostentando, em plenos anos 2010, taxas que giram em torno de 48.000 homicídios por ano (http://www.unodc.org/unodc/en/data-and-analysis/statistics/crime/global-study-on-homicide-2011.html), tendo aprisionados em seus infames cárceres cerca de 520.000 pessoas (http://portal.mj.gov.br/depen/), a grande maioria de jovens pobres e negros, nascidos e criados em comunidades periféricas – cujas vozes diretas jamais são escutadas.

Outro fato extremamente grave, em nossa visão, é se pensarmos comparativamente na distinta maneira como os Ex-Presos, Perseguidos Políticos e os Familiares de Vítimas da Ditadura Civil-Militar (1964-1988) têm sido envolvidos em TODAS as importantes discussões, técnicas, acadêmicas e/ou políticas levadas a cabo pelo Governo Federal no que se refere ao Direito à Memória, à Verdade e à Justiça ao longo dos últimos anos (e distintos governos), referente às Violações cometidas pelo Estado Ditatorial e seus Agentes Autoritários e Assassinos - inclusive os avanços importantes levados a cabo pela SDH nos últimos anos, desde a gestão do Dr. Paulo Vannuchi; como também a Comissão da Anistia, do Ministério da Justiça; e agora a Comissão Nacional da Verdade. Esforços todos frente aos quais nós das Mães de Maio temos sido sempre absolutamente solidários. Em comparação conosco, com as Vítimas e Familiares de Vítimas do Estado durante o atual período "democrático", sendo a maioria de Pobres, Negros moradores de comunidades Periféricas, não temos verificado em absoluto o mesmo tipo de tratamento nem técnico, tampouco político - de qualquer uma das instâncias. Poderia isto ser, eventualmente, mais um dos tristes resquícios do período ditatorial, a separação entre "seres políticos" e meros "seres comuns"?!

Enfim, gostaríamos com essa nota de registrar publicamente o nosso repúdio a mais esse descaso para com nosso movimento de Mães, Familiares e Amig@s de Vítimas Diretas do Estado Demcorático. Queremos reiterar de uma vez por todas que o movimento Mães de Maio e a Rede Nacional de Familiares de Vítimas do Estado Brasileiro NÃO ESTAMOS NESSA HISTÓRIA DE BRINCADEIRA, MUITO MENOS POR QUALQUER INTERESSE POLÍTICO-PARTIDÁRIO OU CORPORATIVO DE QUALQUER ESPÉCIE. NÓS ESTAMOS FAZENDO UM TRABALHO (QUE É A NOSSA PRÓPRIA RAZÃO DE VIVER!!!) ABSOLUTAMENTE SÉRIO, PARA MARCAR AINDA MAIS A HISTÓRIA PROFUNDA DESSE PAÍS... E, SEM QUALQUER MODÉSTIA, ESTAMOS APENAS NO INÍCIO DE UM VERDADEIRO MARCO HISTÓRICO... Quem acompanha as nossas atividades todas, os nossos textos, o nosso blog e o nosso facebook, que esta semana atingiu mais de 12.000 seguidores diretos e 36.000 indiretos - e por isso tem sido criminalizado e atacado nestes últimos tempos, enfim, quem acompanha a nossa caminhada deveria saber porque viemos e para que viemos...

Uma de nossas principais motivações históricas, de grande fôlego e extremamente cara a nós, se trata justamente da derrubada definitiva dos muros, criados durante a Ditadura Civil-Militar brasileira também com a conivência de muitos ex-presos e perseguidos (muitos dos quais atualmente nos poderes), entre as galerias dos chamados “presos políticos” e os reles “presos comuns”. Nós entendemos que havia (e continua havendo!) demasiada política no encarceramento e no genocídio promovido pelos esquadrões da morte e das prisões, que não só permaneceram intactos, como também ampliaram o seu poder de fogo e de opressão durante este período chamado de “redemocratização”. É da derrubada desses muros, físicos e simbólicos, de dentro das prisões e por fora entre os becos e vielas aonde nascem, crescem e morrem a maioria dos trabalhadores brasileiros, pobres e negros, que nós nos alimentamos cotidiana e incansavelmente.

É bebendo desse sumo de Memória e Verdade, Justiça e Liberdade que nós seguimos e seguiremos nossa trajetória! Aguardamos ainda um agendamento formal por parte, diretamente, da Presidenta da República Sra. Dilma Vana Rousseff, e agora também a Ministra dos Direitos Humanos, Sra. Maria do Rosário. Porém nosso movimento fundamental é nas ruas, dos 8 anos do Massacre da Sé (2004), completados agora no último dia 19 de Agosto, rumo aos 20 anos de impunidade do Massacre do Carandiru (1992), no próximo dia 02 de Outubro.

Seguimos firmes na Luta!

#PELA DERRUBADA DOS MUROS ENTRE OS “POLÍTICOS” E OS “COMUNS”!

MÃES DE MAIO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA
pelo Direito à Memória, à Verdade e à Justiça - Ontem e Hoje!

terça-feira, agosto 14, 2012

sexta-feira, agosto 10, 2012

LUTAR PELA VIDA NÃO É CRIME!


Era previsível... mas não passarão!!!



DIREITO À MEMÓRIA, À VERDADE E À JUSTIÇA! DIREITO À VIDA EM PAZ!


Santos, dia 08 de Agosto de 2012

Frente à recente multiplicação das críticas à atuação policial no estado de São Paulo, vindo de todas as partes aqui no Brasil e no Mundo, do Ministério Público Federal à Organização das Nações Unidas, bem como o enorme aumento da repercussão de nossas denúncias populares e apelos contra a violência policial, era previsível que os fascistas de turno fossem reagir tentando estigmatizar e criminalizar os seus críticos legítimos.

Nesta terça-feira (07/08/2012), durante um "Ato de Desagravo à PM" montado por parlamentares militares na ALESP, em São Paulo, o coronel Jairo Paes de Lira, ex-deputado federal, ex-comandante metropolitano da Polícia Militar em São Paulo e atual candidato a vereador pelo DEM na capital, afirmou que as pessoas e as entidades que defendem os cidadãos das arbitrariedades e violências cometidas pela Polícia Militar no estado fazem "parte de facções criminosas".

No mesmo dia, em Santos-SP, durante o julgamento do "PM do Carro Preto", na Baixada Santista, o seu advogado mais uma vez manobrou junto ao Júri para adiar e, assim, atrapalhar - novamente!!! - a Audiência do Julgamento de seu cliente, e ainda forjou um Boletim de Ocorrência acusado uma senhora, que teria o agredido, dela ser "integrante das Mães de Maio". Relatou que esta senhora teria feito ameaças a ele etc etc. Agressões e ameaças que, no caso de terem realmente sido feitas por quem quer que seja, o foram por alguém que não integra, muito menos poderia responder por nosso movimento, pois não corresponde a nossa conduta irretocável na luta pacífica pela Verdade e por Justiça, sempre buscando uma sociedade onde prevaleça a Igualdade, a Liberdade, e a Paz.

Diante de mais essas declarações e medidas fajutas buscando claramente estigmatizar o nosso movimento Mães de Maio, com o patente interesse de criminalizá-lo, nós vimos por meio desta reiterar enfaticamente que somos uma Rede de Mães, Familiares e Amigos de Vítimas da Violência com o exclusivo interesse de defender o Direito à Memória, à Verdade e à Justiça referente aos nossos entes queridos vitimados injustamente pela violência de agentes do estado. Superando a dor irreparável da perda fatal de nossos filhos e entes queridos, lutamos cotidianamente pela Verdade e por Justiça em relação a TODAS as vítimas atingidas pelos mais diversos tipos de violações dos Direitos Humanos mais fundamentais, a começar pelo direito à vida e à liberdade de ir e vir em segurança por nossas cidades. Nosso maior atestado são os calos nas nossas mãos, e as feridas no nosso corpo e na nossa alma, todas elas causadas por um estado opressor.

Não é por outra razão, senão por conta de nossos princípios e práticas cotidianas em busca de justiça e transformação social pela paz, que ao longo desses mais de 6 anos de existência nosso movimento já foi amplamente reconhecido nacional e internacionalmente, por entidades como a Anistia Internacional, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, a Human Rights Watch, a Clínica de Direitos Humanos da Universidade de Harvard, o Prêmio Nacional 2010 de Direitos Humanos da Secretaria de DH da Presidência da República do Brasil, a Associação de Juízes pela Democracia, o Prêmio Nacional 2011 da Associação Nacional dos Defensores Públicos, o Prêmio Santo Dias 2011 de Direitos Humanos da ALESP, homenagem da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça pelo Dia da Mulher em 2012, indicados para o Prêmio de DH 2012 da OAB-SP, entre diversas outras manifestações contundentes de reconhecimento e congratulação pelo nosso compromisso incansável com a Verdade, a Justiça e os Direitos Humanos, sobretudo da população mais pobre e vulnerável no Brasil.

Nada nem ninguém nos desviará desses princípios, desse compromisso e dessa firme trajetória, irretocável! Tampouco conseguirá, sob nenhuma hipótese, nos estigmatizar fraudulentamente com caracterizações ou criação de situações que não nos dizem respeito, em absoluto!


MOVIMENTO MÃES DE MAIO
por Verdade e Justiça, Ontem e Hoje!

domingo, julho 29, 2012

PELA DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS EM TODO BRASIL!


ASSINE AQUI A PETIÇÃO: www.avaaz.org/po/petition/Desmilitarizacao_das_Policias_do_Brasil


A Constituição Federal Brasileira de 1988, prestes a completar seu primeiro quarto de século, é obrigada a conviver com uma série de fracassos sobre diversos pontos de seu texto magno. Muitos dos direitos humanos por ela assegurados, a começar pelo direito à vida e à liberdade de ir e vir, continuam sendo cotidianamente violados.

Dentre esses problemas, um dos principais entulhos do período Escravocrata e, mais recentemente, da Ditadura Civil-Militar, é a violência sistemática de agentes do estado contra a nossa própria população. A violência policial é hoje, certamente, um dos principais problemas a serem enfrentados pelo Brasil no que tange à defesa dos direitos humanos em nossa sociedade. A persistência da tortura nas abordagens cotidianas e nas delegacias policiais, como “técnica” de “investigação” por parte dessas instituições, mesmo pós-ditadura; o encarceramento massivo de pessoas (o Brasil atualmente ocupa a 4ª posição mundial, com mais de 520.000 pessoas em privação de liberdade); e, principalmente, as execuções extrajudiciais cometidas sistematicamente por agentes do estado, conformam um quadro preocupante em relação à segurança pública e à garantia da cidadania básica para a grande maioria da população.

É dentre os vários aspectos desse problema que as execuções sumárias cometidas por grupos de policiais militares ou paramilitares de extermínio configuram, por certo, a dimensão mais brutal. Não foi outra a conclusão do mais recente Mapa da Violência (2012), coordenado pelo professor Júlio Jacobo Waiselfisz e divulgado no início do ano pelo Ministério da Justiça (http://mapadaviolencia.org.br/PDF/Mapa2012_Tra.pdf), o qual procurou investigar “os novos padrões da violência homicida no Brasil”: ao longo dos últimos 30 anos, mais de 1 Milhão de pessoas foram assassinadas no país. Neste período histórico ironicamente concomitante à redemocratização brasileira, houve um aumento de 127% no número de homicídios anuais no território nacional – dos quais a imensa maioria das vítimas é composta por jovens pobres e negros, conforme demonstram as diversas estatísticas correlacionadas no estudo. Verdadeiros números de guerra.

Um cenário que tem preocupado crescentemente a opinião pública e diversos órgãos especializados em Direitos Humanos não apenas brasileiros, mas também diversas entidades mundo afora. Tendo em vista tudo isso, recentemente, multiplicaram-se no noticiário internacional demonstrações contundentes de preocupação por parte desses órgãos em relação ao Brasil: o recém-lançado “Estudo Global sobre Homicídios – 2011” (http://www.unodc.org/unodc/en/data-and-analysis/statistics/crime/global-study-on-homicide-2011.html), realizado pelo Departamento de Drogas e Crimes da ONU (UNODC) confirma que, dentre as 207 nações pesquisadas, o país apresenta o maior número absoluto de homicídios anuais: 43.909, em 2009 – sendo que já passou de 47.000 em 2011; a Anistia Internacional voltou a denunciar, em seu relatório anual de 2012, a violência e “o abuso policial como um dos problemas mais crônicos do país” (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/05/anistia-internacional-volta-denunciar-violencia-policial-no-pais.html); até o Departamento de Estado Norte-Americano, na sequência, afirmou que “a violência policial mancha os Direitos Humanos no Brasil” (http://m.estadao.com.br/noticias/nacional,abuso-policial-mancha-direitos-humanos-no-brasil-dizem-eua,877472.htm); e, ainda mais recentemente, o Conselho de Direitos Humanos da ONU recomendou explicitamente que o Brasil trate de “combater a atividade dos ‘esquadrões da morte’ e que trabalhe para suprimir a Polícia Militar, acusada de numerosas execuções extrajudiciais” (http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2012/05/30/paises-da-onu-recomendam-fim-da-policia-militar-no-brasil.htm).

Nas últimas semanas, por conta de nova onda de violência policial no estado de São Paulo (http://extra.globo.com/noticias/brasil/homicidios-crescem-21-na-cidade-de-sao-paulo-diz-ssp-5588005.html), voltou-se a falar na opinião pública de algo que nós da Rede Nacional de Familiares e Amigos de Vítimas defendemos há algum tempo: a DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS BRASILEIRAS. Este foi um dos temas defendidos na Audiência Pública realizada no dia 26/07/2012, em São Paulo, convocada pelo Ministério Público Federal, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, o Condepe-SP, as Mães de Maio, o MNDH e diversos outros movimentos do estado (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20624 ou http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=w410YJOqOzg). Foi também o quê defendeu o professor de filosofia da USP, Vladimir Safatle, em seu texto semanal como articulista no jornal Folha de S. Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/1124692-pela-extincao-da-pm.shtml).

Na madrugada do próprio dia 26 p/ 27/07/2012, uma chacina deixou 6 pessoas mortas na região do Jaçanã, Zona Norte de São Paulo, e diversas cápsulas de uso restrito da polícia foram encontradas nos locais das mortes (http://www.brasildefato.com.br/node/10192). Neste Sábado (28/07/2012), outra trágica notícia para todos nós: os policiais militares do BOPE fizeram mais uma vítima fatal no Rio de Janeiro: a menina Bruna Ribeiro da Silva, de apenas 10 anos, moradora do Morro da Quitanda, atingida por uma bala de fuzil na barriga, dentro de sua própria comunidade (http://oglobo.globo.com/rio/menina-vitima-de-bala-perdida-enterrada-sob-protestos-no-caju-5618236).

ESTE QUADRO DE TERROR COTIDIANO TEM QUE ACABAR!

PELA DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS EM TODO BRASIL! 

Neste Sábado (28/07/2012), os policiais militares do BOPE fizeram mais uma vítima fatal no Rio de Janeiro: a menina Bruna Ribeiro da Silva, de apenas 10 anos, moradora do Morro da Quitanda, atingida por uma bala de fuzil na barriga, dentro de sua própria comunidade (http://oglobo.globo.com/rio/menina-vitima-de-bala-perdida-enterrada-sob-protestos-no-caju-5618236).

Na semana passada (dia 19/07/2012), a PM de São Paulo em meio a vários assassinatos já havia tirado a vida do jovem Bruno Vicente de Gouveia e Viana, de apenas 19 anos, que recebeu 25 tiros no carro em que estava com mais 5 amigos, na comunidade do Morro do São Bento, em Santos-SP (http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2012/07/pm-atira-mais-de-25-vezes-contra-carro-com-jovens-em-santos.html).

O jovem Bruno e a menina Bruna se juntaram às CENTENAS DE MILHARES de vítimas fatais da violência policial militar no recente período "democrático" brasileiro. Passada formalmente a Ditadura Civil-Militar (1964-1988), as Polícias Militares seguem agindo dentro do país contra um "Inimigo Interno", exatamente da mesma maneira como a Ditadura evocava a autoritária "Lei de Segurança Nacional" para barbarizar seus oponentes, só que agora na Democracia os inimigos prioritários da polícia voltaram a ser os jovens pobres e negros moradores das periferias, de forma ainda mais violenta.

Em homenagem à Bruna e ao Bruno, e a todas as outras vítimas fatais cotidianas das polícias militares em todo país, durante os últimos 30 anos de "democracia", nós das Mães de Maio de SP, junto à Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência do RJ, a Campanha Reaja ou Será Mort@ da BA, a Frente Anti-Prisional das Brigadas Populares de MG, a Associação de Mães, Familiares e Amigos de Vítimas da Violência do Estado no ES, a Rede Dois de Outubro - Pelo Fim dos Massacres, e toda a Rede Nacional de Familiares e Amigos de Vítimas da Violência do Estado temos pedido há alguns anos a DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS EM TODO O BRASIL.

Vamos tod@s reforças essa ideia! Todas as Brunas e Brunos que compõem a maioria de nossa população, pobre e negra moradora das periferias, merecem cada minuto de nossa luta por Justiça e Paz!

#BRUNA E BRUNO SEGUEM PRESENTES EM NOSSA LUTA!
#PELA DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS DO BRASIL!
#PAZ NAS PERIFERIAS DE TODO O PAÍS!

terça-feira, julho 24, 2012

CARTA DAS MÃES DE MAIO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA À PRESIDENTA DILMA VANA ROUSSEFF





Estado de São Paulo, 23 de Julho de 2012,


"Pra quem vive na Guerra, a Paz nunca existiu!" Racionais MCs


Cara Senhora Presidenta Dilma Vana Rousseff,

Escrevemos daqui de dentro da guerra. Escrevemos neste momento em meio a uma nova onda de violência policial no estado de São Paulo, que já vitimou cerca de 200 pessoas nesses últimos dois meses, sobretudo jovens pobres e negros moradores da periferia, fazendo-nos reviver os Crimes de Maio de 2006. Escrevemos sob esta situação de tensão e de pressão limites, para além de cidadãs paulistas, como cidadãs e cidadãos brasileiros, que temos o direito de recorrer à Presidência quando os agentes e as instâncias estaduais todas insistem em se mostrar surdas e mudas frente a nosso clamor pela vida. E persistem cometendo barbaridades contra a sua própria população. Contra nós.

Não é a primeira vez que recorremos à Presidência da República, embora das vezes anteriores nós não tenhamos recebido ainda qualquer resposta dos Senhores... Ocorre que não podemos esperar mais, porque estamos tratando de milhares de vidas que se foram; de centenas de vidas que poderiam ter sido salvas se algumas das medidas abaixo tivessem sido efetivadas; e de outras tantas que poderão ser poupadas caso alguma atitude seja tomada urgentemente. Sem mais delongas, afinal a Senhora já foi vítima do estado e entende bem quando falamos de pressão-limite e de urgência, de modo que listamos abaixo alguns dos encaminhamentos emergenciais que gostaríamos de explicar pessoalmente à Senhora e aos Senhores da Presidência, e ver sair do papel urgentemente:

1 – Pedimos, em caráter emergencial, o acompanhamento político e jurídico por parte da Esfera Federal (Presidência, Ministério da Justiça, Secretaria de Direitos Humanos, Secretaria Nacional de Justiça, Ministério Público Federal, Defensoria Pública Federal e CNJ) da atual Crise de Segurança Pública no Estado de São Paulo, que já vitimou mais de 200 pessoas ao longo destes últimos dois meses. Todas as principais esferas executivas e jurídicas do estado de São Paulo têm demonstrado, recorrentemente, desde os Crimes de Maio de 2006, sua incapacidade de lidar com crises de segurança pública como esta de 2012, a exemplo do que já tinha ocorrido em Abril de 2010 e Maio de 2006, dentre outros momentos.

2 – Queremos um parecer definitivo da Presidência da República sobre o Pedido de Deslocamento de Competência, a Federalização das Investigações dos Crimes de Maio de 2006, requerido por nosso movimento há mais de 2 anos (em Maio de 2010). Naquela ocasião dos Crimes de Maio de 2006, foram mais de 500 mortes no curto período de cerca de 1 semana – mais pessoas assassinadas do que os já terríveis números de mortos e desaparecidos dos 20 anos de Ditadura Civil-Militar brasileira, no entanto praticamente TODOS os casos de 2006 seguem arquivados. Precisamos saber qual foi o resultado efetivo – se houve algum - da Comissão Especial “Crimes de Maio”, criada pelo ex-Ministro dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi dentro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), Comissão que, passados quase 2 anos de trabalho, não nos deu ainda nenhum parecer detalhado;

3 – Queremos também um encaminhamento efetivo no sentido de abolir definitivamente os registros de "Resistência Seguida de Morte", “Auto de Resistência” e afins em todo país – essa verdadeira “licença para matar” inconstitucional usada a torto e a direito por policiais assassinos em todo país. Conforme já estava previsto no PNDH-3, é preciso urgentemente se abolir o artigo 329 do Código Penal, e melhorar profundamente o artigo 292 do CP. A exemplo de qualquer outro cidadão brasileiro, a investigação de todas as mortes violentas provocadas por agentes do Estado deve ser tratada como casos de homicídios (dolosos ou culposos).

4 – É preciso se criar urgentemente uma Política Nacional voltada para os Familiares de Vítimas da Violência do Estado. Uma Política que aponte diretrizes de Amparo, Proteção, Assistência Psico-Social, Reparação (Material e Psíquica) e Indenização a todos os Familiares Diretos que são Vítimas Colaterais e Conexas da Violência do Estado;

5- Pedimos que o CNJ passe a acompanhar, junto à Defensoria Pública, os seguintes casos de mortes violentas relacionadas aos períodos dos Crimes de Maio de 2006; Crimes de Abril de 2010; a Matança de MCs na Baixada Santista; e os Crimes de Junho/Julho de 2012 no estado de São Paulo;

6- Para além da situação em São Paulo, é preciso a urgente Efetivação e Fortalecimento de todas as Defensorias Públicas Estaduais - sobretudo o caso de Santa Catarina, bem como o Fortalecimento e Maior Atuação Estadual da Defensoria Pública Federal;

7 - Julgamento e punição também para oficiais superiores, superiores hierárquicos, autoridades da segurança pública e do sistema prisional, responsáveis pelos agentes do Estado que cometeram ou cometem abusos, tortura e execuções sumárias;

8 – Também é preciso a Efetivação real do controle externo da atividade policial pelo Ministério Público e por Ouvidorias Policiais externas, com participação e controle da população; Controle externo da polícia e do MP por organismos da sociedade civil;

9 - Ampliação de espaços, efetivamente democráticos e populares, com poder deliberativo, para aumentar o acompanhamento, fiscalização, transparência e controle da população em relação à atuação do Ministério Público, Desembargadores e Juízes;

10 - Revisão dos critérios, divulgação e informação para formação do Júri Popular, de modo que represente efetivamente a sociedade (que em sua maioria é mulher, pobre e não branca) e seja corretamente informado e motivado;

11 - Contra a proibição de familiares e amigos de vítimas comparecerem com roupas com símbolos e fotos nas sessões de julgamento de agentes do Estado violadores de direitos humanos;

12 - Contra as decisões judiciais que concedem liberdade a agentes do Estado acusados de violações de direitos humanos, quando tal liberação significar ameaça e intimidação a familiares, testemunhas, movimentos sociais e defensores dos direitos humanos;

13 - Contra as decisões judiciais de adiamento de julgamentos de agentes do Estado acusados de violações de direitos, por alegações fúteis ou duvidosas como problemas de saúde de advogados dos réus;

14- Nós requerimos também à Presidência da República e ao Ministério da Justiça os primeiros encaminhamentos para a Criação de uma Comissão da Memória, Verdade e Justiça para as vítimas de agentes do estado durante o período democrático. No Brasil, nos últimos anos, têm morrido assassinadas cerca de 48.000 pessoas anualmente, segundo estudos recentes publicados pela ONU e divulgados pelo próprio Ministério da Justiça Brasileiro. Boa parte dessas mortes e desaparecimentos cometidas por agentes do estado em pleno cumprimento de suas obrigações, que deveriam ser garantir o direito à vida e à liberdade de ir e vir em paz de todos os cidadãos. A exemplo dos esforços recentes que têm sido feitos sobre a Ditadura Civil-Militar brasileira (1964-1988), é preciso se avançar no Direito à Memória, à Verdade e à Justiça das vítimas do período democrático (também conforme recomendação do PNDH-3);

15 – Por fim, exigimos também a Criação de uma Comissão da Anistia para os Presos, Perseguidos, Mortos e Desaparecidos Políticos por agentes do estado durante o período democrático. A exemplo do que foi instituído, no âmbito do Ministério da Justiça, em relação aos familiares e vítimas da Ditadura Civil-Militar, é preciso s eavançar no mesmo sentido quanto aos Presos, Perseguidos, Mortos e Desaparecidos Políticos da Democracia. Além das taxas de homicídio de países em guerra, temos atualme nte no Brasil mais de 500 Mil pessoas presas, segundo o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN). Há ainda inúmeras pessoas perseguidas políticas, ameaçadas de morte ou mesmo desaparecidas – como o nosso companheiro Paulo Alexandre Gomes, um dos desaparecidos dos Crimes de Maio de 2006 que exatamente hoje estaria completando 30 anos de idade. O estado precisa assegurar o Direito à Verdade e à Justiça para todos esses cidadãos e seus familiares.

Hoje, dia 23 de Julho de 2012, fazem exatos 19 anos desde a Chacina da Candelária, tamanha covardia cometida contra crianças e adolescentes dormindo, já em situação de rua, na frente de uma das principais igrejas em pleno centro do Rio de Janeiro. Hoje também o nosso querido Paulo Alexandre Gomes, um dos desaparecidos políticos dos Crimes de Maio de 2006, estaria completando o seu jovial 30º aniversário de uma vida que, no entanto, fora interrompida violentamente por agentes da Rota quando ele tinha apenas 23 anos de idade. Hoje, em meio a nova onda de violência policial e à atuação desses exterminadores, nós exigimos esta conversa e essas medidas urgentes da Presidência da República. Às crianças mortas na Candelária e ao jovem desaparecido Paulo Alexandre nós dedicamos esta nossa atitude de luta pela Verdade e por Justiça.

Não se trata de um pedido de favor, mas da exigência de direitos humanos fundamentais que temos como cidadãs e cidadãos brasileiros, como a Senhora e como qualquer outra pessoa nascida por aqui. Direito à Vida e à mínima Liberdade de Ir e Vir em segurança, sem corrermos o risco de morte por agentes de estado simplesmente por nossa origem, classe social ou cor da pele.

É preciso se tomar atitudes concretas e urgentes, ao preço de novas vidas perdidas caso nada continue a ser feito!

Pelo Direito à Memória, à Verdade e à Justiça: Ontem e Hoje!

A População Pobre e Negra não pode seguir sendo exterminada como subgente! Não somos todos iguais?!

Crimes de Maio Nunca Mais: Paz nas Periferias!

Firmes na Luta,

Mães de Maio da Democracia Brasileira



LETTER OF THE "MAY MOTHERS" (MÃES DE MAIO) FROM BRASIL TO PRESIDENT DILMA ROUSSEFF

São Paulo – SP, July 23th 2012


"For those that ever lived at war, peace has never been" Racionais MC´s


Regarded Ms. President Dilma Vana Rousseff

We write here, from inside the war. We write in this moment, in the middle of a new wave of police violence in the state of São Paulo, that has already killed about 200 people in the last 2 months, especially young poor black residents of the periphery, making us relive the crimes tha took place in May 2006.

We write under this unsustainable tension and pressure situation, Beyond of citizens of São Paulo, We are Brazilian citizens and as citizens, we have the right to appeal to the Presidency when the agents and all state bodies insist on showing themselves deaf and dumb in front of our cry for life. And continue to commit atrocities against their own population. Against us.

It is not the first time we appeal to the Presidency, although the previous times we have not yet received any response from the you... It happens that we can not expect more, because we are dealing with thousands of lives that are gone; hundreds of lives that could have been saved if some of the following measures had been effected, and many others that still could be saved if some action is taken urgently. Without further ado, after the Lady has been a victim of the state and understands when we talk about pressure limit and urgency, so we list below some of the emergency referrals we would like to personally explain to the Lady and the Lords of the Presidency, and watch them come out of the paper urgently:

1 - We ask, as an emergency, the monitoring political and legal by the Federal Level (Presidency, Ministry of Justice, Office of Human Rights, National Secretary of Justice, Federal Prosecutor, Federal Public Defender and CNJ) of the Current Crisis in Public Security in the State of São Paulo, which has already killed over 200 people over the last two months. All major legal and executive spheres of the state of São Paulo have shown, repeatedly, since the crimes in May 2006, his inability to deal with public safety crises like this in 2012, as has already occurred in April 2010 and May 2006, among other times.

2 - We want a final opinion of the Presidency on the Request for Shift Racing, the Federalization of Crimes Investigation in May 2006, required by our movement for over two years (May 2010). At the time of the crimes in May 2006, more than 500 deaths in the short period of about one week - More people killed than the already terrible numbers of dead and missing in the 20 years of Civil-Military Dictatorship in Brazil, however nearly ALL cases from 2006 follow still filed. We need to know what was the actual result - if there were any - of the Special Commission "Crimes of May", created by former Human Rights Minister Paulo Vannuchi within the Council for the Defense of Human Rights (CDDPH), the Commission, after almost 2 years of work, has not given us any detailed opinion;

3 - We also want an effective referral to abolish definitively the records of "resistance followed by death", "Self Resistance" and the similars across the country - the true "license to kill" unconstitutionaly used left and right by the killercops throughout the country. As already envisaged in PNDH-3, is urgently needed to abolish Article 329 of the Penal Code, and profoundly improve the article 292 of the same. Like any other citizen of Brazil, the investigation of all violent deaths caused by agents of the State shall be treated as cases of homicide (intentional or negligent).

4 - We need urgently to create a national policy focused on the Families of Victims of State Violence. A policy that aims guidelines for the Support, Protection, Psycho-Social Assistance, Repair (Material and Psychic) and indemnity to all Direct Family who are also Collateral and Related Victims of the State violence;

5 - Please pass the CNJ to follow, with the Ombudsman, the following cases of deaths related to periods of violent crimes in May 2006; Crimes April 2010, the Slaughter of MCs in Santos, and the crimes in June / July 2012 in São Paulo;

6 - As well as the situation in Sao Paulo, it is urgent the need of Strengthening and Enforcement of all State Public Defender - particularly in the case of Santa Catarina, and the Strengthening of State Practice and Major state acting from the Federal Public Defender office;

7 - Judgment and punishment also for senior officers, supervisors, law enforcement officials and for the prison system, responsible for state agents who committed or commit abuses, torture and summary executions;

8 - It is also necessary the Real Effective external control of police activities by prosecutors and police ombudsman with external participation and population control, external control of police and prosecutors for civil society organizations;

9 - Expansion of spaces, effectively democratic and popular, making power to increase the monitoring, oversight, transparency and control for the population related to the actions of prosecutors, judges and justices;

10 - Revision of criteria, publicity and information for formation of the Jury, so that effectively represent the sociiety (most of whom are women, poor and non-white) and be properly informed and motivated;

11 - Against the prohibition of family and friends of victims appear in clothing with symbols and pictures in the trial sessions of state agents in violation of human rights;

12 - against judicial decisions that grant freedom to state officials accused of human rights violations when such release mean threat and intimidation to family members, witnesses, social movements and human rights defenders;

13 - against judicial decisions to postpone trials of state officials accused of rights violations, based on allegations as frivolous or questionable health problems of attorneys of the defendants;

14 - We require also the Presidency of the Republic and the Ministry of Justice the first referrals to the creation of a Committee of the Memory, Truth and Justice for the victims of state agents during the democratic period. In Brazil, in recent years, have died killed about 48,000 people annually, according to recent studies published by the UN and released by the Brazilian Ministry of Justice. Much of these deaths and disappearances committed by state agents in full compliance of its obligations, which should be to ensure the right to life and freedom to come and go in peace, for all citizens. Following the example of recent efforts that have been made about the Brazilian Civil-Military Dictatorship (1964-1988), it is also necessary to advance in the Right to Memory, Truth and Justice for victims of the democratic period (also as recommended by the PNDH-3) ;

15 - Finally, we also call the Establishment of a Committee on Amnesty for Prisoners, Persecuted, Political Deaths and Disappearances by state agents during the democratic period. As has been established within the Ministry of Justice in relation to the families and victims of the Civil-Military Dictatorship, we need to move in the same sense with the Prisoners, Persecuted, Political Deaths and Disappearances of Democracy. In addition to the homicide rates of countries at war, we currently have in Brazil more than 500 thousand people arrested, according to the National Penitentiary Department (DEPEN). There are still many people being politicaly pursued, threatened with death or missing - like our friend Paulo Alexandre Gomes, one of the missing Crimes from May 2006 who exactly today would be completing 30 years of age. The state needs to ensure the Right to Truth and Justice for all of those citizens and their families.

Today, July 23, 2012, are exactly 19 years since the Candelaria Massacre happened, such cowardice committed against children and teenagers living already in the streets, in front of one of the main churches in the center of Rio de Janeiro. Today also our dear Paulo Alexandre Gomes, one of the disappearance political Crimes from May 2006, would be completing his youthful 30th anniversary of a life which, however, was interrupted violently by agents of the ROTA when he was only 23 years old . Today, amid the new wave of police violence and the actions of these killers, we demand this conversation and these urgent measures of the Presidency. To the children killed in Candelaria and the missing young Paul Alexander we dedicate this, our attitude of struggle for Truth and Justice.

This is not a request for a favor, but the requirement of fundamental human rights we have as citizens and citizens of Brazil, just as you and everyone else born here has got. Right to Life and the minimum Freedom to come and go safely, without the risk of death by state agents simply because of our origin, social class or skin color.

It is necessary to take concrete and urgent actions, by the unacceptable price of new lives lost if nothing remains to be done!

For the Right to Memory, Truth and Justice: Yesterday and Today!

The Poor Black Population can not continue to be exterminated as subpeople! Are we not all equal?!

May Crimes Never Again, Peace in the Suburbs!

Strong in the Struggle,

The "May Mothers" of Brazilian Democracy

MÃES DE MAIO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA

(tradução coletiva voluntária feita por diversos compas: Valeu!)



CARTA DE LAS MADRES DE MAYO (MÃES DE MAIO) A LA PRESIDENTA DILMA VANA ROUSSEFF

Estado de Sao Paulo, 23 de Julio del 2012


"Para los quien vive en la guerra, la paz nunca existió" Racionais MCs


Estimada señora Presidenta Dilma Vana Rousseff

Escribimos desde aqui de dentro de una guerra. Escribimos en este momento en medio a una nueva ola de violencia policiaca en el Estado de Sao Paulo que ya ha victimado cerca de 200 personas en estos últimos dos meses, sobretodo jóvenes pobres y negros pobladores de las periferias, haciendonos revivir los crímenes de Mayo del 2006. Escribimos bajo una situacción de tensión y presión sin límites para allá de los ciudanos paulistas, pero si como ciudadones brasileños que pensamos tener derecho de recorrir a la presidência cuando agentes y instancias estaduales todas insistem en se mostrar zordas y mudas delante nuestro clamor por la vida. Y persisten cometendo barbaridades en contra su propia población. En contra nosotros mismos.

No es la primera vez que recorrimos a la Presidencia de la República, aunque que jamás hemos recebido cualquier respuesta. Ocurre que no podemos esperar mas pues estamos tratando de miles de vidas que se fueron; de centos de vidas que podrian haber sido salvas si algunas de las medidas abajo hubiesen sido efectivadas y de otras tantas que poderínn haber sido popadas caso alguna actitude fuese tomada anteriormente. Sin mas argumenteos, afinal la senhora fue también víctima del Estado y entiende bien cuando hablamos de presión limite y urgencias, de modo que listamos abajo algunos de los encamiñamientos emergenciales que nos gustaría aclarar personalmete y ver realizados imediatamente.:

1 – Rogamos en caracter emergencial el acompañamiento político y jurídico por parte de la esfera federal (Presidencia, Ministerio de Justicia, Secretaria de Derechos Humanos, Secretaria Nacional de Justicia, Fiscalía Federal, Defensoria Pública Federal y CNJ de la actual crisis de la seguridad publica en el Estado de Sao Paulo que ha victimado más de 200 peersonas al largo de los últimos dos meses. Todas las principales esferas ejecutivas y jurídicas del Estado de Sao Paulo han demonstrado desde los crimes de Mayo del 2006 su incapacidad de resolver la crisis de la seguridad pública como esta del 2012, a ejemplo de lo que ya había ocurrido en Abril del 2010 y Mayo del 2006, entre otros momentos.

2 – Queremos un parecer definitivo de la Presidencia de la República acerca del pedido del deslocamiento de competencia, la fedaralización de las investigaciones de los crímenes de Mayo del 2006, requerido por nuestro movimiento desde hace más de dos años (Mayo del 2010). En aquel entoces de los crímenes de Mayo del 2006, fueron más de 500 muertes en el corto período de una semana – más personas asesinadas que en los terribles números de muertos y desaparecidos en los más de veinte años de dictadura civil militar brasileña. Sin embargo, practicamente TODOS los casos del 2006 siguen arquivados. Necesitamos saber cual el resultadpo efectivo – si hubo algún - de la Comisión Especial “Crímenes de Mayo”, creada por el ex ministro de los Derechos Humanos Paulo Vannuchi, dentro del Consejo de Defensa de los Derechos de la Peersona Humana (CDDPH), comisión que, pasados casi dos años de trabajo no nos ha dado todava ningún parecer detallado;

3 – Queremos también el encamñamiento efectivo en el sentido de revocar definitivamente los registros de "Resistencia Seguida de Muerte", “Auto de Resistencia” y afines en todo el país – esta verdadera “autorización para matar” inconstitucional utilizada por policías asessinos en todo el país. Acorde estaba previsto en el PNDH-3, es necesário urgentemente que se revoque el artigo 329 del Código Penal y aún mejorar su artigo 292 A ejemplo de cualquier otro cidadano brasileño, la investigación de todas las muertes violentas provocadas por agentes del Estado debe ser tratada como casos de homicídios (dolosos y/o culposos).

4 – Es necesário crear urgentemente una política nacional volvida para los familiares de víctimas de la violencia del Estado. Una política que apunte directrizes de amparo, protección, asistencia psicosocial, reparación (material y psíquica) e imndenización a todos los familiares directos, todos ellos víctimas colaterales y conexas de la violencia de Estado;

5 - Rogamos que el CNJ acompañe junto a la Defensoria Pública los casos de muertes violentas relacionadas a los períodos de los crímenes de Mayo del 2006; crímenes del Abril del 2010; la masacre de MC's e la Bajada Santista y los críimes de Junio/Julio del 2012 en el Estado de Sao Paulo;

6- Más allá de la situacion en Sao Paulo, es necesário y urgente la efectivación y fortalecimiento de todas las Defensorias Públicas Estaduales - sobretodo en el caso del Estado de Santa Catarina, así cómo el fortalecimiento y mayor actuación de la Defensoria Pública Federal;

7 - Juzgado y punición también a los oficiales superiores, superiores hierárquicos, autoridades de la seguridad pública y del sistema prisional, responsables por los agentes de Estado que cometem abusos, tortura y ejecuciones sumárias;

8 – Es necesária la efectivação real del control externo de la actividade policial por la Fiscalía Pública y por las fiscalías policiales externas con efectiva participación y control de la misma populación; Control externo de la polícia y de la FP por organismos de la sociedad civil;

9 - Ampliación de espacios efectivamente democráticos y populares con poder deliberativo para aumentar el acompañamiento, fiscalización, transparencia y control por parte de la sociedad en relación a actuación de la Fiscalía Pública, desembargadores y jueces;

10 - Revisión de los critérios, divulgación e información para formación del Jurado Popular de modo que represente efectivamente la sociedad (en su maioria mujer, pobre y no blanca) que sea correctamente informado y motivado;

11 - Contra la prohibición de familiares y amigos de víctimas compareceren con ropas con símbolos y fotos en las sesiones de juzgados de agentes de Estado violadores de derechos humanos;

12 - Contra las decisiones judiciales que conceden libertad a agentes de Estado acusados de violaciones de derechos humanos cuando tal liberaración significar amenaza o intimidación a familiares, testigos, movimientos sociales y defensores de los derechos humanos;

13 - Contra las decisiones judiciales de postergamento de juzgados de agentes de Estado acusados de violaciones de derechos por alegaciones vanidosas ou dudosas como problemas de salud por parte de los abogados de los reos;

14- Requerimos también a la Presidência de la República y Ministerio de Justicia los primeros encamiñamientos para la creación de una Comisión de Memória, Verdad y Justicia para las víctimas de agentes de Estado durante el período democrático. En esta país, en lo últimos años, han sido muertas asesinadas cerca de 48 mil personas anualmente según estudios recientes publicados por la ONU y divulgados por el propio Ministério de Justiça brasileño. Parte de estas muertes y desaparecimientos cometidas por agentes de Estado en cumplimiento de sus obligaciones -que deberian ser garantizar el direito a la vida y libertad de ir y venir en paz. A ejemplo de los esfuerzos recientes que han sido hechos sobre la dictadura civil-militar brasileña (1964-1988), es necesário que se avanze en al derecho a la Memória, Verdad y Justiça de las víctimas del período democrático (también conforme recomendación del PNDH-3);

15 – Por fin, exigimos también la creacción de una comisión de anistía para los detenidos, perseguidos, muertos y desaparecidos políticos por agentes del Estado durante el período democrático. A ejemplo do lo que fue instituído en el ámbito del Ministério de Justicia en relación a los familiares y víctimas de la dictadura civil militar. Es necesário se avanzar en el mismo sentido en cuanto a los detenidos, perseguidos, muertos y desaparecidos políticos de la democracia. Además de las tasas de homicídio como de los países en guerra, tenemos actualmente en Brasil mas de 500 mil personas detenidas según el Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN). Hay aún inumerables personas perseguidas políticas, ameanazadas de muerte o desaparecidas. El Estado necesita asegurar el dereho a Verdad y Justicia para todos estos ciudadanos y sus familiares.

Hoy, 23 de Julio del 2012, se cumple exatos 19 años desde la chacina de Candelária, una cobardía cometida en contra niños y adolescentes que estaban dormidos en la calle, delante una las principales iglesias del centro de la ciudad de Río de Janeiro. También hoy nuestro querido Paulo Alexandre Gomes, uno de los desaparecidos políticos de los críimenes de Mayo del 2006 estaria completando su 30º cumpleaños de una vida interrompida violentamente por agentes de la ROTA cuando tenía sólo 23 anos. Hoy en medio a una nueva ola de violencia policiaca y la actuacción de exterminadores, exigimos esta conversa y estas medidas urgentes de la Presidencia de la República. A los niños muertos en Candelária y al jóven Paulo Alexandre dedicamos nuestra actitud de lucha por la Verdad e por Justicia.

No se trata de un pedido de favor, sino que de una exigencia respeto a los derechos humanos fundamentales que tenemos como ciudadanos y ciudadanas brasileñas, como Usted, señora presidenta, o como cualquier otra persona nacida por estas tierras. Derechos a la vida y la mínima liberdade de ir y venir con seguridad, sin el peligro de arriesgármosnos en encontrar una muerte causada por agentes de Estado simplemente por nos juzgaren por nuestra origen, classe social o color de la piel.

Es necesáro tomar actitudes concretas y urgentes, o nuevas vidas serán perdidas y continuarán a ocurrir!

Por el derecho a Memória, a Verdad y Justiça: Ayer y hoy!

La poblaciión negra y pobre no puede seguir sendo exterminada como subgente! Somos todos iguales!

Criímenes de Mayo nunca más: Paz en las periferias!

Firmes en la Lucha,

Mães de Maio da Democracia Brasileira"
(Madres de Mayo • Brasil)

(tradução voluntária feita por Zanini Zanini H: Sem palavras! Valeu!)

quarta-feira, junho 27, 2012

COMUNICADO URGENTE DO MOVIMENTO MÃES DE MAIO



Santos, 27 de Junho de 2012

Diante de algumas declarações e insinuações recentes buscando claramente estigmatizar o nosso movimento Mães de Maio, com o patente interesse de criminalizá-lo, nós vimos por meio desta deixar bem claro e reforçado que somos uma Rede de Mães, Familiares e Amigos de Vítimas da Violência com o exclusivo interesse de defender o Direito à Memória, à Verdade e à Justiça referente aos nossos entes queridos vitimados injustamente pela violência de agentes do estado. Superando a dor irreparável da perda fatal de nossos filhos e entes queridos, lutamos cotidianamente pela Verdade e por Justiça em relação a TODAS as vítimas atingidas pelos mais diversos tipos de violações dos Direitos Humanos mais fundamentais, a começar pelo direito à vida e à liberdade de ir e vir em segurança por nossas cidades. 

Não é por outra razão, senão por conta de nossos princípios e práticas cotidianas em busca de justiça e transformação social pela paz, que ao longo desses mais de 6 anos de existência nosso movimento já foi amplamente reconhecido nacional e internacionalmente, por entidades como a Anistia Internacional, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, a Human Rights Watch, a Clínica de Direitos Humanos da Universidade de Harvard, o Prêmio Nacional 2010 de Direitos Humanos da Secretaria de DH da Presidência da República do Brasil, a Associação de Juízes pela Democracia, o Prêmio Nacional 2011 da Associação Nacional dos Defensores Públicos, o Prêmio Santo Dias 2011 de Direitos Humanos da ALESP, homenagem da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça pelo Dia da Mulher em 2012, entre diversas outras manifestações contundentes de reconhecimento e congratulação pelo nosso compromisso incansável com a Verdade, a Justiça e os Direitos Humanos, sobretudo da população mais pobre e vulnerável no Brasil. 

Nada nem ninguém nos desviará desses princípios, desse compromisso e dessa firme trajetória! Tampouco conseguirá, sob nenhuma hipótese, nos estigmatizar fraudulentamente com caracterizações que não nos dizem respeito, em absoluto.

MOVIMENTO MÃES DE MAIO
por Verdade e Justiça, Ontem e Hoje!

segunda-feira, junho 25, 2012

A PARTIR DE HOJE (25/6): SEMANA DECISIVA NA LUTA POR JUSTIÇA E PAZ NA BAIXADA SANTISTA




A partir desta segunda-feira (25/06), às 9:30hs, no Tribunal de Justiça de Santos, o soldado André Aparecido dos Santos, do 6º BPM/I, sentará no banco dos réus neste dia para ser submetido a júri popular em Santos.

Nós do movimento Mães de Maio convidamos a todos nossos militantes, simpatizantes, jornalistas comprometidos com a verdade e a justiça, e demais militantes dos direitos humanos no Brasil a ficarem atentos ao julgamento que ocorrerá a partir desta segunda-feira (25/06), às 09:30hs, no Tribunal de Justiça de Santos. Nós todos precisamos acompanhar passo a passo este julgamento crucial para o combate da violência policial na Baixada Santista, uma das mais violentas do país.

Acusado de nove tentativas de homicídios, um consumado e oito tentados, o soldado André Aparecido dos Santos, do 6º BPM/I, sentará no banco dos réus neste dia para ser submetido a júri popular em Santos. Os crimes se caracterizaram pelo fato de as vítimas terem sido baleadas sem motivo e o atirador dirigir um carro preto. Suspeito de integrar o grupo de extermínio “Os Ninjas”, a devida apuração e merecido julgamento de André Aparecido pode ser a ponta do iceberg que levará ao esclarecimento da persistente violência policial que assola a Baixada Santista desde maio de 2006.

Julgamento longo
Sob os olhares atentos de entidades de defesa dos Direitos Humanos e da sociedade em geral, a sessão começará às 9h30. O juiz Antonio Álvaro Castello a designou para uma segunda-feira porque a expectativa é que possa durar até quatro dias e, desse modo, não há o risco de o julgamento se prolongar ao fim de semana.

Trinta e cinco pessoas foram indicadas como testemunhas: 13 pela acusação, 11 pela defesa e outras 11 comuns a ambas. Algumas delas são protegidas. O depoimento do delegado Luiz Henrique Ribeiro Artacho é um dos mais aguardados em plenário porque ele poderá explicar detalhes da investigação e indícios que recaem sobre o réu.

Recolhido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo, em razão de prisão preventiva, o soldado Aparecido nega os crimes. A defesa tentará colocar em xeque as provas do processo. Testemunhas e vítimas chegaram a reconhecê-lo durante o inquérito policial e em juízo.

Na hipótese de condenação em todos os crimes que lhe são atribuídos, o réu está sujeito a pena de 44 a 190 anos de reclusão. Ele tem 36 anos de idade. A maioria dos delitos ocorreu na madrugada de 10 de abril do ano passado, quando foi cometida uma série de atentados em Santos e São Vicente que teve o saldo de um morto e seis baleados. Porém há diversos elementos para se suspeitar que André Aparecido esteja envolvido em outras mortes violentas na Baixada Santista, ao longo desses últimos anos.

Paulo Roberto: Presente!
A vítima fatal da série de crimes atribuída ao soldado Aparecido é o enfermeiro Paulo Roberto Barnabé, de 34 anos. Na madrugada de 10 de abril de 2011, Barnabé caminhava pela Rua Pindorama, a meia quadra da Praia do Boqueirão, em Santos, quando um carro preto passou devagar ao seu lado e o motorista atirou várias vezes.

O guerrêro Barnabé morreu com um tiro no peito, enquanto seu amigo Arsênio, que estava a poucos metros, foi baleado seis vezes, mas sobreviveu. Posteriormente, na mesma madrugada, outros atentados cometidos em Santos e São Vicente também pelo motorista de um carro preto trouxeram um clima de apreensão e deixou mais cinco feridos.

Álibi derrubado
A câmera de segurança de um edifício da Rua Pindorama registrou o exato momento do crime. A placa e o modelo do carro não aparecem na gravação, mas testemunhas informaram que o veículo é preto, tem os vidros filmados e possui pequeno porte. Aparecido é dono de um Corsa, cujos vidros têm película protetora escura.

Com o passar dos dias, cartazes apócrifos apontando Aparecido como o atirador do carro preto foram colados em postes. Os crimes de 10 de abril começaram a ser apurados pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e o delegado Artacho reuniu indícios contra o policial militar que embasaram o pedido de sua prisão preventiva.

O réu e as pessoas que ele citou depuseram na DIG e as suas versões foram divergentes. “Entendo que ele tentou encobrir a verdade. A sua esposa também teve a intenção de desviar o rumo das investigações”, disse Artacho. Para o delegado Marcelo Gonçalves da Silva, ocorreram “divergências escandalosas, beirando o falso testemunho”.

Armas e rodas
Quatro dias após os atentados de 10 de abril, o soldado comunicou no 7º DP de Santos o furto de duas pistolas calibres 380 e ponto 40. Segundo ele, as armas foram levadas do seu apartamento, cuja porta teria ficado aberto. O imóvel não apresentava sinais de arrombamento ou qualquer outro vestígio que confirmasse o delito. Tais armas, nós do movimento Mães de Maio suspeitamos que possam estar relacionadas a uma série de outros crimes envolvendo policiais de grupo de extermínios atuantes na Baixada Santista.

Sem as armas do suspeito, a DIG não pôde confrontá-las com cápsulas deflagradas de calibres idênticos recolhidas nos locais dos crimes, prejudicando as investigações. Mas a Polícia Civil apurou que o soldado trocou as rodas de seu Corsa no dia 16 de abril, antes de se apresentar ao comando do 6º BPM/I levando o seu carro.

O soldado passou em uma borracharia, antes de ir ao batalhão, e mandou retirar as rodas pretas comuns que estavam no veículo, idênticas às que aparecem na filmagem da câmera do prédio da Rua Pindorama. No lugar das originais foram colocadas rodas esportivas e ele não fez qualquer menção sobre essa troca ao ser ouvido na PM.

Investigadores da DIG descobriram a borracharia e apreenderam nesse estabelecimento as rodas que estavam no Corsa. Elas foram dadas como parte de pagamento das rodas esportivas colocadas no automóvel. Aparecido ainda pagou um sinal em dinheiro e parcelou o saldo devedor.


PAULO ROBERTO: PRESENTE!
SEM JUSTIÇA NÃO HÁ PAZ NA BAIXADA SANTISTA!

MÃES DE MAIO

quarta-feira, junho 06, 2012

Seis anos depois dos Crimes de Maio, mãe de vítima critica execuções da PM




Já se completaram seis anos do conflito entre a polícia e o Primeiro Comando da Capital (PCC) que matou mais de 600 pessoas. Débora da Silva Maria é mãe de Edson Rogério, assassinado por policiais no dia 15 de maio de 2006. Ela se tornou, depois disso, militante dos direitos humanos. Em entrevista à Carta Maior, Débora conta como é sua batalha ao lado do movimento que ajudou a criar chamado Mães de Maio e sua luta pelo fim das mortes pelo Estado.

Fábio Nassif

São Paulo - A polícia militar brasileira está na mira da ONU. Na semana passada, seu Conselho de Direitos Humanos aprovou várias recomendações como parte do relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho sobre o Exame Periódico Universal (EPU) do Brasil. Uma delas é pela extinção da polícia militar. A posição da entidade foi publicada dois dias depois de mais um caso alarmante em São Paulo. Na última segunda-feira (28), policiais militares mataram seis pessoas, segundo eles, suspeitos de tentar resgatar um presidiário membro do Primeiro Comando da Capital. Testemunhas afirmam que houveram execuções e tortura, colocando mais uma vez para toda a sociedade, a urgência do debate entorno da segurança pública. Infelizmente, casos como esse não são esporádicos. A segurança no estado de São Paulo é marcada pela impunidade desses policiais (como apontou matéria recente da Carta Maior).

Os “Crimes de Maio” é um caso emblemático. Já se completaram seis anos do conflito entre a polícia e o Primeiro Comando da Capital (PCC) que matou mais de 600 pessoas. Débora da Silva Maria é mãe de Edson Rogério, assassinado por policiais no dia 15 de maio de 2006. Ela se tornou, depois disso, militante dos direitos humanos. Luta também por memória, verdade e justiça, já que, segundo ela, “vivemos numa ditadura continuada”. Na entrevista abaixo, Débora conta como é sua batalha ao lado do movimento que ajudou a criar chamado Mães de Maio e sua luta pelo fim das mortes praticadas pelo Estado.

Carta Maior - Quantas pessoas foram mortas nos Crimes de Maio?

Na época a Secretaria de Segurança Pública deu uma estatística de 493 mortos. Mas as pesquisas da ONG Conectas deu 532 mortos e a de Harvard ["São Paulo sob achaque", publicado em maio de 2011, pela ONG Justiça Global e pela Clínica Internacional de Direitos Humanos da Universidade de Harvard] deu mais de 600 pessoas. Isso porque há pessoas desaparecidas, o que é de praxe. Descobrimos também que chacinas com mais de uma vítima são registradas como se tivesse uma vítima só. É a maquiagem do Estado em cima das estatísticas.

CM - Você conhece casos de familiares que não tiveram acesso aos corpos?

Sim. Tem a família do Francisco Gomes, pai do Paulo Alexandre, cujo corpo não apareceu até hoje. A gente sabe que são muito mais. É uma prática comum a ação de ocultação de cadáver. O governo do estado liberou naquela época o enterro dos corpos em vala comum. Eles dão uma relação de 19 corpos, mas sabemos que é muito mais. O movimento das mães vem travando uma luta, inclusive pedindo à ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário, fazer com que o governo estadual mostre onde foram enterrados estes corpos. Nós achamos que eles estão espalhados por vários cemitérios. Até o momento, nem a Secretaria de Direitos Humanos deu uma resposta definitiva, e as famílias vivem neste desespero.

CM - Qual a versão que as mães tem sobre os motivos do conflito entre a polícia e o PCC?

Os Crimes de Maio foram a revolta do PCC contra polícia por conta da corrupção. Policiais civis estavam sequestrando familiares de presos e os torturando. E depois do sequestro do enteado do Marcos Camacho, o Marcola, houve uma vingança, segundo o que a mídia divulgou. No relatório “São Paulo sob achaque” vimos que havia corrupção por trás dos Crimes de Maio. Aí se iniciaram as rebeliões como um aviso. Mas nós temos conhecimento que nem todos os crimes cometidos contra agentes do Estado foram praticados pelo crime organizado, e sim pelos próprios companheiros de farda.

CM - Alguém foi punido pelos Crimes de Maio?

Não. Ninguém foi punido. A maioria dos inquéritos foi arquivada. Os que não foram arquivados foram os dos agentes do Estado que indiciaram civis. Temos em aberto só um caso de uma chacina que houve no Jd. Brasil na zona norte de São Paulo. Essa mãe fez as próprias investigações com apoio do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e soubemos que em julho vai ter o julgamento pra ver se os cinco policiais serão indiciados pela morte de três rapazes. Essa mãe, apesar de sofrer com o medo, é um exemplo de resistência, e foi a fundo, pois o resto foi arquivado.

CM - Quem arquiva essas investigações?

É o próprio Ministério Público (MP) que pede arquivamento. O fórum do MP da capital parabenizou a eficiência da polícia por sua atuação na época. Deram mais de 60 carimbos de promotores parabenizando a ação. A gente já sabia que os promotores apoiavam o “estabelecimento da ordem”, e, na nossa visão de mãe, eles parabenizaram a matança. Não teria como promotores de outras regiões baterem de frente com o fórum da capital. Não houve vontade do judiciário pra pedir as investigações corretas.

CM - É o caso do seu filho?

No caso do meu filho eu fui atrás pra exigir investigação. Eu queria saber quais viaturas estavam trabalhando na noite daquele dia, nome dos policiais, percurso que eles fizeram, que tipo de armamento eles usavam, quantos cartuchos foram usados. A investigação no MP ficou dentro dessa linha, como eu pedi. Mas a gente viu também que o policial que conduz o boletim de ocorrência mente. E, quando a mãe chega na delegacia dizendo que quem matou o filho dela foram os policiais, eles mudam a própria versão do boletim de ocorrência deles. Ou seja, há várias contradições nessa história que nós não engolimos. Parece que tinha uma ordem para nada ser investigado nem julgado, e a verdade não ser exposta. Eu tenho certeza que se os Crimes de Maio tivessem acarretados em punição não veríamos esta quantidade de jovens mortos nesses seis anos. Deu certo o modus operandi que eles usaram na época e eles usam até hoje.

CM - Como as Mães de Maio começaram a se organizar e se organizam até hoje?

As mães são muito guerreiras. Eu fiquei na cama de hospital porque eu não aceitava a morte de meu filho, e não aceito até hoje. É muito difícil ver um filho trabalhador, honesto - mas eu sempre digo, mesmo que não fosse - pra defender um miserável salario mínimo e a noite ser executado. Não entra na minha cabeça. Caí na depressão no começo. E eu vejo meu filho até o dia de hoje, não é miragem. Eu vi ele me tirar da cama e ele me pegou com tanta força que eu fiquei com a marca dos dedos dele no braço.

Ele falou que me queria ver lutando. Quando ele fez isso eu não deitei mais, só pra dormir mesmo. Fiquei ajudando os outros pacientes e a médica me deu alta. No outro dia fui à caça das outras mães, pois vi a semelhança da causa da morte em vários os casos. Fui atrás da Nalva mãe de um balconista que estava no décimo dia de ferias quando foi assassinado. Falei pra ela: vamos pra luta. Fomos atrás da Vera. Aí ela falou que conhecia alguém próximo da mãe da Ana Paula, a gravida que foi assassinada também.

CM - Receberam algum tipo de apoio?

Batemos em várias portas. Fomos atrás pra provar a boa conduta dos meninos. Um promotor do MP nos disse: a justiça da terra não funciona, só a divina. Todos diziam para tomarmos cuidado com a policia. Mas não aceitamos. Aí fomos eu, Vera e Nalva a São Paulo. Eu nunca tinha ido. Fui pra Ouvidoria da PM, contamos tudo que sabíamos, aí encaminharam a gente pro Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe). Chegou lá encontramos a Rose Nogueira e o Luiz Dantas, que virou ouvidor da polícia depois. Ela nos deu o livro “Crimes de maio”. E só aí tivemos a noção o que foi o massacre que teve em maio. Só depois de quase um ano percebemos a dimensão do que tinha acontecido, e que não eram só nossos filhos.

Fomos depois pro Conselho Regional de Medicina que fez um levantamento das mortes. Cobramos as autoridades e ninguém nos falou nada. Foi uma decepção. Aí falamos: agora precisamos mostrar a garra e ir à luta. Soubemos que o caso da Ana Paula foi arquivado já em 2006. Ela estava grávida de 9 meses e foi morta junto com o marido. Vimos que os casos foram todos iguais, e que tinha sido a polícia mesmo.

Eu descobri depois que eles estavam preparando a matança dos nossos meninos pelo telefonema que recebi antes do meu filho morrer. Um policial da família disse que era pra eu avisar as pessoas de bem, no dia 15 de maio de manhã, que quem tivesse na rua era inimigo da polícia. Eu nunca imaginaria que a noite matariam meu filho. Eu soube da morte dele pelo rádio, aí liguei pra esse policial, e ele me perguntou na cara de pau quem foi que matou. A gente sabe que funciona assim, quando morre gente, eles vão lá ver. Ele sabia que meu filho tinha morrido e não me avisou.

CM - As mortes foram totalmente aleatórias?

Tudo aleatório. No dia em que ele morreu o rádio disse que tinham 16 corpos no Instituto Médico Legal jogados no chão. Era ano de eleição e o governo tinha que dar uma resposta pro país, mostrando que tinha controle da situação. Ele respondeu à altura, matando nossos filhos.

CM - Qual é o critério que a polícia adota para realizar essas execuções?

É higienização da pobreza. Eles sabem que não dá nada pra eles porque o pobre não tem acesso à justiça. As testemunhas são sempre ameaçadas. Temos uma política de segurança de extermínio. Temos que extirpar essa polícia assassina de São Paulo. O governo do estado de SP não investe no ser humano, só em armamento e viatura. Só pra oprimir, porque segurança que é bom, nada. Nós pagamos a bala que mata nossos filhos, pagamos a arma que mata nossos filhos, os algozes que matam nossos filhos e os mandantes dos crimes dos nossos filhos.

CM - Como agem outros órgãos diante desta situação?

O governo federal está omisso, vendo tantos brasileiros sendo massacrados e exterminados, e não se mete dizendo que o estado tem autonomia. Está tendo um grito do mundo lá fora sobre as execuções sumárias cometidas por agentes do Estado. A ONU gritou já e está gritando desde 2007, condenando essa polícia assassina. E ninguém toma providência. O governo federal diz que o estadual tem autonomia, mas o estadual não pode ter autonomia de declarar a pena de morte da população pobre, negra da periferia. A ditadura não acabou. Só mudou o inimigo do Estado, que não é mais o inimigo político, mas o pobre e o negro. O capitalismo mata na bala, na falta de educação, de saúde e de moradia. A nossa Constituição não vale de nada pro pobre. Este só tem deveres. Direito é só pros ricos.

CM - Semana passada mais 6 pessoas foram mortas pela polícia militar. Como vê o fato de isso estar se repetindo?

Vimos esse caso com repúdio. Mesmo se fosse um resgate de criminosos, a obrigação do Estado era prendê-los. Mas eles fizeram a falsa “resistência seguida de morte”. Ultimamente eles estão perdendo um pouco a linha de acobertamento dos crimes. Só ganham no judiciário. As pessoas estão tendo mais coragem de denunciar. O governo deu uma declaração, como sempre faz, de que está tudo sob controle. Em maio de 2006 também falaram isso. Sob controle foi mandar 150 policias da Rota amedrontar a população.

CM - Acha que há possibilidade de acontecer uma onda semelhante a maio de 2006?

Mataram um policial no Guarujá e a mídia diz que pode ter ligação com as execuções recentes em São Paulo. O governo fala que não existe essa possibilidade, mas nós temos cautela, pois existe sim.

CM - Como você vê o PCC?

Vejo vários jovens sem estrutura nenhuma, vivendo em cadeias desumanas. O PCC foi criado pelo Estado à base de corrupção. E agora a criatura está engolindo o criador. Não vejo eles como organização, e sim como uns desorganizados. Senão estariam fora dos presídios. O verdadeiro crime organizado é o Estado.

CM - O que acha do registro dos homicídios por policiais como “resistência seguida de morte”?

A gente entrou numa campanha pelo fim do registro dessas mortes como “resistência seguida de morte”. É uma prática abusiva pra matar e evitar investigações. Nos Crimes de Maio são 84 com tiros na mão e tiros na nuca, que são sinais de defesa. Isso está no Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e nós clamamos que saia do papel. Que seja registrada como homicídio para que tenha investigação.

CM - Você disse que os crimes de hoje ocorrem porque os crimes de maio seguem sem punição. Acha que os crimes de maio ocorreram também pela impunidade dos crimes cometidos pela ditadura militar?

Quem matou na ditadura está nas instituições policiais. Tem torturador que trabalha nas repartições até hoje. Existe uma semelhança muito forte. Temos uma ditadura continuada. Violenta. Contamos cerca de 484 pessoas mortas em 21 anos de ditadura. Nos Crimes de Maio, em uma semana, foram mais de 600 mortes, abafadas pela copa do mundo. Usam as mesmas práticas: desaparecimento forçado, extermínio em massa, encarceramento, tortura nas prisões. Temos que acabar com a militarização, resultado da ditadura. Nós pedimos pro Lula abrir os arquivos da ditadura militar pois precisamos conhecer nossa história, que não é muito diferente do que vivemos agora.


sexta-feira, junho 01, 2012

Convocatória de apoio ao Quilombo Rio dos Macacos




            Companheiras, companheiros, irmãs e irmãos, nós do Núcleo de Negras e Negros Estudantes da UFRB (Núcleo Akofena), viemos por meio desta, solicitar apoio para um caso de execração pública que nosso coletivo vem sofrendo. Compreendemos que boa parte de vocês estejam cientes da briga judicial que estamos enfrentando por conta de uma agressão sofrida por uma de nossas militantes.

            No último dia 15 de maio publicamos em nosso blog uma carta denúncia contando das agressões que sofremos, em especial essa mulher preta do Núcleo Akofena, e que foram praticadas por um jovem estudante da UFRB.

            Entendam o fato com alguns trechos da carta:

“O acontecido se passou na “Cabana do Pai Tomaz”, localizado na praça 25 de Junho, na cidade de Cachoeira, durante a festa de comemoração (no dia 13 de maio) da formatura de dois dos nossos quadros, Clissio Santana e Fred Igor. A confraternização era apenas para convidados, o que não era o caso do sujeito em questão: um jovem branco, classe média, estudante do curso de Ciências Sociais da UFRB chamado Pedro do Livramento. Não bastasse o fato de invadir a festa onde se encontrava parentes e amigos dos dois formandos, o jovem agressor passou a se esfregar em Zilda, fazendo menção de agarrá-la. Diversas vezes Zilda sinalizou ao jovem para que parasse com a ação invasiva e desrespeitosa, configurando-se em crime de agressão física, e tentativa de estupro, segundo a lei 12.015/09, já que a violência tinha por intenção fins sexuais, valendo ressaltar que o ocorrido tem mais de 20 pessoas de testemunhas.

Zilda afastou-se do rapaz, e se juntou a família e aos amigos da festa. O jovem Pedro veio novamente na sua direção, dessa vez gritando-a “É por que eu sou branco que não posso me aproximar?”, e empurrou-a. A partir daí, em um gesto de autodefesa comunitária, desencadeou-se uma briga generalizada por conta desse rapaz que estava em um espaço que não era proposto para ele, uma festa que para as pessoas presentes, representava extrema alegria, superação e vitória.
            Na noite do domingo (13/05), através do facebook, Pedro do Livramento enviou uma mensagem a uma outra jovem, desta vez Tamiz Lima, também militante do Núcleo Akofena, e que também estava presente na festa do dia anterior. Na mensagem, Pedro refere-se a Tamiz como sendo a mulher agredida por ele, diz em todo momento que ela se enganou, e reitera sua preocupação com sua imagem e vida social por conta do ocorrido. A partir daí, podemos levantar mais uma discussão: a homogeneização do corpo negro, desta vez do corpo sexualizado feminino negro, Zilda e Tamiz, além do fato de serem negras não possuem nenhuma outra característica física em comum. Em que estado de embriaguez, ou sob efeito de quais substâncias estava esse jovem que não consegue nem ao menos lembrar qual mulher ele agrediu?”.

            Diante disto, tomamos as medidas judiciais necessárias, o processo já está correndo e já aconteceram duas audiências. Mas ao contrário do que esperávamos a comunidade estudantil da UFRB não nos apoiou, ou apoiou a mulher que foi agredida, pelo contrário, no grupo do CAHL (Centro de Artes Humanidades e Letras da UFRB) no facebook, estamos sendo chamados de fascistas, racistas às avessas, radicais, extremistas, intolerantes, preconceituosos, dentre tantos outros adjetivos.

            Contando com o apoio e a solidariedade dos companheiros e irmãos, que como nós, estão na luta diária contra o racismo, o machismo, a homofobia e as desigualdades de classe. E como nós, compreendem o processo de estigma e criminalização que vem sofrendo os movimentos sociais ao longo da história, gostaríamos de pedir um posicionamento público sobre o assunto em forma de nota ou carta aberta de apoio do referido coletivo. Gostaríamos também de reiterar nosso trabalho contínuo de militância de base na comunidade do Viradouro, periferia de Cachoeira, e nossas contribuições na luta junto a Baixa da Linha (Quilombo situado em Cruz das Almas), à comunidade Ilha de Maré, e ao Quilombo Rio dos Macacos, sempre nos colocando disponíveis para os fronts de batalha de toda e qualquer forma de opressão.

            Certos de que contaremos com o apoio dos companheiros e irmãos, e diante da gravidade da situação, pedimos urgência no posicionamento público, desde já agradecemos.

Nenhuma concessão ao racismo, machismo e homofobia.

Núcleo de Negras e Negros Estudantes da UFRB (Núcleo Akofena)
“Por todos os meios necessários”